Comissão Europeia vai atuar se Musk não agir face a Grok, avisa Von der Leyen
Imagem dos líderes europeus a aguardar num corredor da Casa
Branca durante a reunião entre Trump e Zelensky, em agosto de 2025, gerada por
inteligência artificial
A
presidente da Comissão Europeia avisou este domingo o empresário
norte-americano Elon Musk, dono da rede social X e da funcionalidade de
inteligência artificial Grok, que "se não agir, a União Europeia irá
fazê-lo"
Afirmando estar "chocada
com o facto de uma plataforma tecnológica estar a permitir que utilizadores
dispam digitalmente mulheres e crianças online", a presidente
da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou que este comportamento é
impensável" e que "os danos causados por estes deepfakes [conteúdos
de multimédia produzidos por manipulação informática] são muito reais".
Em declarações a um pequeno grupo de jornalistas europeus em
Bruxelas, incluindo a Lusa, a responsável avisou: "Se não agirem, agiremos
nós". Em causa está nova polémica relacionada com o chatbot de
inteligência artificial Grok. Von der Leyen adiantou também que a UE "não irá externalizar a proteção das crianças e
o consentimento" para Silicon Valley (EUA), onde estão sediadas
as gigantes tecnológicas norte-americanas.
Na passada quinta-feira, a Comissão Europeia anunciou que ia
investigar casos de imagens sexuais de menores geradas pelo Grok, o chatbot
integrado na rede social X, na sequência da introdução de uma funcionalidade
que permite conteúdos manipulados (deepfake).
Em agosto de 2024, a UE
tornou-se na primeira jurisdição do mundo com regras para plataformas digitais,
que passam a estar obrigadas a remover conteúdos ilegais e nocivos, no âmbito
da nova Lei dos Serviços Digitais. Para tal, a Comissão Europeia definiu
plataformas online de muito grande dimensão, com 45 milhões de utilizadores
ativos mensais, que têm de cumprir certas regras. A lei foi criada para
proteger os direitos fundamentais dos utilizadores online na UE e tornou-se
numa legislação inédita para o espaço digital que responsabiliza as plataformas
por conteúdos prejudiciais, nomeadamente desinformação.
As tecnológicas que não cumprem estas duas novas leis podem
ter coimas proporcionais à sua dimensão. Estas regras apertadas para as
tecnológicas têm gerado bastante tensão entre Bruxelas e Washington, dado o
apoio da administração norte-americana às suas grandes plataformas. Apesar das
ameaças dos Estados Unidos, a Comissão Europeia já avançou com multas.
Fonte: Expresso, 11 de janeiro
de 2026

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