Dias de Delcy Rodríguez estão contados, diz Corina Machado

Perry Mason (1957-1966) – Elaine Devry

“Os dias de Delcy Rodriguez estão contados”, afirma María Corina Machado, a venezuelana laureada com o Nobel da Paz, salientando que a presidente interina apenas se mantém no poder porque os EUA consideraram que, nesta fase, isso seria “conveniente” para tornar o processo de derrube do regime “mais ordenado e controlado”. Mas Corina Machado não tem dúvidas: as “verdadeiras lealdades” de Delcy Rodriguez são em relação a regimes como a China, a Rússia e o Irão.

Numa entrevista ao jornal espanhol ABC, a opositora ao regime de Nicolás Maduro afirma que “a única coisa que sustenta o regime de Delcy Rodríguez é a repressão” que se mantém sobre a população. Porém, o cenário está a mudar: “estudantes, familiares de presos políticos e vários líderes políticos que estavam na clandestinidade e agora foram para as ruas”.

“A principal estrada de Caracas foi bloqueada na sexta-feira por estudantes que exigiam a libertação de presos, assim como houve protestos em Zulia e Mérida. É realmente algo extraordinário, que demonstra que a sociedade venezuelana não vai parar até conquistarmos a liberdade”, afirma María Corina Machado, notando que “ainda há mais de 750 presos políticos” no país.

Para a Nobel da Paz, o regime está “em desmantelamento”, com os EUA a escrutinarem de perto a forma como Delcy Rodríguez cumpre (ou não cumpre) as instruções que recebeu. Mas o regime “não engana ninguém”, afirma María Corina Machado, sustentando que todos os venezuelanos sabem muito bem quais são as “verdadeiras lealdades” da presidente interina.

“Basta observar o que fez depois de 3 de janeiro, quando a sra. Rodríguez compareceu perante a Assembleia Nacional. Quem estava na primeira fila? Quem ela abraçou ao descer do pódio? O embaixador iraniano, o embaixador russo e o embaixador chinês. Acho que isso deixa cristalino quais são suas verdadeiras lealdades. Ela é uma comunista com fortes laços com esses regimes, que está sendo forçada a realizar uma série de ações que seriam a última coisa que ela desejaria fazer. E isso obviamente não engana ninguém, muito menos os venezuelanos”, afirma.

Corina Machado, nesta entrevista a um meio de comunicação espanhol, critica, também, o governo espanhol, que “se manteve sempre numa segunda ou terceira linha” no combate ao regime opressor de Maduro – ou, pior, “até pareceu complacente com certos atores”.

Em contraste, Corina Machado elogia e agradece a Donald Trump e aos norte-americanos, por terem sido o “único governo e o único país no mundo que arriscou cidadãos pela libertação da Venezuela, algo que os venezuelanos sempre se lembrarão”.

Depois de se ter encontrado pessoalmente com Trump, até oferecendo o prémio Nobel, Corina Machado diz que ficou “muito impressionada com a preocupação do Presidente Trump com a situação na Venezuela, com o povo, com o que eles sentem, com o que nosso povo está vivendo, como reagiram a esses eventos, como interpretam o que está acontecendo agora. Foi uma preocupação genuína”. “Por isso, quando saí, disse: Temos um grande aliado no presidente Trump, não tenho dúvidas disso”, remata.

Fonte: Observador, 25 de janeiro de 2026

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