Porque é que os camiões elétricos chineses estão a deixar o resto do mundo para trás


Perry Mason (1957-1966) – William Hopper, Lisabeth Hush

Enquanto o Ocidente ainda debate a viabilidade dos camiões elétricos, a China já lidera esta transição com números impressionantes e boas infraestruturas. O avanço asiático vai redesenhar a logística global e desafiar os fabricantes europeus no seu próprio território

O crescimento exponencial dos camiões elétricos na China

Em 2025, quase 30% dos camiões pesados vendidos na China foram elétricos ou movidos a novas energias, um salto massivo face aos escassos 0,7% registados em 2021. Em contrapartida, na Europa, a quota de mercado permanece estagnada abaixo dos 5%.

Esta rapidez deve-se a políticas governamentais rigorosas, que impuseram limites de poluição a indústrias-chave, e a subsídios que tornaram os custos operacionais destes veículos um terço mais baratos do que os modelos a gasóleo. Embora o preço de compra seja mais elevado, o investimento é amortizado em apenas dois anos devido à eficiência energética.

Para sustentar esta frota, a China criou “corredores verdes” com milhares de quilómetros e redes de carregamento dedicadas. Um dos grandes trunfos tecnológicos é a troca de bateria em apenas cinco minutos, tecnologia promovida pela gigante CATL, que resolve o problema crítico do tempo de imobilização.

Embora a autonomia ainda seja limitada para percursos de longo curso (200 a 300 quilómetros por carga) a eficácia em zonas portuárias e rotas industriais fixas já está amplamente comprovada.

A ofensiva comercial no mercado europeu

A partir de 2026, vários fabricantes chineses, como a BYD, a Sany e a Farizon, planeiam entrar na Europa com preços até 30% inferiores aos da concorrência local. Além da vantagem financeira, a rapidez de desenvolvimento asiática é alarmante para a indústria tradicional.

Enquanto as marcas europeias demoram, em média, sete anos a completar o ciclo de desenvolvimento de novos camiões, as startups chinesas estão a fazê-lo em apenas três anos.

Este cenário coloca em alerta gigantes como a Volvo, a Daimler e a Scania. Estas empresas enfrentam agora o desafio de acelerar a inovação e reduzir custos, sob o risco de perderem o domínio de um setor importante para a economia do continente.

Fonte: Pplware, 7 de abril de 2026

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