Dentro de três anos, as pessoas mais intolerantes da Terra poderão controlar a internet
O meu
alerta ao mundo sobre o Complexo Industrial da Censura
Amigos, no mês passado, alertei os legisladores europeus
para um esforço conjunto de europeus e americanos para nos censurar a todos.
Este artigo é uma versão editada e resumida desse discurso.
A 15 de março de 2021, um utilizador anónimo do Twitter colocou uma questão ao professor de Medicina de Harvard, Martin Kulldorff: “Acha que os grupos etários mais jovens e/ou as pessoas que já tiveram o vírus precisam de ser vacinados?”
Quem é Martin Kulldorff? É professor na Faculdade de Medicina de Harvard há 21 anos, um bioestatístico sueco de renome que desenvolveu um software amplamente utilizado para o mapeamento de doenças, coautor da Declaração de Great Barrington sobre como lidar com a pandemia de COVID-19 e consultor das principais organizações de saúde do mundo.
A sua resposta foi: “Achar que todos precisam de ser
vacinados é tão cientificamente falho como pensar que ninguém deve apanhar
COVID-19. As vacinas são importantes para os idosos de alto risco e para os
seus cuidadores. Aqueles com infeção natural prévia não precisam dela, assim
como as crianças”.
Imunidade natural. É um mito — uma “teoria da conspiração” —
que, uma vez que tenha sido infetado por um vírus, não voltará a ficar doente,
ou não voltará a ficar doente?
Na verdade, sabemos há 2500 anos que a imunidade natural é
real. "O mesmo homem nunca foi atacado duas vezes, pelo menos não
fatalmente", escreveu Tucídides, descrevendo a Peste
de Atenas. Observou que os indivíduos recuperados podiam cuidar dos
doentes em segurança, sem adoecerem.
E, no entanto, o Twitter censurou o tweet de Martin
Kulldorff. "Saiba por que razão as autoridades de saúde recomendam a
vacina", lia-se num aviso colocado pelos funcionários do Twitter. Para a
maioria das pessoas, o tweet não pode ser respondido, partilhado ou gostado.
Por outras palavras, o Twitter decidiu que este professor da Faculdade de
Medicina de Harvard estava errado e que a imunidade natural não era realmente
algo que pudesse proteger contra a COVID-19.
Jay Bhattacharya, que é atualmente o nosso diretor dos
Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e, por isso, uma das mais altas figuras da
saúde pública a nível mundial, foi anteriormente epidemiologista em Stanford. O
Twitter colocou-o numa “lista negra de tendências” (Trends Blacklist).
Pouco antes de termos descoberto isto, disseram-nos que o shadow banning
era uma teoria da conspiração, porque o Twitter afirmava que não praticava esse
tipo de censura. 1
Agora, a Comissão Europeia está a tentar censurar toda a internet global. Querem aplicar uma multa de 140 milhões de euros a X. Querem acabar com o anonimato, que foi o que permitiu que a pergunta de Kulldorff fosse feita. Querem usar um programa chamado "Escudo da Democracia" para proteger a Comissão da democracia. E a Comissão quer impor o "controlo de chat" para poder ler as suas mensagens privadas. A situação só piora. Alegações infundadas e provavelmente falsas de interferência do governo russo nas eleições através do TikTok e das redes sociais foram feitas na Roménia e na República Checa.
A verdade não é algo que
alguém possua, mas antes algo que emerge através do diálogo. Sabemos
isso desde Platão e Sócrates. Precisamos da liberdade de expressão para a
ciência, a saúde pública e a segurança nacional. Ela é essencial para o
jornalismo, a democracia e a liberdade humana. A liberdade de expressão
possibilitou a civilização; a censura a ameaça. Esta é a única causa política
pela qual eu morreria.
E, no entanto, existe atualmente
uma coordenação ativa entre Stanford, o Brasil, a Austrália e outros para impor
aquilo a que creio que podemos chamar, sem exagero, totalitarismo global. Estão
a pressionar por uma identificação digital que acabará com o anonimato online.
