A empresa de moda do Bangladesh que faz as T-shirts da campanha de André Ventura
Nos
cartazes da campanha do líder do Chega às eleições presidenciais pode ler-se
“Isto não é o Bangladesh”. No entanto, é de lá que vêm as camisolas usadas na
campanha
É com alguma ironia que as imagens têm circulado nas redes
sociais. Nos últimos dias, têm sido partilhadas várias fotografias da etiqueta
das T-shirts oferecidas durante a campanha de André Ventura em Mirandela,
Bragança, que apontam para a origem curiosa das mesmas: o Bangladesh.
Na parte de trás da peça, pode verificar-se que a produção
pertence a uma empresa do grupo Keya, sediada no país do sudeste asiático. Com
capacidade para uma produção superior a 100 milhões de peças têxteis, conta com
uma representante na Europa, a Kamp Europe BVBA.
O detalhe não passou despercebido uma vez que “Isto não é o
Bangladesh” se tornou uma das mensagens mais marcantes da campanha do líder do
Chega para as eleições presidenciais que se realizam este domingo, 18 de
janeiro. A afirmação surge em vários dos cartazes polémicos espalhados pelo
partido por todo o país.
Por ser um dos maiores fabricantes de vestuário do mundo, o
grupo emprega mais de 10 mil pessoas, segundo o site oficial. Conta com vários
setores, deste a fiação à malharia, passando pela costura, e os seus artigos
são vendidos globalmente sob diversas marcas há mais de duas décadas.
Devido a esta influência, tem presença em vários países
através de escritórios regionais. O europeu fica situado em Bruxelas, na
Bélgica, enquanto nos EUA estão presentes através de um ponto no estado da
Carolina do Norte. Conta também com várias unidades de produção locais, bem
como uma estação de tratamento própria.
O Keya Group possui também várias certificações
internacionais, como Öko-Tex, e é membro Gold da Câmara de Comércio e Indústria
Bangladesh-Alemanha. Trata-se de uma organização que promove o comércio e o
investimento entre empresas do Bangladesh e da Alemanha, também como forma de
se posicionarem no mercado europeu.
Quanto aos chapéus e aos cachecóis que têm sido oferecidos
como brinde durante o caminho até às eleições que vão decidir quem será o
próximo presidente da República, não têm qualquer referência à origem de
produção. Outros dos presentes oferecidos vinham em caixas com referência à
empresa luso-chinesa Best Oriente, sediada em Yiwu.
Ventura tem falado dos imigrantes do sudeste asiático ao
longo da sua campanha. “Se nós pagássemos melhor aos nossos, nós não
precisávamos desta invasão de indianos, do Bangladesh, do Nepal e de todos os
outros países”, disse na manhã de terça-feira, 13 de janeiro, citado pelo
jornal “SOL”.
Em dezembro, o deputado respondeu em tribunal por causa dos
seus cartazes sobre minorias, entre elas aqueles nos quais se pode ler que “os
ciganos têm de cumprir a lei”. A justiça obrigou o partido a retirar todos os
pósteres com mensagens que visassem a comunidade cigana.
Fonte: NiT, 14 de janeiro
de 2026

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