Estados Unidos investigam eutanásia de Noelia Castillo em Espanha

O governo norte-americano solicitou uma investigação à morte da espanhola Noelia Castillo, que recorreu à eutanásia na passada quinta-feira

O Departamento de Estado pediu à embaixada dos EUA em Madrid que abrisse uma investigação para recolher informações sobre o caso, avança esta quarta-feira o jornal New York Post, que teve acesso às comunicações.

A administração de Donald Trump pediu ainda que fossem transmitidas ao governo espanhol “sérias preocupações” com as “muitas falhas sistémicas em matéria de direitos humanos” que levaram Noelia Castillo a recorrer à morte medicamente assistida.

A disfuncionalidade familiar de Noelia levaram-na a viver afastada dos pais desde os 13 anos, sob tutela da Generalitat da Catalunha, em diversos centros de acolhimento de menores. Em 2022 jovem foi vítima de agressões sexuais na instituição onde residia, trauma que motivou uma tentativa de suicídio. Noelia atirou-se de um quinto andar e sobreviveu com paraplegia total da cintura para baixo. Esta sequela física sem possibilidade de recuperação provocou “dependência grave, dor e sofrimento crónico incapacitante” e acabou por motivar o pedido de eutanásia.

Os responsáveis norte-americanos questionam porque é que o caso não chegou à justiça.

“Estamos profundamente preocupados com as alegações de que a sra. Castillo foi repetidamente vítima de agressões sexuais enquanto se encontrava sob a tutela do Estado e de que nenhum dos agressores foi levado à justiça", lê-se na mensagem a que o New York Post teve acesso.

Além disso, indicam que Noelia Castillo manifestou “dúvidas” sobre o procedimento “nas suas últimas horas”, mas que esses sinais terão sido ignorados.

A imprensa espanhola cita o jornal norte-americano, sem adiantar quaisquer detalhes sobre esta suposta hesitação.

O El Mundo escreve que o caso foi aprovado pela Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha, o comité independente que analisa e aprova cada pedido de morte assistida, seguindo todos os preceitos estabelecidos pela lei da eutanásia.

Noelia Castillo morreu na passada quinta-feira, aos 25 anos no Hospital Residencial Sant Camil, em Barcelona, depois de esperar mais de 600 dias pela eutanásia.

A jovem catalã teve de enfrentar o pai numa batalha judicial de dois anos que passou pelo Supremo Tribunal, Tribunal Constitucional e até pelo Tribunal de Direitos Humanos de Estrasburgo, que acabaram por autorizá-la a avançar com o procedimento.

Gerónimo Castillo alegou que a filha não tinha capacidades psicológicas para tomar a decisão de pôr termo à vida, mas várias avaliações médicas asseguraram que a jovem estava na inteira posse das suas faculdades mentais.

O processo de 15 minutos e consiste na administração de um cocktail de três fármacos diferentes. A lei permite que a pessoa esteja acompanhada, mas Noelia pediu expressamente que os seus pais não estivessem presentes.

Fonte: SIC Notícias, 1 de abril de 2026

Os americanos não têm de se preocupar “em matéria de direitos humanos”. Eles estão assegurados em todo o lado.

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