Só faltava mais esta! Rei emérito Juan Carlos vê o seu nome envolvido no escândalo sexual de Jeffrey Epstein
Only
Murders in the Building (2021)
Depois
do príncipe André, da princesa Mette-Marit da Noruega e da princesa Sofia da
Suécia, é agora o pai do rei Felipe VI de Espanha que surge mencionado num
e-mail, escrito pelo próprio Jeffrey Epstein
Nos últimos tempos, têm sido divulgados milhares de
documentos relacionados com as investigações sobre o traficante sexual Jeffrey
Epstein, mais conhecidos por 'Epstein files'.
Entre os nomes mencionados, que denunciam as suas alegadas
ligações a Epstein, estão o do príncipe André de Inglaterra e o da sua
ex-mulher, Sarah Ferguson, o da princesa Mette-Marit da Noruega e o da princesa
Sofia da Suécia.
E agora, eis que surgiu pela primeira vez uma menção direta
ao rei emérito Juan Carlos de Espanha.
Num dos e-mails intercetados na investigação, Epstein, que
morreu atrás das grades em 2019 – alegadamente ter-se-á suicidado –, revelou a
um conhecido os seus planos para jantar com o pai do rei Felipe VI.
"Vou jantar com o rei Juan Carlos da Espanha hoje à
noite, é incrível. Jantar organizado por Pepe Fanjul para amigos", escreveu o magnata
no dia 11 de setembro de 2018.
Embora não haja confirmação se esta reunião de facto
aconteceu, a verdade é que, em 2018, Epstein já tinha estado preso por
prostituir uma menor de idade, o que coloca Juan Carlos em maus lençóis...
novamente.
Fonte: Flash!, 5 de fevereiro de 2026
A ligação entre Juan Carlos e Jeffrey Epstein
A ânsia de certo tipo de meios de comunicação em difamar os
nomes dos seus vilões favoritos, associando-os a Jeffrey Epstein, continua a
criar situações embaraçosas. O jornal La Sexta publicou esta
quarta-feira um e-mail alegadamente do proxeneta, no qual escreveu: "Vou jantar com o Rei Juan Carlos
de Espanha esta noite. Incrível. Jantar organizado por Pepe Fanjul para amigos."
Mas, na realidade, não foi Epstein quem escreveu, mas sim a destinatária, a profissional
de relações públicas, Peggy Siegal. Ela relatou o alegado jantar, que pode ou
não ter acontecido. Mais uma vez, a pressa em publicar sem pensar duas vezes e
a preguiça de verificar a informação levaram a um erro que outros órgãos de
comunicação social rapidamente reproduziram: se o La Sexta diz, deve ser
verdade, copiem de lá e publiquem. Reitero o perigo de publicar milhões de
documentos em massa. Uma simples pesquisa pelo nome está ao alcance de
praticamente qualquer pessoa. O truque é investigar a fundo para ver se esta
referência esconde realmente uma história, ou se nos contentamos com a
justaposição dos dois nomes, esperando que, por contaminação cruzada, um seja
manchado pelos pecados do outro. Isto aconteceu há uns dias com Aznar, e agora
estamos de volta com Juan Carlos. Por mais terríveis que consideremos ambas as
figuras, esta frivolidade em discuti-las não só deixa de as condenar, como
também desvia o foco do que realmente importa.
Mais uma vez, é evidente que o principal ingrediente do
jornalismo é o tempo. Porque o dinheiro pode comprar o tempo dos jornalistas
para que estes possam realmente fazer o seu trabalho. Nunca foi tão fácil ter
toneladas de dados à disposição. Mas este tornou-se um dos principais
problemas: a pressa em publicar e a tendência para imitar os outros estão a
sufocar a investigação. A pressão por cliques leva à complacência depois de
estes serem obtidos. Alguma pessoa ingénua pode até acreditar que já relatou a verdade.
Fonte: ara, 4 de fevereiro de 2026
Todo o processo Epstein tem aspeto de uma história mal contada, de um rolo compressor da indústria do jornalismo para arrasar reputações, a começar pela do próprio Epstein, precedendo sempre o seu nome com o adjetivo pedófilo, para ofuscar o juízo crítico à partida. Nunca saberemos o que Epstein fez ou não fez, realmente. Mais do que esclarecer, esta sobrecarga informativa visa obscurecer. Estudos sobre justiça mediática e “trial by media” demostram que a reputação pública pode ser destruída independentemente do desfecho judicial, transformando o acusado num símbolo social negativo antes de ser um sujeito processual - mecanismo ensaiado em Portugal pelo Correio da Manhã, logo contaminado para a outra imprensa "séria" (porque bastante lucrativo).
Porém, a quantidade de reportagens, investigações, apontamentos, referências, sobre o caso, ao menos, prova que, de facto, Epstein teve ajuda no seu suicídio. Não era possível deixá-lo vivo como fonte de instabilidade jurídica e social e elemento simbólico de heroísmo e imitação, como Osama bin Laden, Lee Harvey Oswald, Jack Ruby, Andreas Baader ou Ulrike Meinhof, as suas sobrevivências seriam insuportáveis para o establishment. Casos com forte potencial desestabilizador tendem a ser enquadrados como ameaças sistémicas. A literatura sobre gestão de risco político e segurança estatal demonstra que indivíduos que concentram redes de poder, informação sensível e potencial incriminatório podem adquirir uma dimensão ameaçadora que ultrapassa a sua responsabilidade penal individual.

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