EUA atacam o Irão e Teerão retalia
Apesar
do cessar‑fogo acordado a 17 de junho, EUA e Irão entraram numa nova escalada.
Washington atacou instalações iranianas e Teerão respondeu com ações contra
posições norte‑americanas
As forças armadas dos EUA realizaram ataques contra alvos
iranianos, esta sexta-feira, depois de Trump ter
acusado o Irão de uma
"violação insensata" da trégua na sequência do ataque a um navio de
carga no Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos revelou, na rede social X, que foram atacadas instalações de armazenamento de mísseis e drones, bem como postos de radar costeiros.
EUA atacam Irão em resposta a ataque a navio comercial
TAMPA, Florida — As forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM) realizaram ataques contra o Irão no dia 26 de junho, como forte resposta ao ataque de ontem a um navio comercial que transitava pelo Estreito de Ormuz.
As aeronaves norte-americanas atacaram locais de armazenamento de mísseis e drones iranianos, bem como estações de radar costeiras, depois de o Irão ter atingido o M/V Ever Lovely, a 25 de junho, com um drone de ataque unidirecional. O navio cargueiro, com bandeira de Singapura, estava a sair do Estreito de Ormuz ao largo da costa de Omã, no momento do ataque iraniano.
A agressão injustificada contra a navegação comercial por parte das forças iranianas violou claramente o cessar-fogo. Além disso, o comportamento perigoso do Irão prejudicou a liberdade de navegação, dado que o comércio flui cada vez mais através deste importante corredor comercial internacional.
As forças do CENTCOM continuam a prestar coordenação e apoio para a passagem segura dos navios comerciais que transitam pelo estreito. As forças armadas dos EUA continuam presentes e vigilantes para garantir que todos os aspetos do acordo com o Irão são respeitados, obedecidos e estão em pleno vigor e efeito.
Pouco depois do ataque, o vice-presidente norte-americano deixou um aviso na rede social X: "O Irão assinou um acordo de cessar-fogo. Nós estamos a honrá-lo. Se eles estão em desacordo sobre a forma como o memorando de entendimento tem sido aplicado, eles podem pegar no telefone". JD Vance termina a mensagem assegurando que “a violência terá como resposta a violência.”
Indiferente ao aviso, a Guarda Revolucionária do Irão
informou, entretanto, que as suas forças navais atacaram "vários
pontos" onde o Exército dos Estados Unidos estava "posicionado",
como resposta ao ataque de Washington a instalações iranianas.
"Em resposta à agressão, a
Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica atacou vários locais onde o
exército terrorista norte-americano estava acantonado na região",
informou o braço militar iraniano, em declarações recolhidas pela cadeia de
televisão pública iraniana, IRIB.
A Guarda Revolucionária garantiu que a Casa Branca violou o
artigo cinco do pré-acordo de paz alcançado na semana passada e destacou que os
ataques dos Estados Unidos "receberam a resposta necessária".
"Continuará a ser assim", acrescentaram, se os ataques continuarem.
"Se a infração se repetir, a nossa resposta será mais
contundente", concluiu.
Relativamente à resposta dos Estados Unidos, meios
iranianos, incluindo a agência de notícias IRNA e a televisão estatal IRIB,
noticiaram que houve várias explosões no porto de Sirik, uma localidade da
província de Hormozgão, junto ao estreito de Ormuz, que também abriga uma base
militar.
Esta escalada pode pôr fim o cessar-fogo de 60 dias acordado
entre os dois países. Os EUA e o Irão chegaram a acordo, a 17 de junho, para
pôr fim às hostilidades ao abrigo de um memorando de entendimento de 14 pontos,
que também exigia que o Irão fizesse os “maiores esforços para garantir a
passagem segura de navios comerciais, sem cobrança de taxas”, uma ideia que tem
sido rejeitada por Teerão, que tem mesmo a intenção de aplicar taxas.
O Irão não reivindicou a autoria do ataque ao navio, mas a
autoridade marítima avisou que os navios que passassem pelo estreito, à margem
das regras definidas, não teriam “garantias de segurança”.
Fonte: Expresso, 26 de junho de 2026



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