Por quê? Por que razão essas pessoas estão a comportar-se
dessa maneira?
Quando Elon Musk assumiu o controlo do Twitter, a 28 de
outubro de 2022, uma investigação revelou informações sem precedentes sobre
múltiplos esforços secretos de censura em massa por parte do governo. Tínhamos
acesso irrestrito aos arquivos do Twitter. Revelaram que os repórteres dos
grandes meios de comunicação, que não merecem esse nome, estavam a exigir
censura. Nenhum jornalista a sério exige a censura aos seus colegas
jornalistas.
O que emergiu disto foi a compreensão de algo a que chamamos "Complexo Industrial da Censura", que surgiu diretamente do complexo industrial militar e era gerido por funcionários ou ex-funcionários da comunidade de inteligência que operam frequentemente sob esta bandeira.
Isto levou a múltiplas investigações e audiências no
Congresso e espalhou-se por todas as plataformas de redes sociais. Assim,
sabemos agora da censura que ocorreu, não só no Twitter, mas também no YouTube,
no Facebook, no TikTok e noutras plataformas.
O que é
o Complexo Industrial da Censura? O modelo não é assim tão complicado de
entender. O governo escolhe pessoas a que chama "investigadores" para
atuarem como censores. São indivíduos financiados pelo governo, que geralmente
vêm da comunidade de inteligência e do establishment da política externa.
Trabalham em organizações não governamentais financiadas pelos governos ou em
universidades financiadas pelos governos. Realizam "verificações de
factos" para servirem como "denunciantes fidedignos". Estes
"denunciantes fiáveis" exigem censura por parte das plataformas de
redes sociais. Tudo é feito em segredo.
Procuram censurar narrativas. Isto é essencial porque, como décadas de
ciência cognitiva de qualidade demonstraram, as pessoas compreendem e retêm
informação através de narrativas. Pensamos em termos de histórias,
não de tópicos. E foi por isso que quiseram censurar narrativas inteiras. No projeto
de censura de Stanford sobre a COVID, o "Projecto Viralidade",
disseram que queriam censurar "histórias reais" sobre os efeitos
secundários da vacina.
Porquê? Porque isso poderia "alimentar a
hesitação". Por outras palavras, querem controlar o seu comportamento. Não
querem que receba informações verdadeiras que o possam levar a não se vacinar.
Se isto não é totalitarismo saído diretamente de 1984, não
sei o que é. Estas pessoas estavam prestes a aprovar legislação nos Estados
Unidos que teria autorizado a Fundação Nacional de Ciência a escolher estes
"investigadores" censores.
Estou a apresentar diapositivos aos europeus e ao mundo para
que tenham consciência do que os políticos e os burocratas totalitários
planearam, porque isto ainda está em pleno andamento.
Stanford ajudou o governo dos
EUA a censurar os dissidentes da COVID e depois mentiu sobre isso.
Talvez esteja a perceber um padrão. Não estão realmente interessados em
censurar a "desinformação". Estão muito interessados em censurar
informações verdadeiras.
Os censores sinalizaram um estudo israelita preliminar
publicado em dezembro de 2020 que descobriu, vejam só, que a imunidade natural
é real. Na verdade, ela é mais protetora do que a vacina.
Mas os censores sinalizaram o Google Drive de alguém.
"Veja os seguintes links do Google Drive a serem utilizados para compilar
testemunhos sobre a disseminação viral da vacina, vídeos da COVID, mostrando
efeitos secundários e outras coisas." A Google removeu este conteúdo do
Google Drive da pessoa em questão. Não controla o seu Google Drive.
Ao contrário do que Stanford afirma, de que o projeto não
solicitou a remoção de conteúdos das plataformas de redes sociais, admitiram,
em conversas privadas, que o fizeram. E sabemos que centenas de milhares de
tweets e posts do Facebook foram removidos, mesmo sendo 100% precisos. Aliás,
em 2021, o "Projecto Viralidade" de Stanford sinalizou afirmações corretas
de que a Organização Mundial de Saúde não recomendava a vacinação de crianças.
