A palavra "chocolate" está a desaparecer das embalagens na Bélgica
Para
onde foi a palavra "chocolate" das embalagens vendidas nos
supermercados na Bélgica? Em muitos casos, já não surge em destaque na frente
dos produtos, dando lugar à marca, à percentagem de cacau ou a referências aos
ingredientes e recheios. A mudança pode parecer apenas uma opção de marketing,
mas há também razões legais e económicas por detrás desta tendência
A palavra "chocolate" está a tornar-se cada vez
mais discreta nas embalagens dos supermercados. Em
muitos produtos, foi substituída por referências à percentagem de cacau, à
marca ou aos recheios. A mudança
coincide com a subida dos preços do cacau e com alterações nas receitas de
alguns fabricantes, que podem deixar de cumprir os critérios legais necessários
para utilizar a designação "chocolate".
A
designação "chocolate" está sujeita a regras rigorosas na União
Europeia. Uma barra de chocolate negro deve conter pelo menos 35% de cacau,
enquanto o chocolate de leite tem de incluir um mínimo de 25%. A utilização de
outras gorduras vegetais também é estritamente regulamentada.
Com o aumento significativo dos preços do cacau nos últimos
anos, algumas empresas optaram por alterar as receitas para reduzir custos.
"Os fabricantes tiveram de substituir parte do cacau ou
utilizar menos cacau nos seus produtos. Como existe uma norma europeia que
exige uma determinada percentagem de cacau, ou já não cumprem essa percentagem,
ou substituem as gorduras por outra coisa e, por isso, por definição, já não
podem chamar aos seus produtos chocolate", explica Thomas Manini, mestre
chocolateiro.
Apesar da menor visibilidade da palavra nas embalagens, a
indústria belga garante que a procura continua forte. A Associação Belga da
Indústria do Chocolate sublinha que o setor continua em crescimento. Em 2024, a
Bélgica exportou cerca de 800 mil toneladas de chocolate, um sinal de que o
produto mantém o seu peso na economia do país.
Fonte: SIC Notícias, 28 de junho de 2026

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