Popularidade de Mark Carney cresce depois de Davos, enquanto a de Trump cai ainda mais
Perry Mason
(1957-1966) – Marianna Hill, William Hopper, Raymond Burr, Robert Harland
Após um
aceso debate entre o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e o presidente
Donald Trump durante o Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, o apoio ao
líder canadiano aumentou, enquanto a já baixa popularidade de Trump caiu ainda
mais
Sem mencionar Trump explicitamente, Carney denunciou a
"hegemonia americana" e declarou uma "rutura" na velha
ordem mundial durante um discurso que chamou a
atenção dos média no Fórum Económico Mundial em Davos, que pareceu
fazer uma referência direta ao atual governo dos EUA. As palavras provocaram a
ira de Trump, que disse a uma plateia em Davos que "o Canadá existe por causa dos Estados Unidos. Lembra-te
disso, Mark, da próxima vez que fizeres as tuas declarações".
Mas Carney rejeitou esta afirmação e disse que mantém o que
disse na Suíça — e a sua reação contra Trump parece ter tido uma repercussão
positiva junto do público canadiano.
Uma sondagem divulgada pelo Instituto Angus Reid, um grupo
de investigação canadiano sem fins lucrativos, na segunda-feira, concluiu que a
aprovação de Carney entre os canadianos subiu oito pontos percentuais,
atingindo os 60%, a sua maior taxa de aprovação desde que assumiu o cargo de
primeiro-ministro em março.
Embora a mesma sondagem mostre que o Partido Liberal de
Carney tem apenas uma pequena vantagem no apoio ao Partido Conservador, a
imagem pessoal do primeiro-ministro foi impulsionada pela sua postura de linha dura em matéria de política externa face às crescentes
ameaças dos EUA, e isso pode influenciar as decisões dos eleitores daqui para a
frente.
A sondagem surge numa altura em que Carney reiterou a
posição que apresentou no seu discurso em Davos, depois de o secretário do
Tesouro, Scott Bessent, ter afirmado que o líder canadiano se tinha retratado
"agressivamente" de alguns dos comentários feitos durante uma
conversa com Trump.
"Estive hoje no Salão Oval com o presidente",
disse Bessent na segunda-feira no programa Hannity, da Fox News.
"Ele falou com o primeiro-ministro Carney, que se estava a retratar de
forma muito agressiva de algumas das declarações infelizes que fez em
Davos". ... Na manhã de terça-feira, porém, Carney negou-o
categoricamente: “Para ser absolutamente claro — e eu disse isso ao presidente
— eu quis dizer o que disse em Davos. Foi claro”, disse Carney aos jornalistas
no Parlamento. “O Canadá foi o primeiro país a compreender a mudança na
política comercial dos EUA que tinha iniciado, e nós estamos a responder a
isso.”
Ainda assim, Carney disse ter tido uma “conversa muito boa”
num telefonema na segunda-feira com Trump, que tem atacado tanto o Canadá como
o primeiro-ministro com uma série de medidas após o discurso de Carney. Além
das suas declarações em Davos, Trump criticou um
acordo comercial canadiano com a China e
ameaçou impor tarifas de 100% ao vizinho do norte dos EUA caso o acordo
avançasse, além de ter desconvidado Carney do seu “Conselho de Paz” para Gaza.
Carney reiterou na terça-feira que, embora o seu país esteja
aberto a negociar uma relação com os EUA, o Canadá precisa de manter o rumo na
transição para uma menor dependência comercial dos Estados Unidos.
Embora a aprovação de Carney no âmbito interno tenha
aumentado no meio das tensões entre os dois líderes, a de Trump caiu ainda mais
esta semana.
Uma nova sondagem divulgada na segunda-feira pela Reuters/Ipsos
revelou que a aprovação geral de Trump caiu para 38%, igualando a taxa mais
baixa desde o início do seu segundo mandato na Casa Branca. A queda do apoio
geral ocorreu em paralelo com uma mudança particularmente negativa na visão dos
americanos sobre a política agressiva de imigração de Trump, depois de dois
civis terem sido mortos a tiro por agentes federais em Minneapolis nas últimas
semanas.
A sondagem constatou que a aprovação dos norte-americanos ao
trabalho de Trump em matéria de imigração caiu de 41% no início deste mês para
39%, um novo mínimo durante a sua segunda administração, enquanto 58% dos
norte-americanos acreditam que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) está a
ir "demasiado longe".
Fonte: TIME, 27 de janeiro de 2026
Discurso de Mark Carney no Fórum Económico Mundial de
2026
Carney iniciou o seu discurso em francês, afirmando que
existia uma "rutura na ordem mundial, o fim
de uma bela história e o início de uma realidade brutal onde a geopolítica
entre as grandes potências não está sujeita a quaisquer restrições",
mas prometeu que "outros países,
particularmente potências médias como o Canadá, não são impotentes. Têm a
capacidade de construir uma nova ordem que incorpore os nossos valores, como o
respeito pelos direitos humanos, o desenvolvimento sustentável, a
solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados".
