Elon Musk partilha fotos de Starmer em biquíni. Foram geradas por IA
Whitstable
Pearl (2021) - Howard Charles, Kerry Godliman, Rohan Nedd
Elon
Musk, dono da Tesla e do X, partilhou imagens geradas por Inteligência
Artificial do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em biquíni. A
publicação segue-se depois de o Reino Unido ter ameaçado banir a ferramenta de
IA do X, o Grok
Elon Musk partilhou imagens do primeiro-ministro britânico,
Keir Starmer… em biquíni.
O magnata, dono do X e da Tesla, respondeu a uma publicação
onde duas dessas imagens foram partilhadas, numa clara crítica à posição do
governo de Downing Street sobre o Grok (a ferramenta de Inteligência Artificial
do X).
A publicação original pretendia argumentar que o Grok fazia
exatamente o mesmo que outras ferramentas de IA, como o Gemini ou o ChatGPT.
"O Gemini da Google e o ChatGPT da OpenAI também geram
imagens de pessoas em biquíni, quando lhes é pedido. Portanto, porque é que o
Keir Starmer está tão focado no Grok e no X?", questionava o internauta,
que, como prova, mostrava capturas de ecrã de ambas as plataformas de IA
mencionadas.
Em resposta, Elon Musk respondeu: "Eles só querem suprimir a liberdade de expressão".
Grok permite criar imagens de cariz sexual de outros utilizadores
A polémica já vem desde dezembro e envolve outros países,
especialmente europeus. Tem que ver com uma atualização à IA do X, que permite
aos utilizadores editarem qualquer fotografia na rede social com uma simples
descrição de texto. Basta pedirem ao Grok, e a imagem será alterada a seu
gosto.
A atualização permite, por isso, sexualizar imagens de mulheres e até mesmo de menores.
Numa tentativa de impedir que estas situações continuem a
acontecer, o X alterou a permissão para usar esta ferramenta de edição. Neste
momento, a "geração e edição de imagens são limitadas aos assinantes
pagos" e sob a responsabilidade de cada utilizador.
Isto implicará que o nome e as informações de pagamento do
utilizador estejam associados à imagem alterada, seja ela do tipo que for, o
que permitirá responsabilizar legalmente (e mais facilmente) os culpados.
"Qualquer pessoa que utilize o Grok para criar conteúdo
ilegal sofrerá as consequências", avisou Elon Musk no X.
A alteração é, contudo, "insuficiente" para o
governo britânico, que está a considerar banir o Grok do país.
Um porta-voz de Starmer afirmou ontem que a nova medida
"simplesmente transforma uma funcionalidade que permite a criação de
imagens ilegais num serviço premium".
"Não é uma solução", acrescentou. "Aliás, é
um insulto às vítimas de misoginia e violência sexual. A única coisa que prova
é que o X consegue mover-se rapidamente quando quer".
Numa entrevista à Greatest Hits Radio, Starmer
considerou a situação "nojenta". "O X tem de ganhar juízo e
remover este material. Agiremos porque, simplesmente, isto não é
tolerável", afirmou, acrescentando que já pediu ao regulador britânico de
média, Ofcom, para avaliar a situação e que "todas as opções estão em cima
da mesa".
Fonte: Notícias ao Minuto, 10 de janeiro de 2026
Observava o velho Kant, o juízo estético não é uma propriedade do objeto, mas um efeito da relação entre o sujeito e aquilo que percebe. A beleza não reside na coisa em si, mas no modo como é apreendida pelo olhar. O mesmo princípio aplica-se ao domínio do erotismo.
A crescente obsessão contemporânea com a chamada “sexualização das imagens” revela menos sobre as imagens enquanto tais do que sobre a estrutura do desejo do observador. Nenhuma imagem é intrinsecamente sexual; o que existe é um sujeito erotizado que projeta significado libidinal sobre o mundo visível.
Em Freud, a libido não é uma qualidade dos objetos nem uma propriedade inscrita nas coisas do mundo. Trata-se de uma energia psíquica — uma força dinâmica do aparelho mental — que pode ser investida (cathexis) em ideias, imagens, pessoas ou fantasias. Um mesmo objeto pode ser erotizado num contexto e indiferente noutro, precisamente porque o carácter sexual não lhe é inerente. O desejo, em Freud, nasce no sujeito e dirige-se ao objeto, não o contrário. É por isso que Freud insiste que a sexualidade humana é essencialmente psíquica, e não meramente biológica: o que excita não é o estímulo em si, mas a representação que o sujeito constrói desse estímulo.
Lacan retoma esta ideia freudiana e leva-a mais longe ao deslocar o desejo da esfera energética para a estrutura simbólica. Para Lacan, o desejo não é simplesmente uma força que se dirige a um objeto, mas o efeito de uma falta constitutiva introduzida pela linguagem. Ao entrar na ordem simbólica — isto é, ao tornar-se um sujeito falante — o indivíduo perde a possibilidade de uma satisfação plena e imediata. O desejo passa então a organizar-se em torno do que falta, e não do que é dado.
É neste contexto que Lacan distingue o olho do olhar (le regard). O olho é o órgão biológico da visão; o olhar, pelo contrário, é uma instância psíquica e simbólica. O sujeito não é apenas quem vê, mas também aquele que se sente visto, interpelado e descentrado pela imagem. O olhar não é neutro: ele é estruturado pelo desejo e pela falta. O que o sujeito “vê” numa imagem é sempre atravessado por aquilo que procura sem nunca poder possuir plenamente.
A tentativa contemporânea de dessexualizar imagens através da censura, da pedagogia nos infantários ou da higienização amoníaca ignora este dado fundamental: não é possível purificar o mundo visível sem intervir sobre o sujeito que o vê. Como sugeriria Foucault, tais dispositivos de controlo não visam eliminar o desejo, mas administrá-lo, normalizá-lo e redistribuí-lo segundo regimes de poder específicos — em vigor atualmente no Hemisfério Ocidental, os democráticos.
Para uma solução permanente, o ideal de uma visualidade completamente asséptica (legal) só poderia realizar-se mediante a neutralização do próprio desejo — através da castração química do observador. Tudo o resto permanece como ditadura sobre o olhar, mascarada de proteção social.




Comentários
Enviar um comentário