Trump quer Gronelândia: Quem se opõe, leva com tarifas. As reações

Perry Mason (1957-1966) – Charles H. Radilak

Presidente dos Estados Unidos anunciou, este fim de semana, uma nova taxa de 10% sobre as mercadorias da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia. Tudo porque... se opõem aos planos dos EUA para a Gronelândia

Trump já tinha ameaçado... e este sábado cumpriu. O presidente norte-americano anunciou que irá cobrar uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre mercadorias de oito países europeus. Tudo porque... estão contra o controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia.

Dinamarca, a Noruega, a Suécia, a França, a Alemanha, o Reino Unido, os Países Baixos e a Finlândia são os países alvo desta tarifa, que será elevada para 25% a 1 de junho, se não for assinado um acordo para a "compra completa e total da Gronelândia" pelos Estados Unidos.

As reações não se fizeram esperar e os embaixadores dos Estados-membros da União Europeia vão reunir-se de urgência já este domingo para discutir as relações com os Estados Unidos, na sequência do anúncio de Donald Trump.

A reunião foi convocada pela presidência cipriota do Conselho da União, este semestre, num contexto de tensões sobre o território autónomo dinamarquês, alvo de pretensões do presidente norte-americano, Donald Trump, e o encontro acontece às 17h00 (hora local, 16h00 de Lisboa).

Como reagiu a Europa? Da surpresa à união

O presidente do Conselho Europeu assegurou que a União Europeia será firme na defesa do direito internacional do seu território, depois de o presidente dos EUA ter ameaçado cobrar taxas sobre europeus que se oponham ao controlo da Gronelândia.

"O que podemos dizer é que a União Europeia será sempre muito firme na defesa do direito internacional, seja onde for. E, claro, a começar no território dos Estados-membros da União Europeia", prometeu António Costa, numa curta conferência de imprensa após a assinatura do histórico acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

"Por agora, estou a coordenar uma resposta conjunta dos Estados-membros da União Europeia sobre este tema", disse o ex-primeiro-ministro português.

Tanto a presidente da Comissão Europeia como o presidente do Conselho Europeu alertaram que estas tarifas "poderão desencadear uma perigosa espiral descendente".

"As tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma perigosa espiral descendente. A Europa continuará unida, coordenada e empenhada na defesa da sua soberania", afirmaram Ursula von der Leyen e António Costa, numa declaração conjunta partilhada nas redes sociais.

O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, afirmou que o seu país, um dos visados pela nova tarifa, "não se deixará intimidar": "Não nos deixaremos intimidar. Apenas a Dinamarca e a Gronelândia decidem sobre assuntos que lhes dizem respeito. Defenderei sempre o meu país e os nossos vizinhos aliados", afirmou Ulf Kristersson numa mensagem enviada à agência France-Presse, sublinhando que se tratava de "uma questão europeia".

"A Suécia está atualmente a manter intensas discussões com outros países da UE, a Noruega e o Reino Unido para encontrar uma resposta comum", acrescentou.

França, outro dos países visados, reagiu à ameaça de Donald Trump considerando que esta é "inaceitável". Na rede social X (antigo Twitter), Emmanuel Macron escreveu que "as ameaças tarifárias são inaceitáveis e não têm lugar neste contexto. Os europeus responderão de forma unida e coordenada se forem confirmadas. Garantiremos o respeito pela soberania europeia."

"Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Gronelândia, nem em qualquer outro lugar do mundo", afirmou Macron, acrescentando que a França "está comprometida com a soberania e a independência das nações, na Europa como em qualquer outro lugar".

A própria Dinamarca mostrou-se surpresa com as ameaças de aumento de tarifas de Trump. O ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, manifestou-se no sábado "surpreendido" com a ameaça de Trump de aumentar tarifas sobre oito países europeus caso a Gronelândia não seja "vendida integralmente" aos Estados Unidos.

"O objetivo de reforçar a presença militar na Gronelândia, ao qual o presidente se refere, é precisamente aumentar a segurança no Ártico", disse à AFP Rasmussen, após se ter reunido na quarta-feira com o chefe da diplomacia da Gronelândia, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.

O primeiro ministro britânico, Keir Starmer, classificou como "completamente erradas" as ameaças do presidente dos EUA, acrescentando que a segurança no Ártico "é importante para toda a NATO" e defendendo que os aliados devem reforçar a cooperação para enfrentar "a ameaça russa em diferentes partes da região".

"Impor tarifas aos aliados em nome da segurança coletiva da NATO é completamente errado. Vamos abordar esta questão diretamente com o governo norte americano", afirmou Starmer em comunicado.

Fonte: Notícias ao Minuto, 17 de janeiro de 2026

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