Faziam-se passar por funcionários de fábrica para passar informações sobre tecnologia à China
A
polícia alemã deteve, esta quarta-feira, um casal sob a acusação de espionagem
para a China, alegando que procuravam informações sobre tecnologia avançada com
aplicações militares
O casal, cidadãos alemães identificados parcialmente como
Xuejun C. e Hua S., foi detido na cidade de Munique, no sul da Alemanha,
informou o Ministério Público Federal. A acusação alega que os dois
"trabalham para uma agência de informação chinesa".
As casas e locais de trabalho do casal foram alvo de buscas,
assim como outros locais na Alemanha.
O casal é acusado de ter
"estabelecido contacto com vários académicos em universidades e
instituições de investigação alemãs, em particular com cátedras nas áreas da
engenharia aeroespacial, ciência da computação e inteligência artificial".
Para estabelecer estes contactos, acredita-se que "se fizeram passar por
intérpretes ou funcionários de uma fábrica de automóveis". Alguns
cientistas foram "incentivados a viajar para a China sob o pretexto de dar
palestras remuneradas a um público civil", mas na verdade acabaram por
discursar para funcionários de fabricantes de armamento estatais, disseram os
procuradores.
Além das detenções dos suspeitos, os procuradores disseram
que estavam a ser tomadas medidas adicionais "em relação a um total de 10
pessoas que não são suspeitas de qualquer crime, mas são potenciais
testemunhas" em Berlim, Munique e várias outras localidades do país.
Segundo o jornal "Handelsblatt", Xuejun C.
tem 55 anos e é presidente da Associação Alemã-Chinesa para a Tecnologia,
Educação e Intercâmbio Cultural, em Munique. Acredita-se que tem laços
estreitos com uma universidade chinesa que colabora de perto com instituições
de investigação alemãs e que mantém relações com a indústria e a investigação
de defesa chinesas.
Outros casos
O especialista em segurança do partido de centro-direita
CDU, Roderich Kiesewetter, disse ao "Handelsblatt" que temia
que o mais recente caso de espionagem "seja apenas a ponta do icebergue,
porque a China está a proceder de forma muito deliberada, com uma perspetiva de
longo prazo e utilizando uma ampla rede de soft power".
Recentemente, têm ocorrido vários casos de espionagem de
alto nível na Alemanha ligados à China. Em fevereiro, um cidadão
norte-americano foi detido por um tribunal na cidade de Koblenz, no oeste do
país, por fornecer informações confidenciais à China enquanto trabalhava como
contratado civil numa base militar norte-americana.
Em setembro, um antigo conselheiro do político de
extrema-direita Maximilian Krah foi condenado a mais de quatro anos de prisão
depois de ter sido considerado culpado de atuar como agente de um serviço de
informações chinês enquanto trabalhava para Krah. Os procuradores abriram
também uma investigação contra o próprio Krah por alegações de que teria
recebido dinheiro da Rússia e da China durante o seu período como eurodeputado,
acusação que nega.
No início desta semana, o deputado alemão do Partido Verde,
Konstantin von Notz, vice-chefe do comité de supervisão dos serviços de
informação, alertou para uma crescente ameaça da China. "Estamos a
subestimar enormemente a energia e a agressividade com que a China está a agir
contra o Ocidente, incluindo contra a Europa e a Alemanha", disse num
podcast do site "Politico". Apontando para os laços da China com a
Rússia, acrescentou que "os autocratas têm
um interesse comum em forjar alianças e manter-se unidos contra o seu suposto
inimigo".
Fonte: Jornal de Notícias, 20 de maio de 2026
Estes chineses estão em todo o lado, até parecem americanos. Nos bons tempos dos espiões eram os sobrinhos do Tio Sam que trabalhavam como atarefadas formigas na coleção de segredos.

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