"Design viciante": Bruxelas conclui que TikTok viola lei da EU
Daryl
Dixon: The Book of Carol (2023)
O
TikTok é uma rede social de vídeos curtos que utiliza um algoritmo
personalizado para entreter os utilizadores e mantê-los envolvidos através de
conteúdos contínuos e virais
A Comissão Europeia concluiu esta sexta-feira,
preliminarmente, que o "design viciante" da plataforma chinesa TikTok
viola a lei dos serviços digitais da União Europeia (UE), podendo levar a uma
multa de até 6% do volume de negócios anual mundial.
"Hoje, a Comissão Europeia concluiu, de forma
preliminar, que o TikTok viola o Regulamento dos Serviços Digitais devido ao
seu design viciante. Isto inclui funcionalidades como a rolagem infinita, a
reprodução automática, as notificações 'push' e o seu sistema de recomendação
altamente personalizado", indica o executivo comunitário em comunicado
divulgado em Bruxelas.
De acordo com a investigação da instituição, a plataforma
chinesa de vídeos curtos "não avaliou adequadamente a forma como estas
funcionalidades viciantes podem prejudicar o bem-estar físico e mental dos seus
utilizadores, incluindo menores e adultos
vulneráveis", podendo "conduzir a comportamentos
compulsivos e reduzir o autocontrolo".
Além disso, segundo Bruxelas, "o TikTok ignorou
indicadores importantes de utilização compulsiva da aplicação", como o
tempo que os menores passam na rede social durante a noite ou a frequência com
que os utilizadores abrem a aplicação.
Por não "implementar medidas razoáveis, proporcionais e
eficazes para mitigar os riscos", que passariam por exemplo por alterar a
disposição da plataforma, o TikTok pode incorrer numa multa "proporcional
à natureza, gravidade, recorrência e duração da infração", de até 6% do
volume de negócios anual mundial total, refere ainda o comunicado.
Ainda assim, a empresa tem agora a possibilidade de exercer
o seu direito de defesa.
A UE tornou-se na primeira
jurisdição do mundo com regras para plataformas digitais, que passam
a estar obrigadas a remover conteúdos ilegais e nocivos, no âmbito da nova Lei
dos Serviços Digitais.
A lei foi criada para proteger os direitos fundamentais dos
utilizadores online na UE e tornou-se numa legislação inédita para o espaço
digital que responsabiliza as plataformas por conteúdos prejudiciais,
nomeadamente desinformação.
As tecnológicas que não cumprem podem ter coimas
proporcionais à sua dimensão.
Fonte: SIC Notícias, 6 de fevereiro de 2026

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