Cientista perde dois anos de investigação com um clique no ChatGPT
Perry Mason
(1957-1966) – Raymond Burr, George Macready, Elaine Devry
Um
cientista perdeu dois anos de produção intelectual devido
a uma incompreensão sobre as
políticas de retenção de dados no ChatGPT da OpenAI. A situação serve de alerta
crítico sobre a excessiva confiança depositada em ferramentas de inteligência
artificial (IA) para o armazenamento de trabalho sensível
Um erro fatal na gestão de dados no ChatGPT
O ChatGPT consolidou-se como um recurso valioso para tarefas
quotidianas, como o aperfeiçoamento de mensagens formais ou a criação de
rascunhos para textos menos críticos. No entanto, tal como os seus
concorrentes, a ferramenta padece de limitações
graves, desde as conhecidas “alucinações” até um tom excessivamente
condescendente que pode induzir os utilizadores em erro.
Para Marcel Bucher, professor de Biologia Vegetal na
Universidade de Colónia, estas limitações tornaram-se uma realidade
catastrófica. Num artigo publicado na revista Nature, o académico
confessou ter perdido dois anos de “trabalho académico meticulosamente
estruturado” – o que incluía candidaturas a financiamentos, revisões de
publicações, palestras e exames – após uma simples alteração nas definições de
privacidade.
O incidente ocorreu quando Bucher decidiu desativar a opção de “consentimento de
dados” na sua conta. O seu objetivo era
puramente experimental: desejava verificar se continuaria a ter acesso a todas
as funcionalidades do modelo sem ter de fornecer os seus dados à OpenAI.
Contudo, ao fazê-lo, o histórico de conversas desapareceu instantaneamente e
sem deixar rasto.
Segundo o relato do professor, não surgiu qualquer aviso
prévio nem foi disponibilizada uma opção para anular a ação. O ecrã limitou-se
a mostrar uma página em branco, assinalando o fim de milhares de horas de
dedicação armazenadas na plataforma.
Reações divididas na comunidade académica
A revelação deste caso gerou uma onda de reações nas redes
sociais, oscilando entre a compaixão e o
escárnio.
• Muitos utilizadores questionaram como foi
possível um académico de renome trabalhar durante dois anos sem efetuar cópias
de segurança locais.
• Outros, de forma mais severa, chegaram a pedir
o seu despedimento, criticando a sua dependência extrema o ChatGPT para o
desempenho de funções académicas fundamentais.
Apesar das críticas, houve quem saísse em sua defesa. Roland Gromes, coordenador de ensino na Universidade de Heidelberg, elogiou a coragem de Bucher ao partilhar um erro tão vulnerável, sublinhando que, embora muitos académicos acreditem estar imunes a estas armadilhas, qualquer pessoa pode ser ingénua perante a aparente estabilidade destas tecnologias.
O risco da poluição científica por IA
O caso de Bucher surge num momento em que a utilização de IA
generativa no meio científico é alvo de intensa polémica. Relatórios recentes indicam que as revistas científicas
estão a ser inundadas por conteúdos de baixa qualidade gerados por IA, dificultando o processo de
revisão por pares.
Estão inclusive a surgir publicações fraudulentas que
utilizam modelos de linguagem para validar outros textos igualmente gerados por
máquinas, poluindo a literatura académica.
Embora não existam provas de que Bucher estivesse a tentar
publicar material artificial ou enganador, a sua experiência serve como um
aviso severo. O docente acusou a OpenAI de comercializar subscrições do ChatGPT
Plus sem garantir medidas básicas de proteção que impeçam a volatilidade de
anos de trabalho.
Fonte: Pplware, 28 de janeiro de 2026




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