Dix, flop, old, delulu, cringe: o que significam as palavras mais usadas pela Geração Z

 

Elsa Bellucci

Estas gírias não nascem nos dicionários, mas no feed. TikTok, Reddit e Instagram funcionam como os escritórios de criação não oficiais da Geração Z, onde cada expressão ganha tração, viraliza e muda de significado em poucos cliques

Nascida entre 1997 e 2012, a Geração Z cresceu rodeada de ecrãs, Wi-Fi e notificações constantes. Isso influenciou tudo: desde a forma como comunica até ao que espera de uma marca ou de um chefe.

Com mil separadores abertos (na mente e no navegador), estes jovens privilegiam o que é rápido, direto e oferece algum tipo de recompensa — nem que seja um meme novo a meio do dia.

A linguagem entrou nessa dinâmica. Palavras como “old”, “delulu” e “juro” tornaram-se códigos quase secretos para exprimir tudo, desde vergonha alheia até fantasias improváveis (mas com estilo).

Estas gírias não surgem nos dicionários, mas no fluxo constante das redes. TikTok, Reddit e Instagram são os seus laboratórios informais, onde cada termo pode nascer, espalhar-se e transformar-se em tempo real.

No fim, falar “Zês” é quase como aprender uma nova língua — só que com menos regras e muitos mais emojis.

Confira o significado das expressões da Gen Z:

• Old – na tradução literal, significa “velho”, mas entre a Geração Z é usado para indicar algo que já é amplamente conhecido ou que aconteceu há bastante tempo. Quando alguém partilha uma notícia antiga e se responde “old”, está-se basicamente a dizer que isso já não é novidade.

• Flop – utilizado para descrever algo que não teve sucesso ou que falhou. Por exemplo, uma festa sem pessoas ou sem ambiente pode ser considerada um “flop”, ou seja, um fracasso total.

• FOMO – é o acrónimo de Fear of Missing Out, que pode ser traduzido pelo medo de perder algo. Popular no vocabulário do marketing – os anunciantes usam-no para persuadir os consumidores de que estão a perder algo ao não adquirirem certo artigo – FOMO ganhou força nas redes sociais. As plataformas passaram a usá-lo para atrair os utilizadores e a convencê-los a fazer visitas várias vezes ao dia, colocando mesmo em causa outros compromissos.

Os públicos mais atingidos são os pré-adolescentes, os adolescentes e os jovens adultos, que acabam por recear não conseguirem encontrar-se com os amigos ou estarem abaixo destes no que toca a experiências compensadoras. Os receios passam ainda por ser deixado de fora ou ser alvo de piadas. A origem do FOMO remonta a 1996 e deve-se a Dan Herman, estratega do marketing que acabaria por abordar o fenómeno numa pesquisa académica, onde aborda o uso do telemóvel, das mensagens de texto e das redes sociais.

• JOMO – o oposto de FOMO, Joy Of Missing Out traduz-se como “prazer de ficar de fora”. Refere-se à satisfação de optar por não participar em eventos sociais, privilegiando momentos de tranquilidade.

• Dix – expressão usada para designar um perfil secreto nas redes sociais, geralmente reservado a amigos próximos — uma espécie de conta privada ou restrita, comum em plataformas como o Instagram.

• Delulu – derivado de delusional (“delirante”), descreve alguém com expectativas exageradas ou irrealistas, como acreditar que vai ganhar a lotaria sem qualquer fundamento plausível.

  Cringe – refere-se a um sentimento de vergonha alheia, sentido quando alguém se comporta de forma constrangedora ou pouco consciente.

  Soft block – descreve a ação de afastar ou ignorar alguém nas redes sociais de forma subtil, removendo essa pessoa da lista de seguidores sem a bloquear diretamente.

  Tankar – termo com origem no universo dos jogos online, onde “tank” designa uma personagem resistente a danos. “Tankar” algo significa aguentar ou suportar uma situação difícil ou desconfortável.

  Iconic – usado para descrever algo ou alguém extremamente reconhecível e admirado pelas suas características únicas ou marcantes; algo que se torna simbólico.

  10/10 – indica perfeição, sendo utilizado para atribuir a pontuação máxima a algo ou alguém, seja um estilo, uma performance ou uma qualidade impressionante.

