Comandantes militares dos EUA afirmam que os ataques ao Irão fazem parte de um plano divino

Comandantes militares norte-americanos estacionados no Médio Oriente terão feito comentários religiosos perturbadores sobre a atual operação do seu país contra o Irão

O jornal britânico The Guardian relata que a Military Religious Freedom Foundation (MRFF) recebeu queixas deste tipo por parte de militares no ativo pertencentes a todos os ramos das Forças Armadas dos EUA. Um sargento afirmou à MRFF que o seu comandante partilhou com as tropas que uma guerra contra o Irão fazia “parte do plano divino de Deus”.

A agência de notícias turca Anadolu Agency cita um e-mail enviado por esse sargento à MRFF, no qual afirma que o comandante “mencionou especificamente diversas passagens do Livro do Apocalipse relativas ao Armagedão e ao iminente regresso de Jesus Cristo”. “Ele disse que ‘o presidente Trump foi ungido por Jesus para acender a fogueira no Irão, provocando o Armagedão e marcando o Seu regresso à Terra’”, acrescentou o militar.

O comandante foi descrito como exibindo um grande sorriso enquanto relatava tudo isto à sua unidade, o que, segundo o sargento, tornava a situação ainda mais inquietante e perturbadora. De acordo com o The Guardian, o sargento apresentou a queixa em nome de 15 colegas soldados — entre eles 11 cristãos, um muçulmano e um judeu. E este caso está longe de ser isolado.

Desde o início dos ataques norte-americanos ao Irão, a MRFF recebeu mais de 200 mensagens semelhantes provenientes de mais de 50 unidades militares. “Sempre que Israel ou os Estados Unidos se envolvem no Médio Oriente, surgem estas histórias sobre nacionalistas cristãos que tomaram conta do nosso governo e, certamente, das nossas forças armadas”, declarou Mikey Weinstein, presidente da MRFF, ao The Guardian. Weinstein, veterano da Força Aérea dos EUA, acrescentou que é difícil para os militares norte-americanos oporem-se aos seus superiores.

O presidente da MRFF alertou que a organização tem registado um aumento do extremismo cristão nas forças armadas dos EUA, com comandantes a celebrarem os ataques ao Irão como uma guerra sancionada pela Bíblia. A TRT World refere, por sua vez, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem demonstrado hesitação quanto às suas verdadeiras intenções em relação ao Irão, incluindo qual é exatamente o objetivo final da Operação Fúria Épica.

Numa entrevista telefónica ao The Washington Post, o presidente norte-americano afirmou que o seu objetivo é trazer “liberdade” ao povo iraniano — um eufemismo pouco disfarçado para uma mudança de regime. Trump apelou também à população iraniana para que “retome o controlo do seu país” ao governo revolucionário islâmico que governa a nação desde 1979.

Contudo, as conotações religiosas da coordenação entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão não se limitam ao cristianismo. Existem também alguns exemplos de extremismo judaico com origem em Telavive.

A Anadolu Agency refere que, no dia seguinte ao início dos ataques, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, citou a Torá ao comparar os iranianos a um antigo inimigo bíblico. “Lemos na porção da Torá desta semana: ‘Lembrem-se do que Amaleque vos fez’. Nós lembramo-nos — e agimos”, declarou Netanyahu durante uma visita a um local atingido por mísseis iranianos.

Os amalequitas eram adversários dos antigos israelitas, que, segundo a tradição bíblica, Deus ordenou que fossem apagados da memória.

Fonte: The Daily Digest, 6 de março de 2026

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