Imagem de Nuno Melo a beijar a mão de embaixador israelita é real?
Uma
imagem viral no X (antigo Twitter) mostra Nuno Melo num beija-mão ao embaixador
de Israel, Oren Rozenblat. Confia no que os seus olhos veem? A SIC Verifica
A imagem está a ser partilhada no X (antigo Twitter), mas
também há registos no Facebook, onde uma das publicações já tem dezenas de
partilhas, gostos e comentários.
No X questiona-se se se trata de "sionismo cristão ou
demência precoce", já no Facebook aponta-se como certeza que "o Melo
beijou a mão ao porco sionista" e deixa-se a insinuação: "imagino o
que terá feito Paulo Rangel..."
Tudo com uma aparente certeza de que a imagem é factual.
Mas será mesmo assim?
O facto de ser uma imagem com o logótipo da República
Portuguesa, mas apresentar falta de qualidade leva aos primeiros sinais de
dúvida de que a mesma possa ser real ou, pelo menos, publicada pelo governo.
Depois, uma pesquisa reversa pela imagem leva-nos aos registos oficiais do ministério
da Defesa publicados nas redes sociais oficiais no dia 27 de março de 2026.
"O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, recebeu em
audiência o Embaixador de Israel em Portugal, Oren Rezonblat, a solicitação
deste", lê-se.
Nestes registos, não há qualquer sinal de um beija-mão ao
embaixador israelita, pelo que não se confirma, por esta via, o gesto
retratado.
O Decopy AI 1 confirma isso mesmo: a imagem foi gerada através de IA com 100% de probabilidade.
A SIC Verifica que é...
Uma imagem viral nas redes sociais mostra o ministro da
Defesa Nuno Melo a beijar a mão do embaixador israelita. Trata-se de uma
manipulação criada por inteligência artificial feita a partir das imagens reais
de Melo com Oren Rezonblat.
Fonte: SIC Notícias, 31 de março de 2026
Na nova forma de fazer política — o ass kissing — uma fotografia dessas seria quase protocolar. Nas reuniões de limpeza de imagem, vontade de beijar era coisa que não faltava.
1. A Decopy AI apresenta-se como uma ferramenta online de escrita baseada em inteligência artificial, mas não disponibiliza, de forma clara e verificável, informação institucional básica sobre a sua origem. Em particular, não é possível identificar publicamente a sua sede, país de registo, entidade jurídica responsável ou equipa fundadora. O site oficial limita-se à descrição das funcionalidades do serviço, omitindo dados habitualmente associados à transparência empresarial.
Esta ausência de informação não é totalmente incomum no ecossistema recente de ferramentas digitais de IA, onde proliferam projetos de pequena escala, plataformas em fase inicial ou soluções baseadas em modelos reutilizáveis (white label). Ainda assim, levanta questões relevantes do ponto de vista da responsabilização e da fiabilidade.
Com efeito, a falta de identificação clara da entidade responsável pode implicar menor transparência quanto ao tratamento de dados, dificuldade em aferir a credibilidade do serviço e limitações na responsabilização legal em caso de problemas. Por essa razão, recomenda-se alguma cautela na utilização da plataforma, sobretudo no que respeita à introdução de conteúdos sensíveis ou de natureza pessoal, como a vida de ministros e embaixadores.




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