Continuando em inglês, Carney descreveu a atual situação
internacional como uma era de rivalidade entre grandes potências, onde a ordem
internacional baseada em regras estava a desaparecer. Citou o Diálogo de
Melos, do historiador grego antigo Tucídides: "Que os fortes façam o
que podem, e os fracos sofram o que devem", um exemplo clássico de
realismo nas relações internacionais.
Referiu-se, em seguida, ao ensaio de 1978 do dissidente
político checo Václav Havel, "O poder dos sem poder", que
discutia a capacidade dos Estados comunistas totalitários se sustentarem e como
os cidadãos sob estes regimes podiam construir resistência. Carney afirmou que
estes estados se sustentavam "não apenas pela violência, mas pela
participação de pessoas comuns em rituais que sabem, em privado, serem
falsos... O poder do sistema não vem da sua verdade, mas da disposição de todos
em representá-lo como se fosse verdade. E a sua fragilidade vem da mesma fonte:
quando mesmo uma única pessoa deixa de o representar." Carney relacionou
isto com a situação internacional atual, dizendo que o Canadá e outros países
participaram voluntariamente numa ordem internacional que sabiam ser
"parcialmente falsa", ignorando o facto de as regras e instituições
desta ordem serem aplicadas de forma desigual porque beneficiavam da sua
previsibilidade e das proteções que esta ordem lhes conferia. Carney referiu-se
especificamente à "hegemonia americana", afirmando que esta "ajudou a fornecer bens públicos: rotas marítimas abertas,
um sistema financeiro estável, segurança coletiva e apoio a estruturas para a
resolução de litígios. Assim, colocámos a placa à janela. Participámos nos
rituais. E, em grande parte, evitámos apontar as discrepâncias entre a retórica
e a realidade. Este acordo já não funciona."
Carney declarou então que o mundo estava "no meio de
uma rutura, não de uma transição", dizendo que uma série de crises desde o
início do século XXI tinham trazido à tona os aspetos negativos da ordem
internacional e que as instituições em que as potências médias confiavam (como
a Conferência das Partes, a Organização Mundial do Comércio e as Nações Unidas)
estavam sob ameaça direta das grandes potências. Afirmou que muitas potências
médias, consequentemente, começaram a dar prioridade à autonomia estratégica,
mas alertou que "um mundo de fortalezas será mais pobre, mais frágil e
menos sustentável... a questão para as potências médias, como o Canadá, não é
se devem adaptar-se à nova realidade – devemos. A questão é se nos adaptamos
simplesmente construindo muros mais altos ou se podemos fazer algo mais
ambicioso."
Carney reafirmou, de seguida, o compromisso do Canadá com a
cooperação internacional, com os direitos humanos e com os valores consagrados
na Carta das Nações Unidas. Abordou várias medidas que o seu governo estava a
tomar, incluindo a redução de impostos, a remoção de barreiras comerciais
interprovinciais, o aumento do investimento em infraestruturas e nas despesas
de defesa, e a diversificação dos seus acordos comerciais internacionais.
Reafirmou ainda o compromisso do Canadá com a NATO e com o
direito da Gronelândia à autodeterminação. Afirmou que "para ajudar a
resolver problemas globais, estamos a procurar uma geometria variável – por
outras palavras, diferentes coligações para diferentes questões com base em
valores e interesses comuns". Carney afirmou então que "as potências médias devem agir em conjunto porque, se não
estivermos à mesa, estaremos no menu", apelando às potências
médias para que deixem de invocar a ordem internacional baseada em regras, que
apliquem os mesmos padrões aos aliados e inimigos, que construam uma nova ordem
internacional e que reduzam a influência que as grandes potências tinham sobre
elas. Carney concluiu apelando à "honestidade sobre o mundo tal como ele
é", dizendo que "Os poderosos têm o seu poder. Mas nós também temos
algo – a capacidade de parar de fingir, de nomear a realidade, de construir a
nossa força internamente e de agir em conjunto. Esse é o caminho do Canadá. Nós
escolhemo-lo abertamente e com confiança. E é um caminho totalmente aberto a
qualquer país disposto a trilhá-lo connosco".
Fonte. Wikipédia
Canadá não assinará acordo de livre comércio com a
China, diz Carney em resposta a Trump
O
primeiro-ministro canadiano afirmou que o acordo recente com a China só reduz
tarifas em alguns setores visados por taxas. O entendimento levou Trump a
ameaçar com direitos aduaneiros de 100% sobre bens do Canadá
O primeiro-ministro canadiano disse no domingo que o país não tenciona avançar com um acordo de livre comércio com a China.
