Trump não perdoa atrasos e troca arquiteto do novo salão de baile da Casa Branca
Perry Mason
(1957-1966) – Maurice Manson
A
empresa do arquiteto que esteve em funções até outubro é considerada demasiado
pequena para cumprir os prazos. Presidente quer inaugurar a obra antes de
abandonar o cargo, daqui a pouco mais de três anos
Donald Trump trocou em outubro de arquiteto no projeto do
novo salão de baile da Casa Branca, avaliado em 300 milhões de dólares (quase
260 milhões de euros na cotação atual), escreve o Washington Post, que
cita três fontes envolvidas no processo. De acordo com o jornal, a pequena
dimensão da equipa do arquiteto James McCrery II e a sua incapacidade para
cumprir prazos levou à substituição por Shalom Barnes, responsável por vários
projetos federais, incluindo o edifício principal do Departamento do Tesouro.
McCrery estava envolvido na obra há apenas três meses. A
construção gerou polémica devido à sua dimensão (cerca de 90 mil metros
quadrados) e ao facto de ter originado a demolição de uma parte do edifício,
algo que Trump tinha inicialmente negado. Segundo o diário, McCrery mantém boas
relações com Trump, mas fica por saber se abandonou o projeto voluntariamente
ou não.
“A Administração tem o prazer de anunciar que o altamente talentoso
Shalom Baranes se juntou à equipa de especialistas para concretizar a visão do presidente Trump de construir aquilo que será o maior
acrescento à Casa Branca desde o Salão Oval — o Salão de Baile da Casa Branca”,
disse o porta-voz Davis Ingle, ao Washington Post.
“Shalom é um arquiteto conceituado cujo trabalho moldou a
identidade arquitetónica da capital do nosso país durante décadas, e a sua
experiência será uma grande mais-valia para a conclusão” da obra, acrescentou o
porta-voz. McCrery pode já não estar ao leme, mas a Casa Branca confirmou que o
arquiteto terá um papel de consultadoria na nova etapa do projeto, que deve
estar concluído até janeiro de 2029, quando o mandato de Trump termina.
Quem não celebra estes avanços é Richard Blumenthal, senador
democrata de Connecticut. Esta quinta-feira apresentou um projeto de lei
destinado a limitar a forma como a Casa Branca pode construir ou demolir partes
do complexo presidencial. A medida — denominada No Palaces Act (Lei Sem
Palácios) — obrigaria Washington a pedir autorização formal da comissão de
demolições antes de derrubar qualquer estrutura. O Congresso teria também o
poder de bloquear mudanças planeadas para Casa Branca.
“O presidente Trump levou uma bola de demolição para a Casa
Branca — demolindo a icónica Ala Leste para abrir caminho ao seu monstruoso
salão de baile de vários milhões de dólares”, acusou o senador num comunicado.
“As salvaguardas nesta medida irão garantir que
futuros presidentes não possam transformar a Casa do Povo no seu palácio
pessoal.”
Os doadores do salão de baile incluem várias tecnológicas e
mais de uma dezena de magnatas, segundo uma lista divulgada pelo governo, que
garante que o projeto não terá qualquer custo para o erário público: a Apple, a
Amazon, do bilionário Jeff Bezos, a Meta, de Mark Zuckerberg, a Microsoft, de
Bill Gates, e a Google fazem parte do rol.
A lista menciona ainda o investidor Konstantin Sokolov, o
financiador republicano Harold Hamm, além da ex-senadora republicana Kelly
Loeffler e o marido Jeff Sprecher, diretor da Intercontinental Exchange,
detentora da Bolsa de Nova Iorque. Num jantar em
outubro, o chefe de Estado gracejou que o patrocínio "é o preço para ter acesso ao presidente"
— uma declaração que adensou as questões sobre as contrapartidas pelas doações
e a perda de independência que podem significar para o chefe de Estado.
Fonte: Expresso, 5 de dezembro de 2025

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