As pessoas que espalham a desinformação são as mesmas que
exigem a censura. Afirmavam que a Covid não poderia ter surgido num
laboratório, que a vacina contra a Covid prevenia a infeção e que a imunidade
natural não existia.
A única solução para o discurso de ódio e a desinformação é
a liberdade de expressão. Se censurar informação falsa, como é que alguém teria
acesso a informação verdadeira? O objetivo é precisamente o debate.
Mentiram quando disseram que as informações falsas se
espalham mais rapidamente do que as informações verdadeiras. É um estudo
completamente fraudulento e envolveu apenas seis segundos de conteúdo no
Twitter.
Quem são estas pessoas? Em 2020, havia tantos antigos funcionários do FBI no Twitter que lhes chamavam “ex-alunos do FBI” (Bu alumni). Criaram o seu próprio canal privado no Slack e até um guia interno para integrar os novos elementos vindos do FBI.
Curiosamente, descobrimos que o conselheiro geral do FBI —
possivelmente a segunda pessoa mais poderosa do FBI, ou talvez a primeira, se
pensarmos bem, considerando que o seu verdadeiro trabalho é decidir o que o FBI
pode e não pode fazer — renunciou ao cargo no início de 2020 e foi para o
Twitter assumir o cargo de conselheiro geral adjunto.
Interessante, não é? Alguém numa das posições jurídicas mais
poderosas do mundo aceitaria um cargo jurídico júnior numa empresa de redes
sociais. Porquê? Este e-mail apareceu quando estávamos a analisar os arquivos
do Twitter e realmente chamou a nossa atenção.
É do diretor de políticas do Twitter. “Temos observado um
esforço contínuo, ainda que descoordenado” — supostamente — “por parte da
comunidade de inteligência para nos pressionar a partilhar mais informações e a
alterar as nossas políticas de API. Estão a sondar e a pressionar em todos os
lugares que podem”.
A censura do portátil de Hunter Biden ocorreu mais tarde
nesse ano. O FBI e a comunidade de inteligência desacreditaram informações
precisas e factuais sobre os negócios estrangeiros de Hunter Biden, tanto antes
como depois de o New York Post ter revelado o conteúdo do seu portátil a
14 de outubro de 2020.
Como é que o FBI pôde espalhar informações falsas sobre algo
que ninguém sabia?
Porque o FBI tinha o portátil de Hunter Biden, que mostrava
o enorme esquema de tráfico de influências da sua família. Consistia em aceitar
dezenas de milhões de dólares, incluindo do governo chinês. O FBI tinha aquele
portátil desde dezembro de 2019. Receberam-no do dono da loja de reparação de
computadores, que por sua vez o recebeu de Hunter Biden, provavelmente porque o
deixou cair na banheira ou na piscina, durante um dos seus muitos surtos de
crack e álcool.
A estratégia do governo é sempre a mesma: primeiro
espalhar a desinformação e depois exigir a censura de informações precisas com
base nela.
“O FBI contactou-nos no verão de 2020”, disse Mark
Zuckerberg a Joe Rogan dois anos depois, “e disseram: ‘Ei, devem estar alerta.
Achamos que houve muita propaganda russa em 2016. Está prestes a haver algum
tipo de fuga de informação’”.
No verão de 2020, o New York Post ainda não tinha
publicado o artigo sobre o portátil de Hunter Biden. Só seria publicada em
outubro.
Vemos algo muito interessante a surgir nos arquivos do
Twitter (Twitter Files): o Aspen
Institute, um intermediário entre a comunidade de inteligência e o
público. É conhecido nos Estados Unidos como uma espécie de Davos doméstico, um
fórum de conversas entre elites. É também um dos locais onde são conduzidas
operações da comunidade de inteligência.
O instituto organizou um workshop para treinar jornalistas e
os principais responsáveis pela censura nas redes sociais — os chamados
“responsáveis de confiança e segurança” (trust and safety officials) —
sobre a forma de lidar com uma história que viriam a ouvir no futuro,
relacionada com Hunter Biden e a Burisma.