Mark Carney Rragiu desta
forma à ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de
impor uma tarifa de 100% sobre bens importados do Canadá, caso o país avançasse
com um acordo comercial com Pequim.
Carney disse que o atual entendimento com a China apenas
reduz tarifas em alguns setores recentemente atingidos por sobretaxas.
O presidente dos Estados Unidos parece cético, tendo
afirmado na rede social Truth Social que a "China está a assumir o
controlo do outrora grande Canadá".
"É muito triste ver isto acontecer. Espero apenas que deixem o hóquei no gelo em paz!", afirmou o líder norte-americano.
Segundo o primeiro-ministro canadiano, ao abrigo do acordo
de livre comércio com os Estados Unidos e o México, existem compromissos de não
avançar com acordos semelhantes com outras economias sem notificação prévia.
“Não temos qualquer intenção de o fazer com a China ou com
outra economia não de mercado”, disse Carney. “O que fizemos com a China foi
corrigir alguns problemas que surgiram nos últimos dois anos.”
Tarifas sobre veículos elétricos chineses
Em 2024, o Canadá replicou os Estados Unidos ao aplicar uma
tarifa de 100% aos veículos elétricos provenientes de Pequim e de 25% ao aço e
ao alumínio.
China respondeu impondo taxas de importação de 100% sobre o
óleo e farelo de canola canadianos e de 25% sobre a carne de porco e produtos
do mar.
Durante uma visita à China, este mês, Carney reduziu a
tarifa de 100% sobre carros elétricos chineses em troca de tarifas mais baixas
sobre esses produtos canadianos.
O primeiro-ministro canadiano afirmou que haverá um limite
anual inicial de 49 000 veículos para as exportações de elétricos chineses que
entram no Canadá, com uma tarifa de 6,1%, aumentando para cerca de 70 000 em
cinco anos, observando que este limite não existia antes de 2024. Carney
acrescentou que o limite inicial nas importações de elétricos chineses
corresponde a cerca de 3% dos 1,8 milhões de veículos vendidos anualmente no
Canadá e que, em contrapartida, a China deverá começar a investir na indústria
automóvel canadiana dentro de três anos.
Trump publicou no domingo um vídeo em que o diretor executivo da Associação dos Fabricantes de Veículos do Canadá alerta que não haverá indústria automóvel canadiana sem acesso aos Estados Unidos, assinalando que o mercado canadiano, por si só, é demasiado pequeno para justificar produção em larga escala por parte da China.
“Imperdível. O Canadá está a destruir-se de forma
sistemática. O acordo com a China é um desastre para eles. Vai ficar como um
dos piores acordos, de qualquer tipo, na história. Todas as suas empresas estão
a mudar-se para os EUA. Quero ver o Canadá sobreviver e prosperar!”, escreveu
Trump nas redes sociais.
Discurso de Carney em Davos
A publicação de Trump no sábado dizia que, se Carney achava que iria "transformar o Canadá num ‘porto de descarga’ para a China enviar bens e produtos para os Estados Unidos, está redondamente enganado”.
“Não podemos permitir que o
Canadá se torne uma porta por onde os chineses despejem os seus bens baratos
para os EUA”, disse também o secretário do Tesouro dos EUA, Scott
Bessent, no programa “This Week”, da ABC.
“Temos um (Acordo Estados Unidos–México–Canadá), e com base
nisso, que será renegociado este verão, não
estou certo do que o primeiro-ministro Carney está a fazer aqui, a não ser
tentar sinalizar virtude aos seus amigos globalistas em Davos.”
A ameaça de Trump surgiu em plena escalada verbal com
Carney, numa altura em que a intenção do presidente republicano de adquirir a
Gronelândia fez aumentar as tensões do seio a NATO.
Carney tem-se afirmado como líder de um movimento para os
países encontrarem formas de se articular e contrariarem os Estados Unidos sob
Trump. No seu discurso em Davos, Carney disse que as “potências médias devem
agir em conjunto, porque quem não está à mesa está no menu”, e alertou para a
coerção por parte das grandes potências, sem mencionar, no entanto, o nome de
Trump. O primeiro-ministro canadiano recebeu ampla atenção e elogios pelas
declarações.
O impulso de Trump para adquirir a Gronelândia surgiu depois
de ter provocado repetidamente o Canadá sobre a sua soberania e sugerido que
também fosse absorvido pelos Estados Unidos como 51.º estado.
Na semana passada o presidente dos EUA publicou nas redes sociais uma imagem alterada na qual mostra um mapa do país que incluía o Canadá, a Venezuela, a Gronelândia e Cuba como parte do seu território.
Fonte: Euronews, 26 de janeiro
de 2026





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