UE acorda sanções contra responsáveis pelo bloqueio do estreito de Ormuz
A União
Europeia chegou hoje a acordo para alargar o regime de sanções contra o Irão para
que passe a cobrir responsáveis por violações da liberdade de navegação no
estreito de Ormuz, indicou a chefe da diplomacia do bloco
"A União Europeia (UE) já dispõe de sanções abrangentes
contra o Irão, mas hoje chegámos ao acordo político de alargar o nosso regime
de sanções, de modo a também visar os responsáveis por violações da liberdade
de navegação", anunciou Kaja Kallas em conferência de imprensa após uma
reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo.
Kaja Kallas frisou que, durante a reunião, os ministros
"foram claros na ideia de que a liberdade de navegação não é
negociável" e consideraram que "as reviravoltas diárias sobre se o
estreito de Ormuz está aberto ou fechado são imprudentes".
"A navegação no estreito de Ormuz deve permanecer livre
de encargos. A Europa vai desempenhar o seu
papel no restabelecimento do livre fluxo de energia e de comércio assim que as
condições o permitirem", referiu.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e
Política de Segurança acrescentou que a operação
naval "Aspides", que opera atualmente no mar Vermelho, é a
"forma mais rápida" que o bloco tem para "proteger navios na
região" e salientou que, na reunião de hoje, pediu aos ministros para
disponibilizarem mais meios para essa missão.
Questionada sobre quando é que essas sanções contra
responsáveis por violações da liberdade de navegação devem entrar em vigor,
Kaja Kallas afirmou que "o trabalho está em curso".
"Há um acordo político, mas
agora tem de haver trabalho jurídico. Estamos a apontar para o
Conselho de Negócios Estrangeiros de maio", referiu.
Sobre a questão mais geral das guerras em curso no Médio
Oriente, Kaja Kallas considerou que a região está "num momento tanto de
risco como de oportunidade", salientando que os cessar-fogos tanto no Irão
como no Líbano estão a ser essencialmente respeitados, "mas contêm uma
data de expiração muito próxima".
"Se os combates retomarem esta noite, isso terá um
custo muito grande para todos, e é por isso que é importante que a nova ronda
de negociações [entre os Estados Unidos e o Irão] aconteça", frisou.
A chefe da diplomacia da UE afirmou que "ninguém quer ver um Irão com a bomba atómica"
e referiu que o bloco europeu concorda também com os seus parceiros regionais,
designadamente os países do Golfo Pérsico, de que "qualquer acordo duradouro deve também abordar outras
questões para além da nuclear, incluindo o programa de mísseis do Irão e o seu
contínuo apoio a grupos terroristas".
"Essas são prioridades centrais", disse.
A incerteza quanto à realização de uma segunda ronda de
negociações entre Teerão e Washington, depois do primeiro encontro direto
realizado nos dias 11 e 12 de abril, em Islamabad, persiste desde o domingo
passado.
O presidente norte-americano, Donald Trump, classificou nas
últimas horas como "altamente improvável" um prolongamento do
cessar-fogo, que entrou em vigor a 8 de abril e que irá terminar na
quarta-feira, e advertiu que retomará os ataques se as negociações não
avançarem.
Por seu lado, a radiotelevisão estatal iraniana garantiu que
nenhuma delegação viajou para o Paquistão, enquanto responsáveis políticos de
Teerão reiteraram que não vão negociar sob a pressão de ameaças.
Após o fracasso das primeiras negociações em Islamabad, o presidente
norte-americano, Donald Trump, ordenou um
bloqueio aos portos iranianos, a que Teerão respondeu com o
restabelecimento das restrições à navegação no estreito de Ormuz, rota crucial
para o comércio global de petróleo e de outras matérias-primas.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro uma
ofensiva militar de grande envergadura contra o Irão.
Teerão respondeu com ataques contra interesses
norte-americanos e israelitas nos países do Golfo Pérsico, além de bloquear o
estreito de Ormuz, o que fez disparar os preços do petróleo.
Fonte: Diário de Notícias da Madeira, 21 de abril de 2026

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