Da TV ao desporto: processo Uber da droga envolve vários famosos
Pariya Carello, influenciadora digital e criadora de
conteúdo canadiana vivendo em Toronto, Ontário
Uma
investigação da PSP desmantelou uma rede de tráfico de droga liderada por Nuno
Santos, conhecida como "Uber da Droga", que envolve várias figuras
públicas como José Carlos Pereira, Marta Gil e Jorge Fonseca
Há vários nomes de figuras públicas envolvidos numa
investigação levada a cabo pela Divisão de Investigação Criminal da PSP que
durou um ano e que desmantelou uma rede de tráfico de droga liderada por Nuno
Santos, agora condenado a cinco anos e meio de
prisão efetiva.
Segundo o Observador, uma chamada de José Carlos
Pereira a Nuno Santos, líder da rede de tráfico chamada pela polícia de
"Uber da Droga", foi intercetada. O ator queria saber em que local
este estaria. Houve mais ligações da parte do médico e ator ao arguido, mas as provas não terão sido suficientes e
Zeca, como é conhecido no meio televisivo, ficou dispensado de depor em
tribunal.
Também o nome de Marta Gil aparece no processo. As chamadas
da atriz e ex-concorrente do "Big Brother Famosos" a Nuno Santos (11
no total em cerca de três meses) foram intercetadas pela PSP. Numa delas, Nuno
garante que a atriz já pode passar em sua casa para depois ir até ao festival
NOS Alive. Mas há mais detalhes relacionados com a atriz. No aniversário de
Marta Gil, a 4 de agosto, terá havido também interação entre os dois e uma
combinação de como uma pessoa conseguiria chegar até ela.
Numa outra data, a 1 de setembro, Marta ligou a saber se
Nuno poderia passar na sua casa, ao que este respondeu que o podia fazer, mas
que teria antes de passar pela sua própria habitação.
Marta Gil foi ouvida pela PSP no ano passado e admitiu que
tinha consumido haxixe de forma pontual. A atriz confessou que ela e Nuno se
tornaram amigos e justificou as chamadas intercetadas pela polícia. No dia do
seu aniversário, por exemplo, explicou que queria apenas que ele estivesse na
sua festa. Numa das chamadas Marta pediu "aquele clássico", que
esclareceu como sendo uma forma de dizer que "precisava de
desabafar".
Há também um nome do desporto ligado a este caso. Jorge
Fonseca, judoca português, ligou a Leonel Nhaga, outro dos nomes envolvidos com
Nuno Santos. O atleta, que ganhou uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos em
2020, pediu "pastilhas". Em tribunal, o desportista explicou que
sabia que o amigo se dedicava ao tráfico de estupefacientes. Ao Observador,
o advogado de Jorge Fonseca garantiu que o seu cliente acabou por não consumir
nenhuma droga.
De acordo com o Observador, a lista de testemunhas deste processo tem 21 nomes,
constando entre eles mais figuras públicas, funcionários da TAP, empresários,
médicos, engenheiros, entre outros. O Jornal de Notícias fala ainda no
nome do ex-participante do "Casados à Primeira Vista", Tiago Jaqueta.
Não foi
apenas o mentor da operação, Nuno Santos, que foi condenado. O seu parceiro,
Leonel Nhaga, recebeu uma pena de quatro anos e meio com pena suspensa e a mãe
de Nuno, Lucinda Santos, recebeu quatro anos e três meses também suspensos.
Quem é Nuno Ricardo Santos?
Nuno Santos tem um passado ligado à justiça. Este homem matou o pai a tiro quando tinha apenas 17 anos
após viver um contexto de violência doméstica. De acordo com o
Correio da Manhã, Nuno terá agido em legítima defesa já que o progenitor
era toxicodependente e violento. Na altura, o jovem foi condenado a cinco anos
de prisão, mas cumpriu apenas um ano.
Depois disso, rumou a outros países como Inglaterra e Nova
Zelândia, trabalhou em várias áreas e tornou-se até atleta profissional de
triatlo, avançou o Jornal de Notícias. Vivia há cerca de dez anos com a
companheira na zona de Campolide com quem tem um filho de oito anos.
