Museu Britânico retira palavra "Palestina" de exposição sobre antigo Médio Oriente
O Museu Britânico, em Londres, retirou a palavra “Palestina”
do percurso expositivo dedicado ao antigo Médio Oriente, na sequência de
queixas sobre a sua utilização para descrever uma região e civilização,
noticiou o jornal The Telegraph.
Segundo o jornal, hoje citado pelas agências internacionais,
os mapas e painéis informativos do museu referentes ao antigo Egito e aos
navegadores Fenícios tinham escrita a palavra "Palestina" para
designar a costa oriental do Mediterrâneo, e alguns povos estavam descritos
como “de ascendência palestiniana”.
O Museu Britânico decidiu fazer alterações no seguimento de
uma carta que recebeu da associação UK Lawyers
for Israel (Advogados do Reino
Unido por Israel), segundo a qual “aplicar um único nome – Palestina –
retrospetivamente a toda uma região, ao longo de milhares de anos, apaga as
mudanças históricas e cria uma falsa ideia de continuidade”.
“Isto também tem o efeito agravante de apagar os reinos de
Israel e da Judeia, que surgiram por volta de 1000 a.C., e de reformular as
origens dos israelitas e do povo judeu como erroneamente provenientes da
Palestina. A terminologia escolhida nos itens descritos implica a existência de
uma região antiga e contínua chamada Palestina”, sustentou a associação.
O The Telegraph lembrou que "Palestina"
tornou-se um termo geográfico comum e neutro para designar a região sul do
Levante em finais do século XIX, mas o Museu Britânico reconheceu agora que a
palavra perdeu neutralidade.
“Para as galerias do Médio Oriente que exibem mapas de
regiões culturais antigas, o termo ‘Canaã’ é aplicável para o sul do Levante,
no final do segundo milénio antes de Cristo. Usamos a terminologia da
Organização das Nações Unidas em mapas que mostram fronteiras modernas, por
exemplo, Gaza, Cisjordânia, Israel, Jordânia, e referimo-nos a ‘palestiniano’
como um identificador cultural ou etnográfico”, afirmou uma fonte do museu.
De acordo com o jornal, o Museu Britânico está a rever
outros painéis e legendas informativas, no âmbito de um plano de reconstrução e
renovação da exposição, a implementar nos próximos anos.
Fonte: Lusa, 15 de fevereiro de 2026
O termo Palestina tem uma origem muito antiga e resulta de um processo histórico e linguístico que atravessa várias civilizações. A palavra deriva do grego Palaistínē (Παλαιστίνη), utilizada por historiadores como Heródoto no século V a.C. para designar a região situada entre a Fenícia e o Egito. O termo grego, por sua vez, está relacionado com os filisteus, um povo do mar que se estabeleceu na costa sul da região por volta do século XII a.C. Em hebraico, os filisteus eram chamados P’lishtim, e o seu território era conhecido como Philistia.
O uso do nome foi consolidado durante o domínio romano. Após a revolta judaica de Bar Kokhba (132–135 d.C.), o imperador Adriano renomeou a província da Judeia para Syria Palaestina. Muitos historiadores consideram que esta mudança pretendia enfraquecer a ligação histórica judaica à região, substituindo a designação “Judeia”.
O nome continuou a ser utilizado durante o período bizantino e manteve-se após a conquista árabe no século VII, quando a região passou a ser conhecida como Jund Filastin (distrito militar da Palestina), preservando a raiz linguística do termo.
Ao longo do século XX, o termo Palestina deixou de ser apenas uma designação geográfica ou administrativa e adquiriu um significado profundamente político, ligado a identidades nacionais concorrentes e a reivindicações territoriais.
Até ao final do Império Otomano, a palavra era usada sobretudo em sentido geográfico. No entanto, após a Primeira Guerra Mundial, a derrota otomana levou à criação do Mandado Britânico da Palestina (1920–1948), aprovado pela Sociedade das Nações. Nesse contexto, “Palestina” passou a designar uma unidade política administrada pelos britânicos, habitada por populações árabes maioritárias e uma comunidade judaica em rápido crescimento, estimulada pelo movimento sionista.
A Declaração Balfour (1917) já tinha apoiado a criação de um “lar nacional judaico” na Palestina, o que intensificou tensões entre árabes palestinianos e imigrantes judeus. Durante o período do mandato, o termo “palestiniano” podia referir-se a qualquer habitante do território — árabe ou judeu — e era usado em documentos oficiais, instituições e até em equipas desportivas.
O significado político mudou decisivamente após 1948, com a criação do Estado de Israel e a guerra árabe-israelita subsequente. Centenas de milhares de árabes foram deslocados ou fugiram, evento conhecido em árabe como Nakba (“catástrofe”). A partir daí, “palestiniano” passou progressivamente a designar especificamente a população árabe originária do território e os seus descendentes.
Nas décadas seguintes, o termo ganhou uma dimensão nacional e identitária clara. A fundação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1964 consolidou a ideia de um povo palestiniano com direito à autodeterminação. Após a Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupou a Cisjordânia e Gaza, a palavra “Palestina” tornou-se também símbolo de resistência, reivindicação territorial e luta política.
No final do século XX, o termo adquiriu reconhecimento diplomático crescente. Em 1988, a OLP proclamou o Estado da Palestina, e em 2012 a Assembleia Geral das Nações Unidas concedeu à Palestina o estatuto de Estado observador não membro.
Assim, ao longo do século XX, “Palestina” evoluiu de um nome geográfico para um conceito político central, associado à identidade nacional palestiniana, que os israelitas pretendem a todo o custo impedir que se forme, negando direitos, história, existência aos árabes

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