Clã português detido em Espanha após escravizar 8 pessoas durante anos
Cinco
portugueses foram detidos em Espanha por suspeitas de ter escravizado oito
pessoas durante anos. Além de trabalharem entre 12 e 16 horas, sem descanso
semanal, as vítimas não recebiam salário. A rede era liderada por uma mulher
conhecida como "a Chefe"
A Guarda Civil deteve cinco membros de um "clã
português" em Rincón de Olivedo, La Rioja, em Espanha, acusados de
submeter oito pessoas a uma situação de "extrema exploração laboral",
com jornadas de trabalho entre 12 e 16 horas, sem descanso e, em alguns casos,
sem receber salário durante anos.
De acordo com o jornal La Gaceta, durante a operação
Portus-Cale, como lhe chamou a Guardia Civil, os polícias espanhóis conseguiram
libertar as oito vítimas, assim como desmantelar a rede que se dedicava,
alegadamente, "ao tráfico de seres humanos, crimes contra os direitos dos
trabalhadores e lavagem de dinheiro".
Os detidos são três homens e duas mulheres, com idades entre
24 e 50 anos, todos de nacionalidade portuguesa. Quatro deles foram colocados
em prisão preventiva.
A organização criminosa era liderada por uma mulher
conhecida como "a Chefe", que trabalhava em conjunto com o marido,
dois dos seus filhos e a companheira de um deles.
Segundo a Guardia Civil, os principais autores do crime
depositaram mais de 2,5 milhões de euros nas suas contas desde 2022,
provenientes, principalmente, dos trabalhos agrícolas realizados pelas vítimas.
Grupo tirou documentos e telemóveis a vítimas (também
portuguesas)
Conta o La Gaceta que as vítimas também são
portuguesas, foram recrutadas em Portugal e levadas para Espanha. Aí, os
responsáveis pela rede confiscaram os seus documentos e telemóveis para
impedi-las de pedir ajuda ou de fugir.
Viviam em habitações precárias, sem condições de higiene e
sobreviviam à base de comida estragada que "os exploradores" lhes
davam.
Os suspeitos davam ainda álcool aos trabalhadores, para
ficarem cada vez mais dependentes e isolados a nível social.
Algumas vítimas, revela ainda o jornal espanhol, não
receberam um único euro após anos de trabalho. Outras ganhavam apenas quatro
euros por hora, dos quais o clã deduzia o custo do tabaco, do álcool e de
outros produtos.
"O sistema foi concebido de forma que os trabalhadores
acabassem devendo dinheiro àqueles que os exploravam", explicou o
porta-voz da Guarda Civil em La Rioja, Miguel Ángel Sáez, aos meios de
comunicação social espanhóis.
As vítimas trabalhavam todos os dias, incluindo domingos e
feriados, em regime de disponibilidade constante. "Eram empregadas na poda
das vinhas, construção civil, reformas completas de edifícios, serviços de
mudança e qualquer outra tarefa ordenada por membros do clã", relata ainda
a força de segurança espanhola, adiantando que algumas "foram mesmo
agredidas quando não iam trabalhar por motivo de doença".
Uma das vítimas morreu ao tentar fugir
Durante a investigação, os policias descobriram ainda que
uma das vítimas da família portuguesa tentou fugir mas acabou atropelada por
vários veículos, na estrada N-232, e morreu.
"Este episódio reflete o grau de vulnerabilidade e
isolamento em que os trabalhadores se encontravam, sujeitos a uma estrutura que
controlava sua documentação, sua acomodação, sua renda e praticamente todos os
aspetos de sua vida diária", lembrou o site espanhol.
Empresa vinícola teria conhecimento de exploração
laboral
Segundo o La Gaceta, a investigação teve início
depois de a Guardia Civil ter tido indícios que vários portugueses residentes
em Rincón de Olivedo poderiam estar a ser explorados por outros compatriotas.
Além dos detidos, a Guardia Civil identificou vários
clientes que utilizavam regularmente os serviços do grupo português. Segundo a
investigação, alguns deles tinham mesmo conhecimento das precárias condições de
trabalho dos funcionários.
Uma empresa vinícola e um dos seus gerentes estão mesmo a
ser investigados por um suposto crime contra os direitos dos trabalhadores. A
mesma terá pago 569 mil euros aos criminosos.
Os que as autoridades espanholas tentam agora determinar é
qual o nível de conhecimento que os responsáveis tinham sobre as condições de
trabalho das vítimas.
O caso não se concentra apenas naqueles que dirigiam a
organização criminosa, mas também nas empresas e pessoas que beneficiaram
"de mão de obra extremamente barata sem verificar - ou sem querer
verificar - a forma como os trabalhadores eram tratados pelos seus
"chefes".
Família criminosa tinha vida de luxo
Durante a operação, os agentes realizaram sete buscas em
diferentes propriedades. Nelas apreenderam 30 000 euros em dinheiro vivo, joias
avaliadas em mais de 150 mil euros e uma grande quantidade de documentos que
serão agora analisados.
Oito veículos foram também apreendidos, cinco deles de
modelos de luxo, e sete contas bancárias ligadas aos suspeitos foram
bloqueadas.
A investigação financeira apurou que os dois principais
autores do crime ganharam exatamente 2 517 593 euros desde 2022 com
trabalho agrícola. "Enquanto as vítimas viviam em condições insalubres,
trabalhavam incansavelmente e recebiam salários mínimos, os supostos
exploradores acumulavam dinheiro, joias e carros de luxo", nota a
publicação do país vizinho.
A operação contou com a ajuda de uma equipa da Polícia
Judiciária de Calahorra, assim como de diversas unidades da Guarda Civil.
Fonte: Notícias ao Minuto, 15 de junho de 2026
Pelo barulho das luzes, dá para perceber a etnia do clã português.

Comentários
Enviar um comentário