Congresso Judaico Europeu pede às autoridades portuguesas o cancelamento do concerto de Kanye West no Algarve
Em
comunicado enviado à imprensa, o Congresso Judaico Europeu, que representa as
comunidades judaicas na Europa, pediu às autoridades portuguesas e à
organização do concerto de Kanye West no Estádio do Algarve o cancelamento do
evento. Em causa estão as várias declarações antissemitas do músico
norte-americano proferidas ao longo dos anos
O Congresso Judaico Europeu (EJC), que representa as
comunidades judaicas na Europa, emitiu um comunicado no qual pede às
autoridades portuguesas para que o concerto de Kanye West no Estádio do Algarve
seja cancelado.
Demonstrando o seu apoio à Comunidade Israelita de Lisboa,
que no início de maio pediu às Câmaras Municipais de Faro e Loulé para que não
concedam apoios públicos ao concerto, o EJC afirmou que o pedido de
cancelamento do mesmo “não constitui uma questão de liberdade artística, mas
sim uma questão de se as instituições públicas, espaços públicos e entidades
públicas devem associar-se a um indivíduo que expressou repetidamente o ódio a
judeus e admiração por um regime responsável pela morte de milhões”.
“Numa altura em que o
antissemitismo está a crescer na Europa, e poucos dias após a
Sinagoga de Lisboa ter sido alvo de um ato de vandalismo antissemita, permitir
que este evento tenha lugar sem uma resposta clara envia uma mensagem
preocupante. As comunidades judaicas não devem questionar-se sobre se as suas
preocupações estão a ser ouvidas”, pode ainda ler-se.
“Pedimos a todas as autoridades, entidades públicas e
organizadores para que cancelem este evento e tomem as medidas apropriadas para
assegurar que o antissemitismo, a glorificação do nazismo e o ódio não são
recompensados com plataformas públicas, legitimidade ou apoio”.
Em causa estão as várias declarações antissemitas de Kanye,
que ao longo dos últimos anos disse nutrir “admiração” por Adolf Hitler e pelo
regime nazi, lançando mesmo um tema intitulado ‘Heil Hitler’. Em janeiro deste
ano, o rapper procurou desculpar-se dessas mesmas afirmações, justificando-as
com a sua doença bipolar.
Para o EJC, instituição com sede em Bruxelas, Portugal “deve
seguir o exemplo” de países como o Reino Unido, a França, a Polónia, a Suíça ou
a Itália, que cancelaram ou adiaram os concertos que Kanye West havia agendado
nesses territórios. No passado sábado, o músico atuou em Istambul, na Turquia,
perante vários milhares de pessoas.
O concerto está marcado para o dia 7 de agosto, com
organização da Raya Culture. Em abril, a BLITZ contactou o ministério da
Administração Interna, que afirmou estar “a acompanhar a situação”. “Se for
feita alguma avaliação de risco pelas autoridades competentes que concluam que,
de facto, a vinda e o concerto deste artista constituem um perigo ou uma ameaça
a nível nacional, aí sim, terão de ser tomadas medidas em conformidade”,
acrescentou o MAI. Tal avaliação será feita pelo SIS – Serviço de Informações de
Segurança e pelo SSI – Sistema de Segurança Interna.
Por sua vez, a Câmara de Faro afirma estar a aguardar uma
posição, ou ausência dela, por parte do governo. “O contrato que temos com a
promotora é de abrir as portas para fazer um concerto. Estaremos sempre
dependentes da resposta do governo para tomar essa decisão”.
Fonte: Expresso, 2 de junho de 2026
Percebe-se de onde vêm as ordens para as decisões soberanas dos países democratas como o Reino Unido, a França, a Polónia, a Suíça ou a Itália. E Portugal também tomará a mesma decisão livre gaguejada em calão “técnico-policial”.

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