Arizona recusou acolher o Irão para o Mundial de 2026
Disputa diplomática ensombra chegada do Irão
A seleção iraniana de futebol chegou no domingo ao Aeroporto
Internacional de Tijuana, no México, enquanto os preparativos para o Mundial de
2026 prosseguem sob a sombra de uma crescente disputa diplomática com os
Estados Unidos.
A equipa tinha inicialmente previsto instalar a sua base de
operações no estado do Arizona, mas esses planos foram abandonados após o
agravamento das tensões relacionadas com restrições de viagem e problemas na
emissão de vistos. Em alternativa, o Irão realizou um estágio de três semanas
na Turquia antes de seguir para o México, segundo uma notícia publicada pelo Express.
Os jogadores e membros da comitiva estão autorizados a
entrar nos Estados Unidos apenas nos dias dos jogos, sendo obrigados a
abandonar o país no próprio dia, uma situação que cria sérias dificuldades
logísticas durante a competição.
Recusas de vistos agravam tensões
A controvérsia intensificou-se depois de a televisão estatal
iraniana ter noticiado que 14 elementos da delegação iraniana viram os seus
pedidos de visto para os Estados Unidos recusados. Entre os visados estariam o
secretário-geral da Federação Iraniana de Futebol, Hedayat Mombeini, e o
vice-presidente Mehdi Mohammad Nabi.
A Embaixada do Irão em Ancara criticou a decisão, afirmando
que as recusas de visto afetaram uma parte significativa da estrutura técnica e
dirigente da seleção.
«Não podem branquear um
comportamento que viola os regulamentos da FIFA e incumpre as obrigações dos
Estados Unidos enquanto país anfitrião, limitando-se a elogiar-se a si próprios»,
declarou a embaixada.
A representação diplomática acrescentou ainda que os Estados
Unidos agravaram aquilo que classificou como um «tratamento deliberadamente
discriminatório» dirigido à seleção iraniana.
México intervém após alteração dos planos
O México concordou em acolher a seleção iraniana depois de
os planos originais baseados nos Estados Unidos terem sido abandonados. A
presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, confirmou que o país estava disponível
para receber a equipa.
A medida surge depois de o presidente dos EUA, Donald Trump,
ter questionado o envolvimento do Irão no torneio, afirmando
que a seleção era bem-vinda no Mundial, mas acrescentando que não considerava
apropriado que lá estivesse «pela sua própria vida e segurança».
O embaixador dos EUA, Tom Barrack, elogiou os funcionários
da embaixada pelo processamento dos documentos de viagem da equipa, embora tal
tenha tido pouco efeito na redução da indignação causada pelas recusas de
vistos reportadas.
Jogadores assinalam tragédia escolar
Na chegada, jogadores iranianos foram vistos a usar
alfinetes com o número 168.
Os alfinetes seriam uma homenagem às crianças mortas num
ataque com mísseis a uma escola em Minab, a 28 de fevereiro. O Pentágono
afirmou que o incidente continua sob investigação e não divulgou mais detalhes.
Estreia da campanha em Los Angeles
O Irão inicia a sua campanha no Mundial contra a Nova
Zelândia, em Los Angeles, a 16 de junho.
Está também previsto que enfrente a Bélgica e o Egito na
fase de grupos, com todos os jogos a serem disputados na costa oeste dos
Estados Unidos.
Para o Irão, o torneio começa agora no meio de uma disputa
política que já moldou os planos de viagem da equipa e que ameaça permanecer
como pano de fundo ao longo da sua participação no Mundial.
Fonte: Lente Desportiva, 10 de junho de 2026

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