Centros de migrantes são incompatíveis com valores europeus, diz Macron
O presidente
francês afirmou hoje que Paris não vai criar centros para migrantes fora das
fronteiras da UE, considerando que estes não são nem eficazes nem compatíveis
com os valores europeus
"Sim a uma política que combata a imigração ilegal, que
nos torne mais eficazes e que conduza a retornos [...]. No que diz respeito à
França, não a centros de retorno ou a `hubs de retorno` em países
terceiros", declarou Emmanuel Macron, no final de uma cimeira europeia em
Bruxelas.
"Porque acredito que
isso não é nem eficaz nem corresponde aos princípios que são os nossos. Nunca
vi um centro de retorno num país terceiro funcionar", insistiu.
Na quarta-feira, o Parlamento Europeu aprovou o regulamento
relativo ao regresso de migrantes a quem foi recusado o direito de asilo,
reforma que inclui a possibilidade de os Estados-membros celebrarem acordos
para instalar centros de retenção fora das fronteiras da UE.
Estes centros para migrantes
situados fora do território da UE são fortemente defendidos por vários países
europeus, como Dinamarca, Itália ou Áustria, que consideram que
poderão facilitar repatriamentos e dissuadir potenciais candidatos à imigração
irregular.
Em contrapartida, organizações não-governamentais e partidos
de esquerda denunciaram, em uníssono, o risco de serem criadas "zonas sem
lei".
O presidente francês precisou ainda que se vai opor à
utilização do orçamento europeu para financiar a construção destes centros de
retorno, hipótese evocada no âmbito das negociações em curso sobre o futuro
quadro financeiro plurianual da UE para o período de 2028 a 2034.
"Isso deve ser da responsabilidade das políticas de
cada Estado", sublinhou.

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