Starmer rejeita retaliar a tarifas dos EUA e prefere "discussão calma" sobre Gronelândia
O
primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recusou hoje retaliar às tarifas
aduaneiras anunciadas pelo presidente dos EUA e entrar numa guerra comercial
com os Estados Unidos, preferindo uma "discussão calma entre
aliados".
"Uma guerra comercial não é do interesse de ninguém e a minha função é sempre agir no interesse nacional do
Reino Unido", afirmou.
Segundo Starmer, "a maneira correta de abordar uma
questão desta gravidade é através de uma discussão calma entre aliados e, sejamos claros, a segurança da Gronelândia é importante",
afirmou, numa conferência de imprensa convocada de emergência esta manhã.
Starmer vincou que o Reino Unido e os EUA são "aliados
próximos" e que "essa relação é profundamente importante, não só para
a nossa segurança, mas também para a
prosperidade e estabilidade" dos britânicos.
"Sob a presidência de Trump, assim como sob as
presidências anteriores, estamos determinados a manter essa relação forte,
construtiva e focada em resultados. E essa abordagem tem resultado",
argumentou.
Keir Starmer criticou a aplicação de tarifas porque as
alianças devem ser "construídas com base no respeito e na parceria, não na
pressão".
"Não é a forma correta de resolver divergências dentro
de uma aliança", salientou.
O primeiro-ministro britânico referiu que, "no mundo de
hoje, a geopolítica não é algo que acontece noutro lugar", mas tem impacto
no custo da energia, comida e economia.
A conferência de imprensa inesperada a partir de Downing
Street, residência oficial do chefe de governo, teve lugar após uma conversa telefónica na véspera, na qual Starmer
disse ao presidente Trump que as tarifas que ele planeia impor aos aliados da
NATO que se opõem à aquisição americana da Gronelândia são "erradas".
Trump anunciou no sábado tarifas aduaneiras de 10% sobre os
países que participaram num exercício de treino da NATO na Gronelândia na
semana passada.
Numa declaração conjunta, o Reino Unido e outros países
europeus alertaram no domingo que essas tarifas "prejudicariam as relações
transatlânticas e arriscariam uma perigosa espiral descendente".
O Reino Unido tem reiterado que Gronelândia e Dinamarca
devem decidir o futuro da região autónoma dinamarquesa sem pressão, e que a
segurança naquele território "é uma prioridade para todos os aliados da
NATO, a fim de proteger os interesses euro-atlânticos".
O presidente dos EUA disse que as novas tarifas entrariam em
vigor a 1 de fevereiro e que estas aumentariam para 25% em junho.
Fonte: Lusa, 19 de janeiro
de 2026

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