Fonte: Notícias ao Minuto, 9 de junho de 2026
“Condenado a cinco anos e meio de prisão efetiva” – quando a pena é curta (ou simbólica), significa que os polícias não conseguiram reunir provas consistentes e o juiz condenou por convicção, embora jurem que esta figura jurídica já não exista - ela é usada para justificar o tempo de prisão preventiva. Também é normal os senhores guardas colocarem “provas” para parecerem ladinos na “investigação” e importantes diante das chefias, que querem sempre melhorar as estatísticas, para prestigio e até carreira política.
Figuras públicas, escutas e drogas sintéticas: como
caiu o “Uber da Droga” em Lisboa
Operação
de Nuno Ricardo Nogueira dos Santos vendia com regularidade LSD, MDMA, cocaína
e cetamina a vários clientes, entre os quais profissionais da representação, do
desporto, da televisão e da aviação
A rede de tráfico de droga que a PSP batizou como “Uber da
Droga” funcionava na Grande Lisboa, tinha uma carteira de clientes onde surgiam
figuras públicas e terminou com a condenação de três arguidos, incluindo o
líder do esquema, Nuno Ricardo Nogueira dos Santos, escreve o Observador.
O caso expôs uma operação que, segundo o tribunal, vendia com regularidade LSD,
MDMA, cocaína e cetamina a vários clientes, entre os quais profissionais da
representação, do desporto, da televisão e da aviação.
A sentença foi lida a 28 de maio, no Campus de Justiça, em
Lisboa, e deu como provado que Nuno
Ricardo liderava uma atividade de venda de droga que esteve ativa, pelo menos,
entre o verão de 2023 e 28 de novembro de 2024. Nessa noite, o principal
arguido foi detido pela PSP à porta de casa. No interior da habitação, os agentes encontraram centenas de comprimidos de MDMA,
selos de LSD, cocaína, cetamina, 2C-B, balanças de precisão e vários materiais
usados para acondicionar produto estupefaciente.
O caso ganhou maior visibilidade pela lista de clientes
identificados no processo. Entre os nomes referidos nas escutas e na sentença
surgem o ator José Carlos Pereira, a atriz Marta Gil e o judoca olímpico Jorge
Fonseca, além de participantes de reality shows, assistentes de bordo,
empresários, médicos e engenheiros informáticos. Algumas testemunhas admitiram
à PSP que expressões como “bitolas”, “o normal”, “2g’s” ou “coiso” eram usadas
como linguagem codificada para comprar droga.
A rede e os produtos encontrados
A investigação da PSP decorreu durante cerca de um ano e
incluiu vigilâncias, escutas telefónicas e buscas domiciliárias. Na casa de
Nuno Ricardo, os agentes encontraram droga distribuída por várias divisões. No
escritório estavam 334 comprimidos de MDMA, várias embalagens da mesma
substância, comprimidos de 2C-B, cocaína, cetamina e quase 60 selos de LSD. Na
sala, foram encontrados mais de 250 gramas de cocaína, e no quarto havia ainda
embalagens com MDMA e cetamina com peso superior a 247 gramas.
Na mesma noite, Leonel Nhaga, apontado como sócio de Nuno
Ricardo, foi detido no Marquês de Pombal, em Lisboa. A PSP encontrou-lhe 13
embalagens de cocaína, saquetas de cetamina e MDMA, comprimidos de MDMA e mais
de cinco gramas de cetamina. Mais tarde, no quarto que tinha alugado, foram
apreendidas novas embalagens de cocaína, 320 pastilhas de 2C-B, 45 pastilhas de
MDMA e 4.550 euros em dinheiro.
O tribunal considerou que Leonel Nhaga entrou na operação no
verão de 2024, quando Nuno Ricardo deixou de conseguir responder sozinho a
todos os pedidos. A rede funcionava como um serviço de entrega regular, com
contactos diretos entre clientes e vendedores, combinados por telefone,
mensagens e encontros presenciais.
Figuras públicas nas escutas
O Observador revela que uma das chamadas intercetadas
pela PSP envolveu José Carlos Pereira. A 16 de setembro de 2024, o ator ligou a
Nuno Ricardo quando seguia na A5, a caminho de Lisboa, para combinar um
encontro. Pouco depois, voltou a telefonar para perceber onde o alegado líder
da rede se encontrava. O ator não respondeu aos pedidos de esclarecimento do
jornal e acabou dispensado de depor em tribunal.