  Foi de arrasto – expressão que significa que algo ou alguém chegou ao fim ou se perdeu. Pode também ser usada de forma figurada, por exemplo, para indicar que alguém morreu.

  Boomer – originalmente referia-se à geração nascida entre 1946 e 1964, mas hoje é usado, muitas vezes de forma irónica, para caracterizar atitudes ou opiniões vistas como ultrapassadas pela Geração Z.

  Biscoiteiro – refere-se a alguém que procura constantemente validação ou atenção nas redes sociais, fazendo publicações ou ações com o objetivo de obter “gostos” ou elogios.

  Clean girl – estilo que privilegia uma aparência natural, mas cuidada e elegante, com maquilhagem discreta, cabelo arranjado e roupa simples, mas sofisticada.

  Cancelado – usado quando alguém perde credibilidade ou respeito após cometer um erro grave ou assumir posições controversas, sobretudo nas redes sociais.

  Exposed – refere-se a situações em que um segredo ou comportamento negativo de alguém é tornado público, expondo essa pessoa a críticas.

  Gado demais – expressão usada para descrever alguém que demonstra uma dedicação excessiva ou submissa, geralmente tentando agradar outra pessoa a todo o custo.

  Hype – designa a atenção intensa e a popularidade momentânea de algo ou alguém, especialmente quando está “na moda” ou muito comentado.

  Jantou – utilizado quando alguém apresenta um argumento ou resposta tão forte que “desarma” ou vence claramente o outro numa discussão.

  Pick me – descreve uma pessoa que procura constantemente chamar a atenção e agradar os outros de forma exagerada, normalmente para ser escolhida ou validada por um determinado grupo.

  Hitou – significa que algo ou alguém se tornou viral ou teve grande sucesso nas redes sociais, sendo amplamente comentado.

  Juro – usado como gíria para afirmar algo com grande convicção, equivalente a “a sério” ou “é mesmo verdade”. É comum em contextos informais e nas redes sociais, como o TikTok.

  No cap – significa “sem mentira” ou “a sério”, usado para reforçar que algo é verdade ou dito com total sinceridade.

  Rizz – refere-se a carisma, sobretudo na capacidade de seduzir ou flirtar; deriva de charisma.

  Slay – significa “arrasar”, fazer algo extremamente bem ou destacar-se de forma impressionante. Este termo descreve alguém excecional ou que fez algo notável. Pode surgir como verbo em frases como “she’s slaying that dress” (“aquele vestido fica-lhe mesmo a matar”) ou como substantivo. No último caso, um exemplo será “the latest Taylor Swift álbum is so slay” (“o último álbum da Taylor Swift é mesmo bom”). Slay é ainda usado no contexto da justiça social, destacando a expressão “slay the patriarchy”, que instiga a desafiar e a acabar com o sistema sexista e opressor do patriarcado.

Quanto à origem, pensa-se que o termo surgiu na comunidade LGBTQ+ afroamericana, na década de 1980. Na altura era escolhido como forma de demonstrar admiração por alguém excelente num show de drag, numa prova de dança ou outra performance. Slay acabou por popularizar-se através da ballroom, subcultura que celebrava e mostrava artistas LGBTQ+, sobretudo os latinos e afroamericanos.

  Coringar – expressão mais típica do Brasil, que significa enlouquecer ou perder o controlo emocional, numa referência ao Coringa (Joker, um dos inimigos de Batman).

  Ghosting – descreve o ato de desaparecer ou cortar contacto com alguém sem explicação, ignorando mensagens ou tentativas de comunicação.

• Periodt – a geração Z recorre a este termo para dar ênfase a uma afirmação ou indicar que algo é final e inegociável. Usado para expressar concordância e assertividade, Periodt significa que não há discussão possível. A palavra nasceu no Inglês Vernáculo Afroamericano e tornou-se popular nas comunidades homossexuais da etnia. É uma variação de “period”, substantivo usado para colocar um ponto final numa frase ou enfatizar uma declaração.

A adição da letra T no fim da palavra serve para dar ainda mais força ao que se diz. Antes do aparecimento de Periodt, recorria-se a frases como “That’s a fact” (“É um facto”), “No doubt” (“Sem dúvida”) ou “Absolutely” (“Absolutamente”). Apesar de terem a mesma finalidade, estas expressões careciam da assertividade que Periodt fornece.

