Grupo mercenário russo Wagner está de volta, mas agora na Europa
Perry Mason
(1957-1966) – Irene Tsu, Jerry Oddo
A
guerra híbrida russa, silenciosa e discreta, está a ser lançada sobre a Europa
ocidental pelos serviços secretos civis e militares do Kremlin, com a ajuda de
grupo de mercenários
O temido grupo Wagner da Rússia está de volta, mas agora na
Europa. O grupo de mercenários tem
vivido dias incertos após o golpe falhado do seu fundador em 2023. Yevgeny Prigozhin quis esmagar o exército russo,
mas acabou ele próprio esmagado.
Agora, a ideia é fortalecer a guerra híbrida russa contra
países da Europa ocidental. Recrutas e propagandistas, que trabalhavam antes
com o Wagner, estão a recrutar europeus
ocidentais economicamente vulneráveis para missões violentas em
países da NATO, segundo responsáveis de agências de inteligência ocidentais
citados pelo Financial Times.
A rede Wagner está a ser usada pela agência de inteligência
civil FSB e pela militar GRU para recrutar agentes “descartáveis” para semear o
caos na Europa. A ideia é enfraquecer o apoio da
Europa à Ucrânia.
E a cartilha do Wagner é muito extensa para atingir os
objetivos: ataques incendiários contra carros de políticos ou contra armazéns
com ajuda à Ucrânia.
Guerra híbrida implica ações de sabotagem, interferência em
eleições, propaganda, mas também provocar instabilidade política, económica ou
social, recorrendo a ferramentas digitais e não só.
Potenciais recrutas?
Indivíduos marginalizados, sem um rumo na vida, à procura de fazer dinheiro.
O FSB tem por hábito recorrer a criminosos ou à diáspora
russa, mas tem tido dificuldades no recrutamento.
Já o Wagner tem uma boa base de recrutamento online via os
seus grupos no Telegram. O fundador do grupo tinha a maior ‘quinta de
trolls’ da Rússia, a IRA, dedicada a espalhar desinformação no Ocidente há mais
de uma década.
Um desses casos teve lugar no Reino Unido. Dylan Earl então
com 21 anos foi recrutado pelo Wagner e recrutou mais quatro jovens, que
pegaram fogo a um armazém em Londres em 2024. Acabou por ser condenado a 23
anos de prisão.
Estes canais de recrutamento online são formas de encontrar
jovens “preparados para uma forma de radicalização para traírem o seu país em troca de dinheiro fácil”,
disse a magistrada Cheema-Grubb na leitura da sentença do jovem britânico.
Passaram três anos desde o ocaso do grupo Wagner e do seu
fundador Yevgeny Prigozhin. Os seus combatentes ainda dominaram brevemente a
cidade de Rostov-on-Don no sul da Rússia em 2023 e ensaiaram um movimento a
caminho de Moscovo. Travaram a 200 km da capital russa.
Yevgeny Prigozhin e centenas de mercenários pararam o golpe
após vários telefonemas com altos responsáveis do governo de Putin e do
presidente da Bielorrússia Alexander Lukashenko que serviu como intermediário.
O mercenário ainda aguentou dois meses impune, mas o seu
jato privado acabaria por cair no verão de 2023. Agências de inteligência
ocidentais apontam que o jato caiu após uma explosão a bordo, sob ordens de
Vladimir Putin, segundo o Guardian.
O regime de Putin acabou por colocar as mãos nos seus
negócios, além das operações de mercenários, contava com ‘quintas de bots e
trolls’ prontos para atuar nas redes sociais, minas em África e um negócio de
restauração com muitos contratos públicos, ganhando a alcunha de ‘chef de
Putin’.
O grupo Wagner operava principalmente em África e tem disso
acusado de várias atrocidades.
Entretanto, o grupo foi absorvido nas estruturas do estado
russo e ganhou o nome de Africa Corps, uma referência direta às forças
militares nazis a operar no norte de África durante a Segunda Guerra Mundial,
as Afrika Korps, comandadas pelo general Erwin Rommel, que ganhou a alcunha de
“raposa do deserto”.
Na altura, o grupo Wagner tinha um papel crucial na invasão
da Ucrânia, desempenhando um papel principal em combates no leste do país.
Fonte: O Jornal Económico,
16 de fevereiro de 2026

Comentários
Enviar um comentário