9000 soldados, navios de guerra e caças F-35: a estratégia militar da Dinamarca para proteger a Gronelândia
Whitstable
Pearl (2021) - Kerry Godliman
A Casa
Branca anunciou que está a analisar diversas opções para assumir o controlo da
maior ilha do mundo, atualmente sob administração da Dinamarca.
A administração de Donald Trump voltou a manifestar
interesse em controlar a Gronelândia, considerando até o uso das forças armadas
norte-americanas. A Casa Branca anunciou que está a analisar diversas opções
para assumir o controlo da maior ilha do mundo, atualmente sob administração da
Dinamarca, e sublinhou que a aquisição de Groenlândia é uma prioridade de
segurança nacional para os Estados Unidos, essencial para dissuadir adversários
na região ártica.
A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que “o uso das forças
armadas está sempre disponível para o presidente como comandante-chefe”, três
dias após os EUA terem conduzido a operação militar que levou à captura do
presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Dinamarca reforça defesa e serviço militar
A Gronelândia, apesar de ser a maior ilha do planeta, tem
apenas cerca de 56 000 habitantes, a maioria esquimós, concentrados na costa
sudoeste, perto da capital, Nuuk. Nos últimos meses, o país aumentou o
orçamento de defesa e alargou o serviço militar, principalmente em resposta às
ameaças de Putin.
O país nórdico destinará 2% do PIB à defesa em 2026, depois
de décadas de investimento abaixo de 1%. O serviço militar obrigatório passou a
incluir mulheres e terá uma duração quase três vezes superior à anterior:
passou de quatro para 11 meses, com cinco meses de formação básica e seis meses
em unidades operacionais do Exército de Terra, Marinha ou Força Aérea. O
objetivo é aumentar os recrutas de 5000 para 7500 até 2033.
Estrutura e capacidades das Forças Armadas
Dinamarquesas
O exército dinamarquês conta com cerca de 9000 soldados,
distribuídos entre a força terrestre, a marinha, a força aérea e a Guarda
Nacional, uma organização voluntária que duplicou o número de inscritos nos
últimos meses.
A Marinha Real possui mais de 20 navios de guerra, incluindo
cinco fragatas de classe Iver Huitfeldt e Absalon, além de uma frota de
helicópteros e módulos intercambiáveis de armamento e sensores que permitem
alterar funções operacionais rapidamente. Os navios de patrulha oceânica classe
Thetis são essenciais para manter a soberania no Atlântico Norte, onde se situa
a Groenlândia.
A Força Aérea está a reforçar-se com a aquisição de 16 caças F-35 adicionais, aumentando a frota total para 43
aeronaves até 2027. Atualmente, 15 já estão operacionais, seis em bases de
treino nos EUA. A Dinamarca também vai receber aviões de patrulha marítima
multimissão P-8A através de um contrato aprovado pelo Departamento de Defesa
dos EUA, avaliado em cerca de 1650 milhões de euros.
Investimentos estratégicos no Ártico
O governo dinamarquês anunciou um pacote de investimentos no
Ártico, incluindo a construção de uma nova sede do Comando Ártico em Nuuk,
compra de navios especializados para operações polares, aquisição de aeronaves
de patrulha marítima com capacidades quebra-gelo, reforçando a defesa da
Gronelândia.
Apesar destes esforços, a capacidade militar da Dinamarca é
limitada face aos Estados Unidos, que possuem porta-aviões, submarinos
nucleares, forças aéreas de superioridade e unidades de operações especiais,
como a Delta Force responsável pela captura de Nicolás Maduro.
Os EUA já mantêm uma base em Pituffik, na Gronelândia, com
cerca de 650 pessoas, incluindo militares da Força Aérea e Força Espacial e
contratados civis. A base foi originalmente criada para detetar ataques de
mísseis soviéticos e continua a ter importância estratégica.
O papel da NATO em caso de conflito
A eventual intervenção dos Estados Unidos levanta questões
sobre a reação da NATO, dado que a Groenlândia é território de um Estado
membro. As regras da aliança preveem defesa conjunta contra terceiros, mas não
abordam cenários em que a ameaça venha de um aliado.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou
que qualquer ataque entre países da NATO poderá comprometer a própria aliança e
a segurança que tem garantido desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Fonte: Executive Digest, 7 de janeiro de 2026

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