Em alternativa, a Geração Z usa “No cap”, que significa que algo é verdadeiro e não exagerado e “Facts Only”, que destaca os factos como base de uma verdade inegável. Periodt é hoje usado nas redes sociais, sobretudo no X e no TikTok, tendo-se estendido até ao vocabulário do local de trabalho.

• Iykyk – eis um acrónimo usado depois de uma afirmação e outra forma de conteúdo para indicar que se trata de uma “private joke” ou referência a algo que apenas os membros de certo grupo irão entender. Em extenso “If You Know You Know” (algo como “quem sabe, sabe” ou “só para quem sabe”) surge, de modo geral, sem qualquer explicação adicional.

O acrónimo cria um sentido de camaradagem e pertença, sem divulgar detalhes sobre o tema abordado. A origem do IYKYK é discutível, mas o seu uso generalizou-se no final da década de 2010 e no arranque da seguinte, sobretudo entre as comunidades mais jovens e online. Apesar de tudo, o acrónimo ultrapassou as fronteiras virtuais e faz hoje parte do discurso quotidiano e da cultura popular.

• Gatekeep / gatekeep gaslight / girlboss – segundo o Urban Dictionary, gatekeeping significa o poder de alguém decidir se outrem acede a determinada comunidade ou identidade. Basicamente, é uma prática que inclui e exclui outros. Se, por exemplo, alguém diz que adora um artista, o “gatekeeper” (“guarda” ou “segurança”) poderá responder: “Ah, sim? Então nomeia cinco álbuns dele”. Esta espécie de interrogatório poderá levar mesmo a que a pessoa se sinta inferior e diminuída. Já o termo Gaslighting teve origem no thriller psicológico de 1944 Gaslight.

O filme conta a história de um homem que manipula e convence a mulher de que esta está a enlouquecer. Assim, gaslighting é isso mesmo: a manipulação do outro em proveito próprio. Tal pode ocorrer, entre outros, em relações românticas, relações familiares ou políticos.

Estamos perante uma forma de abuso psicológico, que muitas vezes passa despercebido. Os alertas passam por mentiras constantes, esquivar-se a responsabilidade e negação recorrente. As vítimas apresentam diversos sinais, como a falta de autoconfiança, a dificuldade em tomar decisões simples, o isolamento, a defesa do comportamento do abusar e sentimentos de falta de valor. O gaslighting não é apenas uma palavra, é uma forma de abuso séria, que pode levar mesmo à depressão e a trauma. As vítimas devem sempre procurar ajuda, quer seja na terapia de casais ou em casos mais graves para acabar com estas relações tóxicas. Em 2022, o Merriam-Webster elegeu “gaslighting” a palavra do ano. “Nesta época de desinformação – fake news, teorias da conspiração, trolls no Twitter e deepfakes – o gaslighting emerge como a palavra que define os nossos tempos”, declarou o responsável pela editora.

Por fim, o termo girlboss surgiu por volta de 2014 como um movimento destinado a desmantelar padrões patriarcais na área dos negócios. Tudo começou com o livro #Girlboss de Sophia Amoruso, que introduziu o conceito nos média ao contar a história de uma conta de eBay que se transformou numa marca bem-sucedida de fast fashion. O termo pretendia empoderar as mulheres nos seus sonhos de empreendedorismo, ajudando-as a ganhar espaço num mundo dominado por homens. Apesar de bem-intencionado, o girlboss acabou por dar origem a uma cultura laboral tóxica e demasiado exigente, com a premissa de que se não tinha sucesso era porque não se esforçava o suficiente.

Já a expressão com os três termos em conjunto é uma referência ao lema "Live, Laugh, Love", que remonta ao poema Sucess de Bessie Anderson Stanley, de 1904, mas viu a sua popularidade crescer no início da década de 2010 como um slogan de positividade.

• Cook – eis uma expressão com várias conotações. Quando se diz “let him cook”, isto significa um pedido para não interromper alguém que está a fazer algo bom. Mas nem só de incentivos vive o cook. Se leres “he’s being cooked”, ficas a saber que alguém está a ser derrotado, geralmente de forma embaraçosa. A criação deste meme é atribuída a Lil B. Em 2010, o rapper publicou um vídeo no YouTube a explicar o significado da palavra que tantas vezes usava: dar tempo e cuidar.

