Estados Unidos anunciam a apreensão de dois petroleiros
Whitstable Pearl (2021)
O Reino
Unido prestou apoio "operacional" aos Estados Unidos na apreensão, no
Atlântico Norte, de um petroleiro de bandeira russa que estava a ser perseguido
há vários dias pela guarda costeira norte-americana
Os Estados Unidos anunciaram esta quarta-feira a apreensão
de dois petroleiros. Um foi o petroleiro russo M/V Bella 1, ancorado nas águas
territoriais islandesas, e o segundo foi o M/T Sophia, sem bandeira, no Mar das
Caraíbas.
A informação é avançada pelos comandos europeu e do sul do
exército norte-americano, em comunicados na rede social X.
A ação foi levada a cabo pelo Departamento de Justiça dos
Estados Unidos e de Segurança Interna, “em coordenação com o Departamento da
Guerra”.
“A embarcação foi apreendida no Atlântico Norte em
cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA, após ter
sido rastreada pelo USCGC Munro”, acrescenta o comando europeu do exército dos
Estados Unidos.
De acordo com a Guarda Costeira da Islândia, o navio estava
localizado a “177 milhas náuticas [284,8 quilómetros] ao sul de Kötlutangi, 305
milhas náuticas [490,8 quilómetros] a noroeste da Escócia e 264 milhas náuticas
[424,8 quilómetros] a oeste-sudoeste das Ilhas Faroé”.
O Reino Unido forneceu ajuda logística à captura, através da
utilização de bases militares britânicas e do espaço aéreo, “após um pedido dos
Estados Unidos por assistência”. A informação foi confirmada pelo ministério da
Defesa britânico.
"Hoje, as Forças Armadas
do Reino Unido demonstraram capacidade e profissionalismo ao apoiar a interceção bem-sucedida do navio
Bella 1 pelos EUA, enquanto este se dirigia para a Rússia", lê-se no
comunicado do ministério britânico.
"Esta ação fez parte dos esforços globais para reprimir
a violação das sanções", argumenta, afirmando que este navio, "com um
historial nefasto, integra um eixo russo-iraniano de evasão de sanções que
alimenta o terrorismo, os conflitos e o sofrimento desde o Médio Oriente até à
Ucrânia".
Num outro comunicado, também publicado na rede social X, o Comando Europeu do exército norte-americano justifica a apreensão com a "Proclamação do presidente dos Estados Unidos que visa embarcações sancionadas que ameaçam a segurança e a estabilidade do Hemisfério Ocidental".
Em causa está a violação por parte do petroleiro ao bloqueio
marítimo imposto pelos Estados Unidos à Venezuela. O navio não tinha conseguido
atracar no país e foi perseguido pela Guarda Costeira norte-americana, o que
acabou por fazer com que a Federação Russa enviasse, esta madrugada, um
submarino e outros meios para escoltarem o petroleiro.
Nas últimas horas, o petroleiro havia mudado o curso da
viagem, tendo sido detetado pela última vez ao norte de Shetland, um
arquipélago no norte da Escócia.
Rússia exige "tratamento humano e digno" da tripulação
A Rússia reagiu através do ministério dos Transportes. Em
comunicado, publicado na rede social Telegram, o ministério acusa os Estados
Unidos de violarem a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de
1982, e afirmam que “a liberdade de navegação se aplica em alto-mar”.
Durante a tarde desta quarta-feira, os meios de comunicação
estatais russos divulgaram vídeos de um helicóptero a aproximar-se do
petroleiro.
A agência de notícias TASS citou o ministério russo dos
Negócios Estrangeiros que exige aos EUA que garantam um "tratamento humano
e digno" aos seus cidadãos a bordo do petroleiro e o seu rápido regresso a
casa.
Uma segunda embarcação, a M/T Sophia, foi apreendida no Mar das Caraíbas, de acordo com o Comando do Sul do exército norte-americano, integrado na Operação Lança do Sul, em curso desde setembro de 2025, para combater o narcotráfico na região.
A embarcação, sem bandeira, “operava em águas internacionais
e realizava atividades ilícitas no Mar das Caraíbas”, referindo-se à violação
do bloqueio naval à Venezuela. Será agora escoltada até aos Estados Unidos
“para as devidas providências”.
Fonte: RTP, 7 de janeiro de
2026



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