Alguns meses antes, o Centro de Políticas Cibernéticas de
Stanford (Stanford Cyber Policy Center) tinha publicado um relatório
atacando aquilo a que nós, nos Estados Unidos, chamamos o Princípio dos Papéis do Pentágono (The Pentagon Papers Principle). Este
princípio estabelece que, se um funcionário do governo entregar a um jornalista
um conjunto de documentos do Pentágono que demonstrem que os Estados Unidos
estão a perder a guerra no Vietname, o jornalista pode publicá-los sem correr o
risco de prisão. Esse entendimento foi fixado num célebre acórdão do Supremo
Tribunal em 1971.
Stanford argumentou que, na realidade, esse princípio
deveria ser eliminado — apesar de poder ser o mais importante princípio do
jornalismo de investigação nos Estados Unidos — e afirmou: “Devem cobrir a
pessoa que fez a fuga de informação, não os emails divulgados.”
Ou seja, o que se deveria investigar e expor seria o
denunciante. A pessoa que revelou os Pentagon Papers passaria a ser o
verdadeiro vilão, e não o Departamento da Defesa, a CIA e os presidentes que
mentiram ao público durante mais de uma década.
Stanford estava a formar jornalistas e responsáveis
pela segurança e confiança nas redes sociais sobre como cobrir uma história
que ainda não tinha sido divulgada. Isto é conhecido como
"pré-desmentido" e também faz parte da estratégia da União Europeia
para se proteger da democracia.
Quando a história de Hunter Biden surgiu a 22 de outubro, o
responsável pela censura e confiança do Twitter disse que não violava os termos
de serviço. Não havia nada de ilegal nisso. O Supremo Tribunal deixou bem claro
que é permitido noticiar informações que lhe tenham vazado.
Nesse momento, o ex-conselheiro geral do FBI, Jim Baker,
argumentou veementemente que o Twitter precisava mesmo de censurar a história.
Baker ganhou e censuraram a história.
Não é que não tenhamos ouvido falar da história do portátil
de Hunter Biden quando veio a público. Eu certamente ouvi. Mas tínhamos a
impressão de que havia algo de errado com ela, que não era a história completa.
E muitos de nós descartamo-la.
O que fizeram foi uma operação psicológica em torno desta
grande história. Mudaram a nossa perceção da história. E funcionou. Funcionou
comigo, funcionou com todos os que eu conhecia.
Qual é o papel da comunidade de inteligência nas empresas de
redes sociais? Ex-agentes da CIA chefiam a área de eleições na Meta e a área de
confiança e segurança da Google. Os antigos agentes e agentes atuais da CIA têm
um historial de disseminação de desinformação e promoção da teoria da
conspiração Russiagate.
Sabemos agora que, entre 2018 e 2023, 36 pessoas da CIA, 68
do FBI, 44 da Agência de Segurança Nacional e 68 do Departamento de Segurança
Interna passaram a trabalhar em plataformas de redes sociais.
Isto não é exclusivo dos Estados Unidos. A minha colega
Cecilia Jilková, filha de famosos dissidentes checos, descobriu que
responsáveis da União Europeia afirmaram, dias antes das eleições europeias
de 2024, que um “site pró-Kremlin” estava a divulgar propaganda e a subornar
políticos europeus.
Esta foi a manchete do Politico. Escrevemos-lhes e
perguntámos: “Onde estão as provas disto? Partilhem as provas que sustentam a
acusação dias antes das eleições para o Parlamento Europeu”. Ninguém foi
detido. Nunca apresentaram as provas. O antigo presidente checo, Václav Klaus,
que foi acusado disto, disse: “Nem sequer sabemos o que é a ‘Voz da Europa’”.
Outro político checo disse: “Como é que eu poderia saber que
seria uma ameaça à segurança? Na altura em que dei a entrevista, não estavam em
nenhuma lista”.
Outro disse: “Se representam uma ameaça tão grande, porque é
que o Parlamento Europeu permitiu a entrada dos jornalistas da Voz da Europa?”
