Autarca recém-eleito em França apresenta queixa contra canal de televisão por racismo
Bally Bagayoko, o novo autarca da cidade de Saint-Denis,
junto a Paris, diz que vai avançar com uma queixa crime contra um canal de
televisão tradicionalmente posicionado à direita por insultos racistas.
Uma das surpresas destas eleições autárquicas em França foi
a eleição de Bally Bagayoko, candidato da França Insubmissa, que logo na
primeira volta ganhou uma das cidades mais importantes da periferia de Paris.
Bagayoko nasceu nos arredores de Paris, tem origens malianas e desde o início
dos anos 2000 está envolvido na política local de Saint-Denis, que conta com
quase 150 mil habitantes.
Desde a sua eleição que Bally Bagayoko se tornou uma figura
da política nacional, recebendo uma grande atenção dos meios de comunicação
franceses. Um dos meios que mais tem falado dele é a televisão CNews,
especialmente depois de o autarca ter anunciado que vai retirar as armas aos
polícias municipais para que se tornem uma polícia de proximidade.
Numa das emissões deste canal que tem afinidades com a
direita e com a extrema-direita francesas, um psicólogo disse que Bally
Bagayoko estava a tentar impor-se como acontece "entre homo sapiens, que pertencem
à família dos grandes macacos" e isso acontece "em todas as coletividades,
todas as tribos". Mais tarde, noutro programa, o filósofo Michel Onfray
disse que Bagayoko tinha uma atitude "tribal" e de "macho
dominante".
Rapidamente, várias figuras de esquerda condenaram estas
declarações dizendo que estas comparações aconteciam devido à cor da pele do
novo autarca de Saint-Denis. No sábado, o autarca anunciou que vai apresentar
queixa contra a CNews e que vai organizar "um grande encontro contra o
racismo e contra o fascismo". Já o canal de televisão fala de "uma
polémica infundada".
O canal de televisão CNews, que pertence ao
milionário conservador Vincent Bolloré e é hoje o canal mais visto em França,
já se viu envolvido em várias polémicas. Em fevereiro pagou cerca de 100 mil
euros de multa devido a duas emissões difundidas no verão de 2025 em que houve
discriminação contra muçulmanos e contra argelinos.
Fonte: RFI, 29 de março de 2026

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