O post falava ainda da expressão “let that boy cook” e conseguiu atingir quase 3 milhões de visualizações. Hoje, o meme é popular em resposta a publicações sobre flirting, opiniões controversas e eventos desportivos. Pode ainda ser usado num post original e de forma sincera ou sarcástica. A conotação depende do resto do conteúdo, como fotos e vídeos.

• Highkey-lowkey – estes são dois termos opostos. Se lowkey serve para descrever algo que é feito ou se assume de forma subtil ou modesta, highkey significa exatamente o contrário. Lowkey surge para mencionar uma coisa que não é óbvia ou que não quer atrair muita atenção. Quando alguém diz ser lowkey acerca de algo, isso quer dizer que o viveu calmamente, sem lhe dar grande importância, incluindo sentimentos, planos e até obsessões. Já highkey é sinónimo de muito, tanto para o bem como para o mal. A palavra pode ser usada, por exemplo, para criticar um filme: “it was highkey bad” (“foi muito mau”).

Ambos os termos nasceram no Inglês Vernáculo Afroamericano. Highkey – que também se pode escrever high-key- emergiu na cultura hip-hop e tem visto a sua popularidade aumentar entre os utilizadores das redes sociais. Não se sabe precisamente quando surgiu, mas o uso generalizou-se em meados da década de 2010. Já a origem de lowkey – estilizado low-key – é bem diferente, pensando-se que se relaciona com a música. A palavra surge para definir um tom obscuro, mais baixo e profundo, sendo referida no romance Martin Chuzzlewit, de Charles Dickens. Ao livro publicado em 1844 junta-se ainda no século XIX o uso de lowkey para designar o tom de voz suave e sussurrado. Já em 1890, a expressão começa a ser usada de forma metafórica para referir algo calmo ou modesto. Um século mais tarde, o significado expandiu-se para referir um estado de espírito cool e descontraído.

• Era – no seu sentido restrito, Era significa um determinado período de tempo. Já como termo usado nas redes sociais descreve também uma janela temporal, mas em que é algo é notavelmente diferente, quer sejam interesses, relações ou feitos, tanto na negativa como na positiva.

A Era tem sucesso no Instagram e na rede X, mas é realmente popular no TikTok, plataforma onde se estreou. Influencers e outros utilizadores começaram a usar esta palavra que chegou ao vocabulário inglês em 1615 para rotular períodos específicos da sua vida pessoal ou profissional.

Claro que Taylor Swift teve muita responsabilidade neste sucesso ao anunciar a sua The Eras Tour em novembro de 2022, digressão em que celebra e canta temas de várias fases da sua carreira. Apesar de usado na maioria das vezes em frases pessoais ou memes, "era" é também utilizada num contexto cultural dito sério. Pode, por exemplo, dizer-se que vivemos na era das redes sociais.

• POV – este é o acrónimo de “point of view” (em português, “ponto de vista”) e é um dos termos mais populares na Internet. Aparece sobretudo nos Reels do Instagram e nos vídeos do TikTok, sendo a respetiva hashtag usada em conteúdos imersivos, com os quais os destinatários se identificam. Marca ainda presença em fotos com prints do WhatsApp, mensagens do Instagram ou Shorts do YouTube e Facebook.

POV pode referir-se à posição da câmara, mas à opinião do criador de conteúdo em relação a determinado assunto. Apesar do sucesso nas redes sociais, o acrónimo nasceu na literatura para designar se a história é contada por uma personagem ou por um narrador. No cinema, passa-se precisamente o mesmo. A escolha do realizador faz com que o público aceda ao ponto de vista de uma personagem específica, como se estivesse a assistir à situação pelos seus olhos, o que promove a empatia com essa mesma personagem. Nas redes sociais, a ideia é idêntica. Com esta hashtag, os produtores de conteúdo na Internet partilham experiências e relatos, retratam cenas de filmes e séries ou situações vivenciadas por outros. Um dos objetivos é criar uma ligação com quem assiste ao vídeo e assim conquistar uma audiência fiel.

