China tem tecnologia que poderá detetar submarinos nucleares americanos

Perry Mason (1957-1966) – Elaine Stewart

Este novo detetor de gravidade supercondutor funciona fora de laboratórios, aproximando da realidade a deteção de submarinos nucleares através da gravidade

Sensor chinês poderá detetar submarinos nucleares dos EUA através da gravidade

Cientistas chineses desenvolveram um novo detetor baseado na gravidade que poderá ser utilizado para detetar submarinos ocultos. Originalmente desenvolvido para investigação científica e exploração de recursos, o dispositivo poderá também ter importantes aplicações militares.

Baseado em algo chamado dispositivo de interferência quântica supercondutora (SQUID). Uma forma de magnetómetro, este dispositivo consegue, aparentemente, captar pequenas alterações na gravidade para, em teoria, encontrar submarinos.

Se totalmente desenvolvido, poderá, por exemplo, ser utilizado para ajudar a detetar submarinos americanos da classe Ohio com 18 000 toneladas.

O dispositivo é, na prática, uma massa flutuante sem fricção que se move quando a gravidade sofre ligeiras alterações. Na essência, o dispositivo funciona suspendendo um pequeno objeto no ar e eliminando (tanto quanto possível) quaisquer efeitos de fricção sobre ele.

Quando a gravidade muda ligeiramente (ou seja, quando um objeto se move nas proximidades), isso faz com que o objeto se mova muito ligeiramente. Qualquer movimento desta massa pode ser medido com enorme precisão.

Utilizar a gravidade para detetar submarinos

E a medição é a parte realmente difícil, explicam os investigadores. Para tornar isto possível, a equipa utilizou algo chamado Efeito Meissner. Trata-se de um fenómeno em que, quando certos materiais ficam extremamente frios, deixam de permitir a passagem de campos magnéticos e passam, em vez disso, a repelir ímanes.

Assim, ao usar materiais supercondutores que conseguem repelir campos magnéticos, o dispositivo permite que ímanes levitem sobre os supercondutores. Isto proporciona propriedades sem fricção e elimina também qualquer “ruído” mecânico.

Esta configuração acaba também por ser um sistema de deteção de movimento ultrassensível, ideal para deteção de gravidade. De facto, a equipa argumenta que este poderá ser um dos “instrumentos de pesagem” mais sensíveis alguma vez construídos.

Exceto que não mede massa diretamente, mas sim algo chamado ruído de medição do gradiente de gravidade. O novo dispositivo não mede apenas a gravidade, consegue medir diferenças de gravidade no espaço.

Assim, assumindo uma gravidade “de fundo” de, por exemplo, 9.800000000, quando um submarino passa perto do dispositivo, a leitura altera-se de forma impercetível, talvez para algo como 9.800000002. Trata-se de uma diferença extremamente pequena, mas suficiente para o detetor perceber que algo está a acontecer.

E, mais importante, este tipo de método de deteção não pode ser evitado ou falsificado. Métodos tradicionais de deteção de submarinos, como sonar, radar ou deteção magnética, podem, em parte, ser contrariados com as contramedidas adequadas.

Não é possível esconder a massa

Mas um submarino é também um objeto pesado e não pode ser escondido no que diz respeito aos seus efeitos na gravidade. E também não é concebível que a massa possa ser “desligada”, reduzida ou absorvida.

No entanto, como a equipa refere, isto ainda está numa fase experimental. O dispositivo ainda não é suficientemente sensível para ser utilizado em cenários como a deteção de submarinos. Ainda assim, os investigadores explicam que estão a aproximar-se desse objetivo todos os dias.

Outro elemento interessante da investigação é que o dispositivo foi testado fora de ambientes laboratoriais “altamente controlados”. Isto é relevante, uma vez que detetores deste tipo são muito sensíveis a fatores como passos, veículos em movimento, vento, ondas e até sismos.

Se a tecnologia puder ser validada neste tipo de ambientes com “ruído de sinal”, então deverá funcionar bem em navios, aeronaves e drones. Algo que será particularmente interessante para planeadores militares, por razões óbvias.

Fonte: Pplware, 6 de abril de 2026

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