China adverte que tomará medidas se Austrália recuperar porto estratégico
Perry Mason
(1957-1966) – Tol Avery
A China advertiu hoje que tomará medidas para defender os
interesses das suas empresas caso a Austrália avance com a reversão forçada do
controlo do porto de Darwin, no norte do país.
O alerta foi feito pelo embaixador chinês em Camberra, Xiao
Qian, que afirmou que, se a empresa chinesa
Landbridge for obrigada a abandonar o contrato de concessão, Pequim agirá para
proteger os seus interesses comerciais.
"Temos a obrigação de tomar medidas para proteger os
interesses da empresa chinesa. Essa é a nossa posição", disse o diplomata,
citado pela imprensa local.
"Veremos quando será o momento de dizer algo ou de
agir, de forma a refletir a posição do governo chinês e salvaguardar os
interesses legítimos das nossas empresas", acrescentou.
O grupo Landbridge, com
ligações ao Partido Comunista Chinês, obteve em 2015 um contrato de concessão
por 99 anos do porto de Darwin, decisão que foi duramente criticada
e que levou à revisão das regras de controlo de investimentos estrangeiros em
infraestruturas estratégicas.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou
no ano passado que o porto deveria estar "nas mãos dos australianos",
prometendo recuperar o controlo por razões económicas e de segurança nacional.
Questionado esta quarta-feira durante uma visita a
Timor-Leste, Albanese reiterou a posição do seu governo, considerando "do
interesse nacional" que o porto volte a estar sob controlo australiano.
O embaixador chinês advertiu que uma decisão nesse sentido
poderá afetar o investimento, a cooperação e o comércio de empresas chinesas
com a região de Darwin.
"Também não é do interesse da Austrália", frisou.
O porto de Darwin é o mais próximo dos vizinhos asiáticos da
Austrália e é utilizado como base para forças
norte-americanas destacadas no país em regime rotativo.
Na altura da concessão, em 2015, o então presidente dos
Estados Unidos, Barack
Obama, manifestou desagrado por Washington não ter sido informado
previamente sobre o negócio com a Landbridge.
Fonte: RTP, 29 de janeiro
de 2026

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