Insultos ao profeta Maomé visavam gerar reação de imigrantes para ataque com milícias armadas e treinadas
Gil Costa assumiu a gestão do grupo 1143 com a prisão de
Mário Machado, mas este continuava a ser o verdadeiro líder neonazi – chamando
o primeiro às visitas, em Alcoentre, para lhe passar instruções. E foi de uma
dessas, em novembro passado, que saiu da cadeia a decisão, já para fevereiro,
de difundirem nas redes sociais um vídeo com a
mensagem “Maomé é pedófilo”, para provocar reações de violência da
comunidade islâmica em Portugal. A isso, os 37 elementos de extrema-direita
agora detidos reagiriam com milícias armadas, que treinaram em várias ações
durante meses.
Em maio passado, apuraram a TVI e a CNN Portugal,
os líderes neonazis organizaram um encontro na Quinta do Anjo, em Palmela, para
“treino de combate” com armas de airsoft. De resto, o grupo levou a
cabo outras ações de treino destinadas à preparação de uma milícia.
Em Palmela, dezenas de elementos vestiram-se de preto, com a
inscrição “Grupo 1143” e os rostos cobertos por máscaras. Organizaram-se em
formação e marcharam com estandartes e escudos antimotim – iguais aos das
polícias de intervenção. Estas ações foram divulgadas na rede social X e
gravadas em vídeos, agora apreendidos e que servem de prova no processo do DIAP
de Lisboa com a PJ.
Além da mensagem “Maomé é pedófilo”, Mário Machado idealizou outra provocação à comunidade islâmica para as comemorações do
próximo dia 10 de Junho, para gerar um conflito violento: exibir “uma bandeira
gigante do profeta Maomé, com o turbante e com uma bomba”.
Mário Machado idealizou o renascimento do Grupo 1143, que
foi enfraquecido com a prisão dos líderes ao logo dos anos, nomeadamente ele
próprio. Essa ideia, segundo a investigação, coincidiu com um ataque terrorista
em 2023, na Bruxelas, num jogo de futebol de classificação para o Euro 2024
entre as seleções da Bélgica e da Suécia. Os ideais do Grupo 1143 assentam no
exaltar da superioridade da raça branca, apelando à expulsão e ao impedir da
entrada em Portugal de todas as minorias étnicas, nomeadamente de imigrantes
oriundos do Brasil, África e do Indostão.
A expansão do grupo assentou nas redes sociais – começou na
rede X e passou para contas no Telegram, com a criação de grupos privados.
Criaram uma loja virtual para venda de produtos de merchandising; e a cúpula do
grupo, com vista ao financiamento do mesmo, passou a assentar em Mário Machado
e mais três elementos. Apelidaram-se de “os quatro mosqueteiros” e definiram
tarefas para cada um deles.
Criaram toda uma hierarquia abaixo deles, com líderes e
estruturas regionais. Abriram contas bancárias para as receitas do
merchandising e para donativos – milhares de euros entregues por todos para a
causa, que agora sofreu um rude golpe com a detenção de 37 dos seus elementos.
Fonte: CNN Portugal, 21 de janeiro de 2026

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