Colonos israelitas são acusados de agredir sexualmente palestiniano em frente à família
Colonizadores israelitas agrediram sexualmente um
palestiniano durante uma incursão na comunidade de Khirbet Humsa, no norte do
Vale do Jordão, segundo depoimentos de testemunhas citados pelo Haaretz.
O ataque, segundo os sobreviventes, incluiu ainda espancamentos, ameaças de
violação, humilhação de mulheres e raparigas e o roubo de gado e de objetos de
valor.
Os depoimentos de testemunhas oculares mostraram que os
colonos se dividiram em pequenos grupos e percorreram a comunidade, arrastando
os moradores das suas casas, amarrando-lhes os pés e as mãos com braçadeiras de
plástico e atirando homens, mulheres e crianças para o chão. Algumas vítimas
foram encharcadas com água fria enquanto estavam imobilizadas e espancadas com
mocas e facas à vista.
Uma mulher disse que os agressores lhe arrancaram o véu,
rasgaram algumas das suas roupas e puxaram raparigas das tendas antes de as
espancarem, incluindo crianças pequenas. Outro morador disse que os colonos o
cortaram acima do pulso com uma faca antes de o amarrarem.
A acusação mais grave diz respeito ao abuso sexual de um
palestiniano em frente à sua família. Um ativista americano presente na aldeia
relatou que os colonos baixaram as calças do homem, deitaram-lhe água e
espancaram-no brutalmente enquanto jazia encolhido no chão, incapaz de se
defender.
Testemunhas relataram ainda que colonos ameaçaram violar
mulheres e matar crianças. Os moradores contaram ao Haaretz que um dos
agressores, que falava árabe, avisou que, se a comunidade não se fosse embora,
os colonos regressariam, incendiariam as casas, matariam as crianças e
violariam as mulheres.
Uma mãe relatou que, enquanto estava amarrada, um colono
ameaçou voltar e levar as suas filhas, e depois agarrou e esbofeteou a sua
filha de 14 anos à sua frente. Os sobreviventes disseram que foi usada
linguagem obscena e degradante durante todo o ataque.
Dois ativistas estrangeiros que atuavam como voluntários num
programa de presença protetora também foram agredidos, segundo os testemunhos. Uma das vítimas relatou que colonos mascarados espancaram
as ativistas até as derrubarem no chão, amarraram-lhes os pés e as mãos com braçadeiras
de plástico, roubaram-lhes as carteiras e os passaportes e arrastaram-nas para
fora enquanto continuavam a agredi-las.
A mesma ativista disse que temeu ser violada depois de um
colono lhe ter rasgado o casaco com uma faca e começado a puxar o cinto.
Afirmou que as crianças da comunidade foram obrigadas a testemunhar grande
parte da violência.
O ataque ocorreu numa parte da Cisjordânia ocupada
ilegalmente, onde as comunidades palestinianas de pastores enfrentam há muito
tempo violência repetida por parte dos colonos, deslocações forçadas e
apropriação de terras. Os residentes de Khirbet Humsa já tinham sido expulsos
de terras próximas após demolições e expulsões israelitas relacionadas com uma
zona de tiro militar.
Quarenta e cinco por cento
das terras do Vale do Jordão foram declaradas zona de tiro, reduzindo
drasticamente o espaço de pastagem palestiniano.
As alegações de Khirbet Humsa enquadram-se numa tendência
mais vasta relacionada com a violência sexual contra palestinianos por parte
das forças israelitas e dos colonos. A organização B'Tselem constatou que os
palestinianos em Hebron eram sujeitos a violência física e sexual
"rotineira" por parte dos soldados israelitas, incluindo ameaças de
violação, desnudamento forçado e golpes nos genitais.
Os reclusos em Gaza descreveram violações, choques elétricos
e outros abusos em centros de detenção israelitas, incluindo Sde Teiman.
Fonte: Middle East Monitor, 18 de março de 2026

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