Acordo com Mercosul. Costa associa críticas na Europa a "perceção totalmente errada"
Perry Mason
(1957-1966) – Hugh O'Brian
António Costa considera que este é um acordo histórico entre
a União Europeia e o Mercosul e contrariou as
críticas de que este favorece a Europa. Para o presidente do
Conselho Europeu, trata-se de um acordo comercial, mas também de investimento.
O presidente do Conselho Europeu afirmou que as críticas
provenientes de alguns setores agrícolas na Europa assentam em perceções
erradas do acordo comercial com o Mercosul, que é assinado este sábado.
"Eu acho que esse debate na Europa assenta muito uma
perceção totalmente errada daquilo que está previsto no acordo", defendeu
na sexta-feira António Costa, em declarações à imprensa na cidade brasileira do
Rio de Janeiro.
O presidente do Conselho Europeu frisou ainda que "todos os estudos indicam,
e a Comissão tem no site da Comissão, país por país, qual é o impacto na
economia de cada um dos países europeus deste acordo". Jornal da Tarde
| 17 de janeiro de 2026
"E mesmo no setor agrícola, há, digamos, três ou quatro
setores onde a concorrência será a mais forte para os países da América Latina
e do Mercosul. É a carne de boi, é o açúcar, a galinha e alguns produtos lácteos", recordou,
afirmando, contudo, que mesmo nestas áreas "as cotas que estão
estabelecidas são cotas muito baixas", variando entre 1,4% e 1,6% da
produção europeia.
"Portanto, essa concorrência, sim, vai ser
concorrência, mas isso faz parte da vida económica. Não
há vida económica sem concorrência. Mas é uma concorrência que está muito
limitada", defendeu.
O ex-primeiro-ministro recordou ainda que a Europa conseguiu
no acordo "o reconhecimento de centenas de dominações de origem de
queijos, de vinhos, de azeite, que são produtos de grande valor em muitos
países, por exemplo, em França", um dos países que se opôs ao acordo.
"Portanto, essa ideia de que os agricultores em geral
estão contra não é correta", afirmou, acrescentando que, num acordo
comercial deste tamanho, "é evidente que, nuns
casos, é melhor para uns, noutros casos, é melhor para outros".
"Vai ser um dia histórico porque vamos finalmente
assinar um acordo que é o maior acordo comercial do mundo e que começou a ser
negociado há 25 anos", disse, utilizando uma tónica semelhante à
presidente da Comissão Europeia.
Ao contrário do que acontece, por exemplo na China, a
política do acordo do Mercosul "não é chegar e extrair os minérios, para
que depois o valor acrescentado seja gerado noutro local".
"As parcerias que temos vindo a desenvolver é no
sentido de atrair investimento e tecnologia europeia para fazer valorização
desses minérios no local (...), portanto, acrescentar valor à economia local e
também depois poder utilizar nas nossas produções industriais", explicou
António Costa.
Num encontro no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, que
não contou com a presença de António Costa, devido ao cancelamento de um voo, a
líder europeia sublinhou que o acordo representa "a força da amizade e da
compreensão entre povos e regiões separados por oceanos" e que é desta forma que se cria "prosperidade real, uma
prosperidade partilhada".
Fonte: RTP, 17 de janeiro de 2026

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