Último guarda a ver Epstein com vida diz que criminoso sexual recebeu "tratamento especial" na prisão
O artigo é escrito na presunção de que Tova Noel é um homem, enquadrando-o no debate atual sobre se a vagina faz a mulher
Alegou que Jeffrey Epstein recebeu lençóis extra, um aparelho para controlar a apneia do sono e medicamentos "que mais ninguém tinha", mas negou ter sido ele a fazê-lo, embora imagens não corroborem as suas declarações. Tova Noel falou ainda sobre os milhares de dólares que recebeu antes da morte do criminoso sexual
O antigo guarda prisional,
que acredita-se que tenha sido a última pessoa a ver Jeffrey Epstein com vida,
e que estava de serviço no dia em que o criminoso sexual morreu, em 2019, foi
chamado a testemunhar na segunda-feira perante o Comité de Supervisão da Câmara
dos Representantes nos Estados Unidos. Aos deputados, numa audiência que
decorreu à porta fechada, contou como o americano recebeu "tratamento
especial" na prisão.
"Acredito que [Epstein] recebeu tratamento diferenciado
em relação aos outros prisioneiros", começou por dizer o deputado
democrata Suhas Subramanyam, da Virgínia, ao ser questionado sobre o depoimento
de Tova Noel. "Jeffrey Epstein recebeu tratamento especial naquela
instituição."
Na audiência, Tova Novel afirmou que Epstein recebia lençóis
extra e um aparelho CPAP - para controlar a apneia do sono. Tinha, além disso,
acesso a "medicamentos de uma forma que mais ninguém tinha", contaram
os deputados democratas Suhas Subramanyam e e Melanie Stansbury.
Nas declarações prestadas em junho de 2021 ao inspetor-geral
do Departamento de Justiça, Tova Noel já tinha
garantido que "nunca
distribuiu lençóis". A sua posição é, no entanto, contrariada por um
relatório sobre a morte de Epstein, elaborado pelo mesmo inspetor e concluído
em 2023, com um vídeo que mostra que às 22h40 do dia 9 de agosto de 2019 um
guarda prisional, "supostamente Noel", distribuiu lençóis e roupas
pelos presos até ao andar onde ficava a cela de Epstein. Essa foi a última vez
que um guarda se aproximou do andar de Epstein, concluiu o relatório.
O deputado Subramanyam disse ainda acreditar
"plenamente" que Epstein suicidou-se, mas enfatizou que ainda existem
"questões em aberto" sobre como o terá conseguido fazer. "Porque
é que ele recebeu tratamento especial, como lençóis extra que usou para se
enforcar, sendo que ele havia tentado o suicídio apenas um mês antes? Essas são
as perguntas que precisamos de responder".
O antigo guarda foi ainda confrontado com a série de depósitos
que recebeu entre abril de 2018 e julho de 2019, que totalizaram 12 mil dólares
(cerca de 10 mil euros). Um deles foi realizado apenas 10 dias antes da morte
de Epstein. Sobre isso, "disse que as
transferências financeiras não têm nada a ver com Epstein".
"Acho que a única informação, talvez nova, é que ele sente que a sua
demissão foi injusta e que, se não fosse Jeffrey Epstein, não teria sido
demitido", adiantou a deputada Melanie Stansbury.
Também o FBI examinou os registos bancários de Noel, mas,
segundo as transcrições do grande júri divulgadas pelo Departamento de Justiça
ainda no início deste ano, não foi encontrada nenhuma evidência de suborno.
Subramanyam não deixa, no entanto, de acreditar que o
ex-guarda cometeu irregularidades ao não ter cumprido as suas obrigações.
"Ele não verificou o estado de Jeffrey Epstein como deveria e isso parece
ter sido um problema sistémico na instituição", criticou.
A autópsia realizada pelo médico legista de Nova Iorque
revela que Epstein morreu de suicídio mas há muito que uma série de erros
cometidos pelos funcionários da prisão têm alimentado teorias da conspiração
sobre a sua morte - nomeadamente a ideia de que Epstein teria sido assassinado
para impedir expor homens poderosos como o ex-presidente Bill Clinton ou o
atual chefe de Estado Donald Trump.
Alega-se também que Noel passou as horas antecedentes à
morte de Epstein na Internet, em vez de realizar a contagem obrigatória dos
presos na unidade onde o criminoso sexual estava detido. Sobre isso, o guarda
já tinha comentado em junho de 2021 que não se lembrava de ter pesquisado sobre
Epstein na Internet, mas não descartou a possibilidade de poder ter lido
algumas notícias.
Tova Noel foi demitido logo após a morte de Epstein, a 10 de agosto de
2019 e no mesmo ano foi acusado, juntamente com outro guarda prisional, de ter
falsificado os registos para fazer parecer que haviam realizado as verificações
necessárias. Acontece que ambos chegaram a acordo com os procuradores e as
acusações foram retiradas.
Fonte: Sábado, 19 de maio de 2026



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