Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% se fizer acordo com China
Perry Mason
(1957-1966) – Gerald Mohr
O
presidente norte-americano avisa que “a China vai engolir o Canadá vivo,
devorá-lo por completo”, e ameaça impor sanção se houver uma parceria com a
potência asiática
“Se fizer um acordo com a China”, o Canadá “será
imediatamente atingido por uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos
canadianos que entrem nos EUA”, escreveu Donald Trump na rede social Truth,
dirigindo-se diretamente ao primeiro-ministro Mark Carney — a quem Trump chama
de “governador”, tal como já fizera com o anterior chefe de governo do Canadá,
Justin Trudeau.
“Se o Governador Carney acha
que vai transformar o Canadá num ‘porto de transbordo’ para a China enviar bens
e produtos para os Estados Unidos, está profundamente enganado”,
avisou Trump. “A China vai engolir o Canadá
vivo, devorá-lo por completo, incluindo a destruição das suas empresas, do seu
tecido social e do seu modo de vida em geral”, atirou o presidente
norte-americano.
Na véspera, em Davos, Mark Carney fez um discurso marcante,
avisando que a “velha ordem não vai voltar” e que os “grandes poderes” e a
“hegemonia americana” estão a instrumentalizar a integração económica em nome
dos seus próprios interesses. Mas pediu que não haja lamentos, porque “a
nostalgia não é uma estratégia”.
O primeiro-ministro do Canadá apelou às “potências médias —
os países que têm mais a perder num mundo de fortalezas e que têm mais a ganhar
com uma cooperação genuína” —, que se juntem para “construir algo maior,
melhor, mais forte e mais justo”. Caso contrário, “vão ser a refeição” das
grandes potências, alertou.
Donald Trump é que não gostou do discurso. “Ele é
mal-agradecido, deviam estar gratos aos EUA. O Canadá existe por causa dos
EUA”, afirmou o presidente norte-americano. “Lembre-se disso, Mark, da próxima
vez que fizer declarações”. Os EUA acabariam por retirar o convite a Carney
para o novo “Conselho de Paz”.
Mark Carney, por sua vez, respondeu que Canadá “não existe
por causa dos Estados Unidos”, mas por causa do seu povo. “O Canadá prospera
porque somos canadianos. Somos donos da nossa casa, este é o nosso país, é o
nosso futuro”, afirmou.
Um “ping-pong” que continuou este sábado, com Trump a
ameaçar aumentar as tarifas para 100% sobre todos os produtos canadianos que
entrem nos Estados Unidos.
Fonte: O Jornal Económico, 24 de janeiro de 2026
A diplomacia resulta sempre. É uma fé resistente: sobrevive a golpes de Estado patrocinados, a guerras preventivas, a acordos assinados de manhã e bombardeados à tarde. Do mesmo modo, é enternecedor assistir à longevidade do liberalismo: o laissez-faire persiste como moto das democracias, e até inspira formação de partidos e sons de políticos no palanque e em arraiais populares.
Canadá não vai assinar acordo comercial com a China
após ameaças de Trump
O
primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou hoje que não tem qualquer
intenção de assinar um acordo de comércio livre com a China, após o presidente
norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado impor tarifas de 100% se assinasse
"De acordo com o USMCA [acordo comercial trilateral que
inclui o México, o Canadá e os Estados Unidos], estamos empenhados em não
procurar acordos de comércio livre com economias
não de mercado sem notificação
prévia. Não temos qualquer intenção de o fazer com a China ou qualquer outra
economia não de mercado", explicou hoje Carney à imprensa, citado pela
agência Efe.
As suas declarações surgem um dia depois de Trump ter
afirmado nas redes sociais que, se o Canadá concordar com um acordo de comércio
livre com a China, irá impor "uma tarifa
de 100% sobre todos os bens e
produtos canadianos que entrem nos Estados Unidos".
Carney especificou que o objetivo dos acordos assinados
durante a sua recente visita a Pequim é "corrigir alguns problemas que
surgiram nos últimos anos" no comércio com o gigante asiático em setores
como a agricultura, as pescas e os veículos elétricos.
O líder canadiano salientou ainda que Otava acabara de
concordar com uma quota anual máxima de 49 000 de automóveis elétricos para
entrar no Canadá com tarifas reduzidas.
"Isto está totalmente de acordo com o acordo USMCA, com
as nossas obrigações, que respeitamos profundamente ao abrigo deste
acordo", acrescentou o primeiro-ministro canadiano.
Questionado hoje na televisão sobre a razão pela qual Trump,
que há menos de dez dias tinha manifestado apoio a um acordo entre o Canadá e a
China, atacou subitamente Otava, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott
Bessent, pareceu aludir ao recente discurso de Carney no Fórum Económico
Mundial, em Davos, na Suíça.
"Não tenho a certeza do
que o primeiro-ministro Carney está a fazer, além de tentar parecer virtuoso aos seus amigos
globalistas em Davos. Não creio que esteja a fazer o melhor pelo povo
canadiano", disse Bessent em entrevista à ABC, também
citada pela agência Efe.
No seu discurso em Davos, Carney afirmou que as potências
médias devem trabalhar em conjunto para resistir à intimidação e à coerção
económica das grandes potências.
Embora nunca tenha mencionado Trump nominalmente, muitos
analistas sugerem que as suas palavras podem ter irritado o presidente
norte-americano.
Por sua vez, Bessent enfatizou à ABC que Otava é
obrigada a cumprir o USMCA e manifestou apoio à imposição de tarifas de 100%
sobre o Canadá caso o país vizinho se torne "uma porta de entrada para os
chineses inundarem os Estados Unidos com os seus produtos baratos".
Fonte: Notícias ao Minuto, 25 de janeiro de 2026

Comentários
Enviar um comentário