Mark Rutte avisa a Europa que bem pode "continuar a sonhar" se pensa que pode defender-se sem os EUA: "Boa sorte"
O.P.J. Pacifique Sud (2019) - Marielle Karabeu
Secretário-geral
da NATO elogia o presidente norte-americano, Donald Trump, por levantar a
questão da segurança no Ártico, apontando que está em causa a segurança de
todos
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, avisou a Europa de
que pode "continuar a sonhar" se pensa que se pode defender sem o
apoio dos Estados Unidos.
"Se alguém ainda pensa que a União Europeia, ou a Europa como um todo, pode defender-se sem os EUA, continuem a sonhar. Vocês não podem. Nós não podemos. Precisamos uns dos outros", declarou Mark Rutte, durante um discurso no Parlamento Europeu, em Bruxelas, na segunda-feira.
O secretário-geral da NATO avisou que os países europeus
precisam de aumentar as despesas com a defesa para 10% se "realmente
quiserem fazê-lo sozinhas", acrescentando que precisam de desenvolver a
sua própria capacidade nuclear, o que custaria milhares de milhões de euros.
"Neste cenário, vão perder a garantia máxima da nossa
liberdade, que é a proteção nuclear dos EUA. Por isso, boa sorte",
insistiu.
As declarações de Mark Rutte surgem após uma semana
turbulenta para a Europa e para os seus aliados ocidentais, depois de o
presidente Donald Trump ter continuado a insistir nas suas exigências para a
anexação da Gronelândia, antes de descartar publicamente o uso da força para
anexar a ilha do Ártico durante o seu discurso no Fórum Económico Mundial em
Davos, na Suíça.
O dirigente da NATO continuou a elogiar Trump por ter
levantado a questão da segurança no Ártico, reconhecendo que o facto de estar a
defender o presidente norte-americano provavelmente irritaria muitos dos que
estavam presentes na sala.
“Acho que ele [Trump] tem razão. Há um problema na região do
Ártico. Há uma questão de segurança coletiva, porque estas rotas marítimas
estão a abrir-se e os chineses e os russos estão cada vez mais ativos”, disse.
Mark Rutte adiantou que estão previstas duas frentes de
trabalho para resolver a questão da Gronelândia. A primeira envolverá a NATO,
que deverá assumir uma maior responsabilidade coletiva pela defesa do Ártico,
de modo a impedir o acesso da Rússia e da China à região, tanto a nível militar
como económico.
A segunda opção vai passar pela continuação das discussões
trilaterais entre os EUA, a Dinamarca e a Gronelândia. Rutte sublinhou que não
vai participar nestas discussões, já que não tem mandato para negociar em nome
da Dinamarca.
O ministro dinamarquês dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke
Rasmussen, e o seu homólogo da Gronelândia, Vivian Motzfeld, reuniram-se com o
vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio em Washington, no
início deste mês. No final, Lars Løkke Rasmussen adiantou aos jornalistas que,
apesar de a reunião ter sido “construtiva”, continua a haver uma “divergência
fundamental”.
Na semana seguinte, Trump e Rutte reuniram-se em Davos, com
o presidente dos EUA a afirmar ter chegado a um acordo preliminar sobre a
Gronelândia com o chefe da NATO e, consequentemente, deixando cair a ameaça de
mais tarifas contra as nações europeias que se opunham às suas ambições de
adquirir o território semiautónomo da Dinamarca. Ainda não é totalmente claro o
que está incluído neste acordo preliminar, nem o papel exato de Mark Rutte nas
negociações, mas a surpreendente mudança de posição de Trump voltou a colocar o
secretário-geral da NATO no centro das atenções.
Fonte: CNN Portugal, 27 de janeiro de 2026
A Europa defender-se-ia muito bem sem os americanos se obrigasse homens como Mark Rutte a servirem na tropa como soldados rasos.


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