Mulher de Arruda cúmplice no crime: "É bonita, fico com a carteira. Mas sabes que há câmaras no aeroporto? Que vergonha"

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O Ministério Público, na acusação ao ex-deputado Miguel Arruda por 21 furtos de malas no aeroporto de Lisboa, a que a TVI e a CNN Portugal tiveram acesso, faz o inventário de todos os bens no valor de dezenas de milhares de euros encontrados em casa e no gabinete do então parlamentar do Chega na Assembleia da República - e revela a cumplicidade de Ana Arruda, mulher do suspeito, em todo o esquema, denunciada nas trocas de mensagens por WhatsApp entre o casal, com Ana a confessar “vergonha” e “medo” que o marido fosse apanhado “pelas câmaras”, mas sem resistir a ficar, para ela, com peças de marca.

Miguel Arruda, depois de desviar malas alheias nos tapetes rolantes, e de as levar para casa, em Lisboa, espalhava a roupa e outros bens, como perfumes, em cima da cama, e enviava fotografias de tudo à mulher, que estava em Ponta Delgada, dando início a trocas de mensagens como esta, a 16 de outubro de 2024, a propósito de uma carteira da marca Louis Vuitton:

Miguel: “Queres para ti? Ou vendo?”

Ana: “Onde arranjaste isso?

Miguel: “Não interessa, heheheh. Queres ou não? É original”.

Ana: “Sabes que há câmaras nos aeroportos? Eu gosto e fico com esse, mas não se faz mais isso, please. Que medo de seres apanhado. Que vergonha”.

Na mesma madrugada, o deputado envia à mulher a fotografia de outra carteira, da marca Trussardi, e reatam o diálogo.

Ana Arruda: “Fod….., só cenas caras, mais uma mala no aeroporto?”

Miguel: “Não tens nada a ver com isso, heheheh. Ou queres ou meto à venda”?

Ana: “Por favor, que seja a última vez. Eu fico aflita. Eu quero, é bonita e é mesmo o meu género”.

Miguel: “Queres as duas? Ou meto à venda?”.

Ana: “Sim, fico com as duas”.

Há várias outras conversas a denunciar a cumplicidade entre o casal, como esta, em dezembro de 2024:

Miguel: “De roupas, desta vez não veio nada de jeito. Safou-se um perfume para ti, vamos ver se gostas”.

Ana: “A roupa era toda pequena?”

Miguel: “Se não servir para vender, dás à Letícia” [empregada do casal em Ponta Delgada].

Ana Arruda responde assim pelo crime de recetação, enquanto o marido está acusado por 21 crimes de furto qualificado.

Fonte: TVI Notícias, 8 janeiro de 2026

PSP encontra empregada de Miguel Arruda vestida dos pés à cabeça com roupa furtada no aeroporto

Quando a PSP entrou em casa de Miguel Arruda, em Ponta Delgada, para fazer buscas, encontrou a empregada doméstica do casal toda vestida com roupas roubadas pelo patrão.

“Tinha na sua posse uma t-shirt de marca Sandro Paris, cor amarelo claro; um conjunto de calças e camisa, cor azul clara com estampado floral, bens estes que haviam sido furtados previamente pelo arguido” - retirados das malas de viagem que o então deputado do Chega desviava dos tapetes rolantes no aeroporto de Lisboa.

Letícia Pacheco incorreu assim num crime de recetação - o mesmo pelo qual responde Ana Arruda, mulher do ex-deputado -, mas no despacho final do Ministério Público essa parte foi arquivada, não se dando como demonstrado que Letícia conhecesse a origem ilícita dos bens obtidos pelo patrão. 

De resto, nas várias trocas de mensagens apanhadas entre Miguel e Ana Arruda, ambos concordavam que as peças de roupa mais pequenas - que não servissem a Ana - deviam ser oferecidas a Letícia, ou para ela ou para a sua filha menor.

Além da distribuição de roupa e de outros bens furtados que Miguel Arruda fazia pela mulher e pela empregada, também fazia vendas online na plataforma Vinted, através da conta MiguelArruda84.

Fonte: TVI Notícias, 8 janeiro de 2026

Facebook atira todo o seu discurso do ódio contra o deputado caído em desgraça para o achincalhar ainda mais e dar base legal para eventuais extrações pela Força Delta.

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