• STAN – junta “stalker” (em português, “perseguidor”) e “fan” (em português, “fã”) e obténs STAN, expressão usada para referir alguém que adora e dedica muito da sua vida a uma celebridade ou figura pública. Já presente no dicionário Oxford, a palavra teve origem na música homónima de Eminem, em parceria com a cantora Dido.

O tema lançado em 2000 foi o terceiro single do álbum The Marshall Mathers LP e alcançou a primeira posição em diversas tabelas de vendas em todo o mundo. “Stan” fala de um fã obsessivamente perigoso e identifica, na atualidade, os seguidores de Beyoncé, Ariana Grande, Taylor Swift e dos extintos One Direction. Apesar do acrónimo ser usado, de modo geral, para referir fãs apaixonados e inofensivos, pode ter – tal como o tema de Eminem – uma conotação negativa, mencionando, por exemplo, o cyberbulling.

• GOAT – Muhammad Ali é o responsável por este acrónimo hoje muito popular na Internet. O famoso pugilista ficou conhecido como “The Greatest” (em português, “O Maior/O Melhor”), título que viria a transformar-se em “The Greatest of All Time” (em português, “O Maior/Melhor de Todos os Tempos”). E é exatamente isto que GOAT significa.

O termo foi, já em 2000, usado no álbum do rapper LL Cool J - G.O.A.T: featuring James T. Smith: The Greatest of All Time. O acrónimo não se aplica, pois, a qualquer um, descrevendo apenas pessoas excecionais na sua profissão, como atletas, músicos ou atores. Recentemente, durante os Jogos Olímpicos de Paris, Simone Biles recebeu este elogio de Barack Obama num post feito pelo antigo presidente dos Estados Unidos na rede social X. Apesar de não estar relacionado com um bode (que em inglês, se diz goat), o acrónimo é lido da mesma forma e é representado na Internet com o emoji alusivo ao animal.

• TL; DR – se não tens muita paciência para lençóis de texto, esta é a tua sigla. TL; DR significa “Too Long, Didn’t Read”, ou seja, “Demasiado Longo, Não Li” e surge frequentemente em posts nas redes sociais, em artigos online, publicações em blogues, mensagens de texto, emails e comentários a diversos conteúdos.

É usado, de forma geral, em duas vertentes: para resumir conteúdo e para indicar que a pessoa que reagiu a um conteúdo não o leu por completo ou nem sequer na diagonal. TL; DR – que pode ainda apresentar-se como TLDR e mais raramente como tldr – serve para resumir conteúdo de várias formas. O autor pode, por exemplo, acrescentar uma secção TL; DR a um conteúdo longo ou complexo – no seu início ou fim - resumindo assim o mesmo. Este apanhado surge, de modo geral, em formato de lista de tópicos que foca os pontos principais do texto.

Um criador de conteúdo pode ainda usar um curto TL; DR para fazer referência às suas fontes; quer dentro do corpo principal, quer num comentário em resposta ao texto. Por último, mas não menos importante, o TL; DR pode ser incluído no comentário a um conteúdo online para indicar que a pessoa não teve tempo para ler tudo, que o acharam demasiado longo ou que nem se deram ao trabalho de o ler sequer. Graças a este uso, o TL; DR é na maioria das vezes visto como uma crítica a um determinado conteúdo ou um sarcasmo intencional.

• TMI – é certo que as redes sociais são um excelente meio de mostrarmos o nosso quotidiano e espreitarmos a vida alheia sem um pingo de vergonha. Mas há limites, certo? É aí que entra esta sigla, que significa “Too Much Information”. Traduzindo de forma livre para português, estaremos perante algo como “Demasiada Informação”.

Esta expressão usa-se, pois, quando alguém entra em detalhes desnecessários, tantas vezes embaraçosos, da sua vida ou, pior ainda, da vida de outros. Em alguns comentários nas redes lê-se frequentes vezes: “OK, TMI, but that’s what happened…” (em português “Está certo, é Demasiada Informação, mas foi o que aconteceu”). TMI apareceu em 2002 no Urban Dictionary, depois de ter começado a fazer parte do jargão da Internet no final de 1990. O acrónimo terá sido usado pela primeira vez por um utilizador de nome DocGonzo, que o considerou uma forma de dizer que não precisas ou queres saber tanto sobre alguém.

Fonte: Exame, 14 de maio de 2025 / FNAC

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