Von der Leyen defende reativação da cláusula de defesa mútua da UE: a Europa deve “libertar-se de todos os tabus” no que toca à defesa
A
presidente da Comissão Europeia salientou “ter chegado o momento para dar vida”
a esta cláusula, prevista nos tratados europeus
A presidente da Comissão Europeia apelou este sábado para a
reativação da cláusula de defesa mútua da União Europeia (UE), num discurso em
que instou a Europa a ser mais independente para garantir a sua própria
segurança.
“Creio que chegou o momento
de dar vida à cláusula de defesa mútua da Europa. A defesa mútua não
é uma tarefa opcional para a UE […] É o nosso compromisso coletivo de nos
apoiarmos mutuamente em caso de agressão”, afirmou Ursula von der Leyen na
intervenção na Conferência de Segurança de Munique.
Na conferência, que começou na sexta-feira e vai até
domingo, a responsável europeia defendeu que uma Europa forte “é uma aliança
transatlântica mais forte”.
Na 62.ª edição da conferência, considerada o principal
encontro mundial de especialistas em políticas de segurança, von der Leyen
defendeu que a Europa deve “libertar-se de todos os tabus”, referindo
nomeadamente a utilização da “cláusula de defesa mútua”, um compromisso
coletivo dos Estados-membros da União Europeia (UE) de se defenderem em caso de
agressão.
A presidente da Comissão Europeia salientou “ter chegado o
momento para dar vida” a esta cláusula, prevista nos tratados europeus.
A cláusula foi introduzida no
Tratado de Lisboa, em 2007, no chamado artigo 42.º, n.º 7, segundo o
qual os Estados-membros da União Europeia têm “a obrigação de prestar ajuda e
assistência por todos os meios ao seu alcance” caso outro Estado-membro seja
vítima de uma agressão no seu território.
A assistência pode ser militar, mas pode também incluir
apoio diplomático ou assistência médica.
No entanto, Von der Leyen acrescentou que “este compromisso
só tem peso se assentar na confiança e na capacidade” e assinalou que a UE deve
ser mais célere na tomada de decisões.
“Isso pode significar
basearmo-nos no resultado de uma maioria qualificada em vez da unanimidade”, sugeriu,
apontando que, para tal, não seria necessário alterar as regras do bloco
comunitário, mas que também têm “de ser criativos”.
A presidente do executivo comunitário sublinhou ainda a
necessidade de “formalizar o início de novas parcerias em matéria de segurança”
com países como o Reino Unido, a Noruega, a Islândia ou o Canadá.
A este respeito, von der Leyen reiterou que a UE “precisa”
de uma nova estratégia de segurança, na qual todas as políticas comunitárias –
comércio, finanças, infraestruturas ou tecnologias – tenham “uma dimensão de
segurança clara nesta nova ordem mundial”.
“Precisamos de uma nova doutrina para isso, com um objetivo
simples: garantir que a Europa possa defender o seu próprio território, a sua
economia, a sua democracia e o seu modo de vida em qualquer momento”, afirmou.
Por fim, a política alemã e ex-ministra da Defesa instou a “derrubar o muro rígido que separa os setores civil e da
defesa” e a começar a considerar a indústria automóvel, aeroespacial e de
maquinaria pesada “como parte fundamental da cadeia de valor da defesa”.
Na intervenção, a presidente da Comissão Europeia
acrescentou que a Europa, que depende há décadas dos Estados Unidos para a sua
defesa, deve agora “passar a uma velocidade superior” e “assumir as suas
responsabilidades.
“A segurança da Europa nem sempre foi considerada como a
nossa principal responsabilidade. Mas isso mudou fundamentalmente. Devemos
desenvolver um pilar europeu de meios estratégicos: no domínio espacial, nos
serviços de informações e nas capacidades de ataque de longo alcance”, defendeu
Leyen.
A Europa já se comprometeu com um esforço histórico de
rearmamento para dispor de uma defesa credível até 2030, na sequência das
ameaças dos Estados Unidos de Donald Trump de reduzirem o seu investimento na
Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), e para se preparar para um
eventual conflito com a Rússia.
Fonte: CNN Portugal, 14 de fevereiro de 2026

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