Marta Gil também surge nas escutas. A atriz, antiga
concorrente de reality shows e comentadora televisiva, foi intercetada em pelo
menos 11 chamadas ao longo de três meses. Negou à PSP e em tribunal ter
comprado droga a Nuno Ricardo e afirmou que não sabia que o “amigo” traficava
drogas psicadélicas. Quando questionada sobre a expressão “aquele clássico”,
que usou numa conversa telefónica, disse que era uma forma de se referir a
momentos em que precisava de desabafar.
O judoca Jorge Fonseca, medalha de bronze nos Jogos
Olímpicos de Tóquio, também foi referido no processo. Numa chamada feita a
Leonel Nhaga, pediu “pastilhas”, expressão que levou o interlocutor a avisá-lo
para não usar esse tipo de linguagem ao telefone. O advogado do atleta explicou
ao Observador que, numa noite em que estava alcoolizado e acompanhado
por amigos, Jorge Fonseca ligou a Leonel para pedir quatro pastilhas de
ecstasy, mas acabou por decidir não tomar qualquer substância.
O papel da mãe e da companheira
A mãe e a companheira de Nuno Ricardo também foram
constituídas arguidas. O Ministério Público defendia que a companheira do
principal arguido ajudava na gestão financeira da organização e na preparação
das doses, mas o tribunal considerou não haver prova suficiente para a
condenar.
A situação da mãe, Lucinda Santos, foi diferente. O tribunal
deu como provado que era responsável por uma das “casas de recuo”, onde eram
guardadas embalagens para acondicionar cocaína, 2C-B, LSD, MDMA e cetamina. Nas
buscas à sua casa, a PSP encontrou frascos, sacos herméticos e tubos usados
para guardar droga.
A sentença considerou ainda que Lucinda Santos teve uma
participação ativa no circuito de distribuição. Em algumas chamadas
intercetadas, mãe e filho usavam expressões codificadas, como “ténis” ou
“caixas”. Numa das situações descritas no processo, Nuno Ricardo, estando no
Algarve, pediu à mãe que recolhesse produto em Lisboa. A mulher terá depois
enviado um emoji ao filho como sinal de que a transação estava concluída.
Da procura de pertença à venda de droga
Na sentença, os juízes descrevem a evolução de Nuno Ricardo
de consumidor para vendedor. O tribunal considerou que o arguido começou por adquirir droga para consumo próprio,
passou depois a ceder a terceiros e acabou por vender. Esse percurso
terá sido motivado não apenas por dinheiro, mas também pelo sentimento de
pertença e reconhecimento social obtido junto de amigos e figuras mediáticas.
O percurso pessoal de Nuno Ricardo também foi referido no
processo. Filho de um toxicodependente, viveu episódios de violência doméstica
durante a juventude e, aos 17 anos, matou o pai durante um desses episódios,
tendo cumprido um ano de prisão efetiva por homicídio. Mais tarde, tentou
reorganizar a vida, trabalhou em várias áreas, emigrou, voltou a Portugal e
aproximou-se do desporto.
Depois da pandemia, deixou de trabalhar de forma regular,
passou a viver de rendimentos e, em 2022, ao mudar de ginásio, integrou um novo
grupo de amigos. Foi nesse contexto que regressou ao consumo de drogas
psicadélicas e, progressivamente, passou à venda.
Três condenações no processo
O tribunal condenou Nuno Ricardo a cinco anos e meio de
prisão efetiva. O principal arguido está em prisão preventiva no
Estabelecimento Prisional de Lisboa desde 28 de novembro de 2024, dia em que
foi detido.
Leonel Nhaga foi condenado a quatro anos e meio de prisão,
com pena suspensa por cinco anos. Lucinda Santos, mãe de Nuno Ricardo, foi
condenada a quatro anos e três meses de prisão, também com pena suspensa por
cinco anos.
A companheira de Nuno Ricardo foi ilibada. Apesar da convicção
do Ministério Público de que teria participado na organização do produto
e na gestão financeira do negócio, o coletivo de juízes considerou que não
existia prova suficiente para a condenar.
No acórdão, o tribunal
sublinhou a existência de “prova segura, coerente e convergente” sobre uma atividade reiterada de venda de
estupefacientes, com meios organizados, divisão de tarefas, posse de
quantidades incompatíveis com consumo próprio e intenção lucrativa. O caso
deixa exposta uma rede que, durante mais de um ano, funcionou entre contactos
codificados, entregas discretas e uma lista de clientes onde o estatuto social
e mediático ajudou a transformar um traficante num fornecedor de referência.
Fonte: Executive Digest, 8 de junho de 2026

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