Diretor interino de cibersegurança dos EUA dispara alerta… sobre cibersegurança
Perry Mason
(1957-1966) – Diane Mountford
O
diretor interino da Agência de Cibersegurança e Segurança das Infraestruturas
(em inglês, CISA) dos Estados Unidos da América (EUA) desencadeou um alerta
interno de cibersegurança, após fazer upload de ficheiros sensíveis numa
versão pública do ChatGPT
No verão passado, o diretor interino da CISA fez upload de documentos sensíveis de contratação numa versão pública do ChatGPT.
Segundo quatro responsáveis do Departamento de Segurança
Interna (em inglês, DHS) com conhecimento do incidente, este desencadeou vários
avisos automáticos de segurança destinados a impedir o roubo ou a divulgação
não intencional de material governamental a partir de redes federais.
O erro de Madhu Gottumukkala foi particularmente relevante, porque este tinha
solicitado autorização especial ao Gabinete do Diretor de Sistemas de
Informação da CISA para utilizar a popular ferramenta de Inteligência
Artificial (IA) pouco depois de chegar à agência, em maio, de acordo com três
dos responsáveis.
Na altura, a plataforma estava bloqueada para outros
funcionários do DHS dos EUA.
Documentos dados ao ChatGPT destinavam-se a "uso
oficial"
Nenhum dos ficheiros que Gottumukkala introduziu no ChatGPT
era confidencial, segundo os quatro responsáveis. No entanto, o material
incluía documentos de contratação da CISA classificados como "apenas para
uso oficial", uma designação governamental para informação considerada
sensível e que não deve ser divulgada publicamente.
Sensores de cibersegurança da CISA assinalaram os uploads,
em agosto passado. Um dos responsáveis citados pela imprensa internacional
especificou que houve vários alertas só na primeira semana de agosto.
Posteriormente, altos responsáveis do DHS conduziram uma
revisão interna para avaliar se tinha havido algum impacto na segurança
governamental devido às exposições, segundo dois dos quatro responsáveis, não sendo claras as conclusões.
Entretanto, num comunicado enviado por e-mail ao POLITICO, a
diretora de Assuntos Públicos da CISA, Marci McCarthy, afirmou que Gottumukkala
"teve autorização para usar o ChatGPT com controlos do DHS em vigor"
e que "esta utilização foi de curta duração e limitada".
Além disso, McCarthy acrescentou que a agência estava empenhada em "aproveitar a IA e
outras tecnologias de ponta para impulsionar a modernização do governo e
cumprir" a ordem executiva de Donald Trump que remove barreiras à
liderança dos EUA em IA.
Qual o problema deste erro de cibersegurança?
Atualmente, Gottumukkala ocupa o cargo de mais alto
responsável político da CISA, uma agência que visa proteger as redes federais
contra hackers sofisticados apoiados por Estados adversários, incluindo a
Rússia e a China.
Qualquer material carregado na versão pública do ChatGPT que
Gottumukkala estava a utilizar é partilhado com a OpenAI, proprietária do
chatbot. Ou seja, pode ser usado para ajudar a responder a pedidos de outros
mais de 700 milhões de utilizadores ativos da aplicação.
Outras ferramentas de IA agora aprovadas para uso por
funcionários do DHS, como o chatbot interno alimentado por IA, o DHSChat, estão
definidas para impedir que perguntas ou documentos introduzidos nelas saiam das
redes federais.
Assim, segundo um dos responsáveis citados, Gottumukkala "forçou a CISA a dar-lhe o ChatGPT e depois abusou dele".
Depois de o DHS ter detetado a atividade, Gottumukkala falou
com altos responsáveis do DHS para rever o que tinha dado ao ChatGPT. O então
consultor jurídico interino do DHS, Joseph Mazzara, esteve envolvido no esforço
para avaliar qualquer dano potencial ao departamento.
Segundo as quatro fontes, depois do incidente, Gottumukkala
teve várias reuniões, incluindo uma, em agosto, com o diretor de sistemas de
informação da CISA, Robert Costello, e com o seu principal conselheiro
jurídico, Spencer Fisher, sobre o lapso e o manuseamento adequado de material
classificado como apenas para uso oficial.



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