Bill Gates: "As ideias de Epstein caminhavam" para chantagem
Pariya Carello, influenciadora digital e criadora de
conteúdo canadiana vivendo em Toronto, Ontário
Bill Gates afirmou, perante uma comissão do Congresso
norte-americano, que acredita que Jeffrey Epstein poderá ter considerado
utilizar informações sobre as suas relações extraconjugais para o pressionar a
manter contacto com ele, embora tenha garantido que nunca foi alvo de chantagem
direta.
De acordo com o The Guardian, as declarações constam
da transcrição de um depoimento prestado à porta fechada por Gates perante a
Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a 10 de
junho, e divulgada esta terça-feira. O empresário foi ouvido sobre a sua
relação com o agressor sexual, que se suicidou na prisão em 2019 enquanto
aguardava pelo julgamento.
“Não fui chantageado, mas,
sabem, quando se olha para estes e-mails, parece que as ideias de Epstein
estavam a caminhar nessa direção”, afirmou o fundador da Microsoft,
referindo-se aos documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos
Estados Unidos entre dezembro e janeiro.
Sobre o conteúdo dessas mensagens, Gates disse ter ficado
com a impressão de que Epstein estaria a testar abordagens que poderiam vir a
ser usadas contra si. Segundo o empresário, através de rascunhos de e-mails, o
milionário parecia estar a “ensaiar” a forma como ele próprio, ou alguém sob a
sua orientação, poderia tentar pressioná-lo, embora nenhuma dessas mensagens
lhe tenha sido efetivamente enviada.
Nos últimos anos, Gates classificou os seus contactos com
Epstein como “um grande erro”. Em fevereiro deste ano, numa entrevista ao The
Wall Street Journal, admitiu ter mantido
relações extraconjugais com duas mulheres russas, mas rejeitou
qualquer participação nas atividades do empresário.
No depoimento agora divulgado, o fundador da Microsoft
reconheceu, ainda, que sabia que Epstein tinha enfrentado problemas judiciais
relacionados com crimes sexuais. Ainda assim, explicou que lhe foi apresentado
como uma pessoa com capacidade para mobilizar milhares de milhões de dólares
para projetos de saúde global, uma área à qual dedicava grande parte da sua
atividade filantrópica.
“Eu sabia que aquilo era de natureza sexual, mas não me
aprofundei nos pormenores, embora provavelmente devesse tê-lo feito”, declarou.
Fonte: Observador, 25 de junho de 2026

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