Eurodeputada franco-palestiniana detida por apologia do terrorismo
Uma
eurodeputada Rima Hassan foi detida em Paris por apologia do terrorismo,
noticiaram esta quinta-feira os meios de comunicação franceses
"Foi intimada a comparecer sob o regime de detenção
preventiva, o que é espantoso, dado que sempre compareceu a todas as suas
intimações", disse à agência de notícias France-Presse uma fonte
sob condição de anonimato do partido de extrema-esquerda França Insubmissa
(LFI), ao qual pertence Rima Hassan, confirmando uma informação publicada no
jornal francês Le Parisien.
Segundo o Le Parisien, Rima Hassan foi detida no
âmbito de uma investigação sobre uma publicação que teria feito nas redes
sociais em referência a um dos autores de um atentado contra o aeroporto de
Telavive em 1972.
Na publicação datada de 26 de março, a eurodeputada fez
referência ao terrorista Kozo Okamoto, antigo membro do Exército Vermelho
Japonês, que foi condenado pelo massacre de 26 passageiros no aeroporto
Internacional Ben Gurion em Israel.
Após ser intimada pela polícia, a eurodeputada apagou a publicação.
Rima Hassan já tinha sido interrogada pela polícia de Paris há dois anos pelo mesmo motivo.
A investigação de 2024 foi aberta na sequência de uma
entrevista no final de novembro ao meio de comunicação francês Le Crayon,
na qual Rima Hassan considerava verdade que o grupo islamita palestiniano Hamas
tinha medidas legítimas contra Israel, o que Hassan denunciou como uma edição
enganosa da sua resposta.
O Hamas é considerado uma organização terrorista na União
Europeia (UE) e nos Estados Unidos, além de Israel.
Também a deputada do LFI, Mathilde Panot, foi chamada pela
polícia para prestar declarações no âmbito da mesma investigação.
Acusação criticava na altura Hassan pelo seu tom em
relação a Israel
A acusação criticava na altura Hassan pelo seu tom em
relação a Israel, um Estado que descreve como uma "entidade colonial
fascista", que acusa de "mentir todos os dias", e pela
utilização do 'slogan' "do rio (Jordão) ao mar (Mediterrâneo) a Palestina
será livre", expressão associada à destruição de Israel.
Hassan nasceu na Síria e passou a infância num campo de
refugiados palestinianos nos arredores de Aleppo, antes de imigrar para França
aos 10 anos, graças ao reagrupamento familiar.
Tornou-se relatora do Tribunal Nacional de Asilo francês
(CNDA, sigla em francês) e foi homenageada em 2022 pela Delegação
Interministerial para o Acolhimento e a Integração como uma "Mulher
Inspiradora".
No ano passado, participou na flotilha Global Sumud que
partiu em direção à Faixa de Gaza antes de ser intercetada por forças
israelitas.
Rima Hassan e outros ativistas que participaram na flotilha
que transportava ajuda humanitária acusaram as autoridades israelitas de
maus-tratos, agressões e abusos.
Fonte: SIC Notícias, 2 de abril de 2026


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