Rodríguez reúne-se com CIA, liberta mais presos e procura investimentos para setor petrolífero da Venezuela
Perry Mason
(1957-1966) – Hugh O'Brian, Abraham Sofaer
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez,
reuniu-se hoje em Caracas com o diretor da CIA, John Ratcliffe, libertou mais
presos políticos, disse que procura investimentos para o setor petrolífero e
admitiu retomar relações diplomáticas com os EUA.
Segundo reportou a agência noticiosa espanhola EFE, que cita
o jornal The New York Times, Rafcliff transmitiu à sucessora de Nicolas
Maduro uma mensagem do presidente norte-americano, em que Donald Trump diz
esperar “uma melhoria nas relações de trabalho".
“Durante a reunião em Caracas, Ratcliffe abordou possíveis
oportunidades de cooperação económica e
salientou que a Venezuela já não pode ser um refúgio seguro para os adversários
dos Estados Unidos, em especial narcotraficantes”, especificou uma
fonte oficial, citada pela cadeia CNN.
O encontro entre Ratcliffe e Rodríguez, vice-presidente
‘chavista’ que assumiu a liderança da Venezuela com o aval de Washington após a
captura do deposto Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, teve como objetivo
“gerar confiança”, acrescentou a mesma fonte.
O diretor da CIA é o responsável norte-americano de mais
alto nível e o primeiro membro do gabinete de Trump a visitar a Venezuela após
a operação de 3 deste mês que resultou na captura e transferência de Maduro e
da sua mulher, Cilia Flores, para Nova Iorque, onde deverão ser julgados por
narcoterrorismo, tráfico de droga e corrupção.
Entretanto, também em Caracas, o executivo de Rodriguez
anunciou ter libertado vários estrangeiros de sete nacionalidades diferentes –
República Checa, Irlanda, Roménia, Alemanha, Albânia, Ucrânia e Países Baixos.
Delcy Rodríguez anunciou a libertação de 116 detidos que se
encontravam em prisões venezuelanas, embora organizações civis considerem que
os números são significativamente inferiores.
No caso da Plataforma Unitária Democrática, ligada à
oposição, liderada por María Corina Machado, contabilizam 76 “presos políticos”
libertados, enquanto o último balanço do Foro Penal eleva para 84 as
libertações desde a semana passada.
Por outro lado, Rodriguez afirmou hoje que está a procurar
facilitar os investimentos no setor petrolífero do seu país, que detém as
maiores reservas de crude do mundo, numa altura em que Trump tem mostrado
empenho em revitalizar as infraestruturas petrolíferas da nação sul americana
após a captura de Maduro.
Nas redes sociais, a líder ‘chavista’ explicou que a reforma
parcial da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, apresentada na quinta feira na
Assembleia Nacional, dominada pelo oficialismo, tem como objetivo “facilitar o
investimento, fortalecer a segurança jurídica e obter resultados mais rápidos”.
Rodríguez entregou à direção da Assembleia Nacional um
projeto de reforma dessa lei sem avançar pormenores detalhes, mas sublinhou que
pretende permitir que os “fluxos de investimento sejam incorporados em novos
campos petrolíferos”.
A mandatária interina frisou que “todas as divisas que
entrarem no país através da cooperação energética serão destinadas a dois
fundos soberanos”: um para a proteção social e o bem estar dos trabalhadores e
outro para infraestruturas e serviços que impulsionem o desenvolvimento
económico e social.
A Casa Branca afirmou quinta-feira que o governo chefiado
por Rodríguez, que assumiu o cargo dois dias depois da operação militar, já
cumpriu “todas as exigências e solicitações” dos EUA.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, realçou o
acordo fechado entre Washington e Caracas, avaliado em 500 milhões de dólares
(431 milhões de euros), pelo qual os Estados Unidos comercializarão até 50
milhões de barris de crude venezuelano e gerir os rendimentos antes de os
transferir para a Venezuela.
Rodríguez, que conversou por telefone com Trump esta semana,
assegura que, apesar da “agressão”, se está a “construir o que deve ser uma
cooperação energética baseada na decência, na dignidade e na independência” com
os Estados Unidos, e que, se tiver de ir a Washington, o fará “de pé,
caminhando, não arrastada, e com a bandeira tricolor” do seu país.
O governo interino de Caracas anunciou também um processo
exploratório para a reabertura de embaixadas com os Estados Unidos, após a
rotura diplomática em 2019, mas também não adiantou pormenores.
Fonte: Lusa, 16 de janeiro
de 2026

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