Ninguém respondeu. Ninguém falou connosco. Esta foi uma campanha de desinformação promovida pelo Politico, que, na minha
opinião, é uma publicação suspeita.
Na primavera de 2022, Barack Obama foi a Stanford proferir
um discurso no Centro de Políticas Cibernéticas de Stanford, dirigido por
Michael McFaul, seu antigo embaixador na Rússia. Obama disse que a
desinformação prejudica a democracia e pediu apoio ao Congresso para uma
legislação que capacitaria os investigadores nomeados pelo governo para atuarem
como "indicadores fiáveis".
Seis dias depois, o Departamento de Segurança Interna lançou
o seu Conselho de Governação da Desinformação. Que coincidência terem
conseguido que Obama lhes definisse o tema.
Em 2021, o Facebook censurou
informação verdadeira sobre vacinas para que a Casa Branca o ajudasse a obter
dados provenientes da Europa. Para além de remover
“desinformação” sobre vacinas, escreveu o Facebook à Casa Branca, temos vindo a
concentrar-nos em reduzir a viralidade de conteúdos que desencorajam a
vacinação, mas que não contêm informações falsas que possam gerar processos
judiciais.
A Casa Branca disse “salta” — e o Facebook perguntou “quão
alto?”.
Porque o fizeram? Porque é que censurariam voluntariamente?
Isto também emergiu dos Facebook Files. À esquerda,
Nick Clegg escreveu um email aos seus colegas. Dizia o seguinte: “A minha perceção
é que, tendo em conta que temos peixes maiores para fritar com a administração
— por exemplo, os fluxos de dados — este não parece ser um terreno favorável
para nós.”
“Fluxos de dados”. De que está ele a falar? Está a falar de
negócios no valor de milhares de milhões de dólares que o Facebook teria de
pagar à Comissão Europeia se não tivesse o apoio da administração Biden para
pressionar a Comissão Europeia.
Por outras palavras, tratou-se de uma extorsão da Casa
Branca ao Facebook — e funcionou em França, o país da Liberté. Ao que
parece, a França tem aqui um papel especial…
Michael Shellenberger
1. O shadow banning, ou banimento invisível, é uma prática de moderação utilizada por plataformas digitais que consiste em reduzir drasticamente a visibilidade de um utilizador sem o informar de que tal está a acontecer. Ao contrário de uma suspensão ou expulsão explícita, o utilizador continua ativo e autorizado a publicar, mas o impacto das suas intervenções é silenciosamente neutralizado.
Na prática, quem é alvo de shadow banning consegue publicar conteúdos normalmente e vê os próprios posts como se estivessem a circular de forma regular. Não recebe qualquer notificação, aviso ou sanção formal. No entanto, esses conteúdos deixam de aparecer nos feeds de outros utilizadores, não surgem nos resultados de pesquisa nem nas secções de tendências, e passam a gerar um número ínfimo de interações. Em muitos casos, são ocultados por defeito ou mostrados apenas a um público residual.
Esta técnica serve vários propósitos. Permite às plataformas reduzir a difusão de conteúdos considerados problemáticos ou indesejáveis sem assumir publicamente um acto de censura. Evita conflitos diretos com os utilizadores afetados e contorna acusações de violação da liberdade de expressão, funcionando como uma forma de controlo do discurso que não deixa rasto visível. Por essa razão, é frequentemente descrita como uma censura suave, discreta e difícil de provar.
Durante anos, empresas como o Twitter negaram oficialmente a existência do shadow banning, classificando a própria ideia como uma teoria da conspiração. No entanto, investigações jornalísticas, documentos internos e revelações posteriores demonstraram a existência de mecanismos concretos de limitação de alcance, como listas negras de tendências (Trends Blacklist), filtros algorítmicos de visibilidade e penalizações associadas a determinados temas ou perfis.
Em síntese, o shadow banning não silencia de forma aberta, mas abafa; não proíbe, mas oculta. É precisamente essa invisibilidade que o torna politicamente sensível, levantando questões centrais sobre transparência, poder algorítmico e controlo do espaço público digital.






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