EUA vão lançar investigações comerciais à UE e China para contornar "chumbo" das tarifas
Enquanto
estiveram em vigor, as sobretaxas alfandegárias 'chumbadas' pelo Supremo
geraram 166 mil milhões de dólares em receitas para o governo federal
O governo norte-americano lançou esta quinta-feira uma
investigação comercial sobre a produção industrial em países estrangeiros,
visando contornar o 'chumbo' do Supremo Tribunal à aplicação pelo presidente
Donald Trump de sobretaxas alfandegárias invocando o estado de emergência
económica.
As investigações são lançadas ao abrigo da Lei do Comércio
de 1974, o que poderá eventualmente levar a
novas tarifas de importação, mas o representante da Casa Branca para
o Comércio, Jamieson Greer, recusou antecipar o resultado do processo.
As primeiras investigações, referiu, "vão focar-se em
economias onde as evidências parecem apontar para uma sobrecapacidade
estrutural".
"A política continua a ser a mesma - as ferramentas
podem mudar, dependendo (...) das vicissitudes dos tribunais e outras
coisas", disse Greer, numa teleconferência com jornalistas, sublinhando
que o objetivo de fundo era proteger postos de
trabalho norte-americanos.
Enquanto estiveram em vigor, as sobretaxas alfandegárias
'chumbadas' pelo Supremo geraram
166 mil milhões de dólares (143,8 mil milhões de euros) em receitas para
o governo federal, que podem agora ser reembolsadas.
Trump e a sua equipa admitiram que procuram com o novo
processo, utilizando leis diferentes para estabelecer novas tarifas, substituir
centenas de milhares de milhões de dólares em receitas perdidas após a decisão
do Supremo em fevereiro.
Logo após a decisão, o governo impôs tarifas de 10% sobre os
bens estrangeiros ao abrigo da Lei do Comércio de 1974, mas estas tarifas
expiram ao fim de 150 dias, a 24 de julho. Trump afirmou que planeava aumentar
esta taxa de importação para 15%, mas ainda não o fez.
Greer afirmou que o governo irá basear-se na nova
investigação, que tem um prazo de 150 dias, para apresentar "opções
potenciais" a Trump o mais rapidamente possível.
As sobretaxas alfandegárias revogadas levaram a novos
acordos com os parceiros comerciais norte-americanos - e não é claro qual o
impacto que um novo conjunto de impostos de importação poderá ter sobre estes
acordos.
Greer descreveu os acordos comerciais como distintos da nova
investigação, que irá examinar o excesso de capacidade industrial e o apoio
governamental que podem dar às empresas estrangeiras uma vantagem injusta sobre
as concorrentes norte-americanas.
As entidades sujeitas à investigação incluem a China, a
União Europeia, Singapura, a Suíça, a Noruega, a Indonésia, a Malásia, o
Camboja, a Tailândia, a Coreia do Sul, o Vietname, Taiwan, o Bangladesh, o
México, o Japão e a Índia.
Washington investigará o que considera serem excedentes
comerciais persistentes com os Estados Unidos e políticas como os subsídios e a
supressão dos salários dos trabalhadores, entre outros fatores.
Foi ainda iniciada uma investigação para proibir a
importação de bens produzidos por trabalho forçado.
Greer indicou que poderão existir investigações adicionais
sobre questões como os impostos sobre os serviços digitais, os preços dos
medicamentos e a poluição oceânica, entre outras.
As investigações, adiantou, serão independentes dos acordos
comerciais anunciados no ano passado por Trump, que estabeleceram tarifas
mínimas, resultando em taxas de 15% sobre produtos da União Europeia, Japão e
Coreia do Sul, entre outros, e que já foram revogadas pelo Supremo Tribunal.
Ainda assim, sugeriu que estes acordos podem influenciar as
negociações.
"A minha impressão é que estes países continuam a
querer negociar, e o presidente Trump continua a querer o acordo", disse
Greer.

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