Europa reavalia contratos com a tecnológica de defesa norte-americana Palantir
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(2007–2012) - Jennette McCurdy, Miranda Cosgrove, Nathan Kress, Noah Munck
Críticos
têm censurado a Palantir pelas ligações a exércitos envolvidos em conflitos
ativos e à autoridade de imigração ICE nos Estados Unidos
Governos europeus procuram reduzir a dependência da
Palantir, a empresa norte-americana de análise
de dados cujas plataformas servem de espinha dorsal de dados e inteligência
artificial (IA) para forças armadas em todo o mundo.
Derk Boswijk, secretário de Estado neerlandês da Defesa,
disse na Câmara dos Representantes esta semana que tem de existir uma
“alternativa plenamente funcional” à Palantir no prazo de dois anos.
Boswijk afirmou que os Países Baixos utilizam a Palantir
desde 2010 de forma “muito limitada, compartimentada e em pequena escala”,
segundo a comunicação social local.
Ainda assim, disse que o governo está a trabalhar numa
“estratégia de dois eixos para reduzir a dependência” da empresa, para poder
operar de forma independente “o mais depressa possível”. Documentos entregues
ao parlamento neerlandês indicam que o país procura uma alternativa europeia.
Boswijk respondia a uma pergunta da deputada neerlandesa
Michelle Jagtenberg, que acusou a empresa de ter
uma “ideologia racista e antidemocrática”
e pediu ao governo que terminasse a relação com a Palantir. A
intervenção surge na sequência de uma moção aprovada em 2025 para tornar o
governo mais independente da Palantir e encontrar soluções lideradas por
europeus.
Os Países Baixos são o mais recente país europeu a querer
afastar-se das tecnologias da Palantir nos seus contratos.
Um relatório recente do parlamento do Reino Unido afirma que os
programas da empresa representam para o governo britânico um “ponto de
vulnerabilidade inaceitável”. A Suíça rejeitou propostas da Palantir pelo menos nove vezes por
motivos de segurança e a Dinamarca
procura igualmente alternativas locais ao software da Palantir.
Euronews Next analisa mais de perto que preocupações
têm os governos europeus com esta tecnológica de defesa dos Estados Unidos e
que contratos, se algum, estão a ser renegociados.
Porque é que a Palantir é controversa?
A Palantir afirma que trabalha com grandes quantidades de
dados para criar “a melhor experiência de utilização do mundo para trabalhar
com dados, que permite às pessoas colocar e responder a questões complexas”.
Um dos seus produtos, o software
Gotham de apoio à decisão para sistemas de armas, é descrito como
uma ferramenta que apoia os soldados com uma “kill chain potenciada por IA”
para identificar alvos.
A empresa e os seus responsáveis, o cofundador e presidente
Peter Thiel e o diretor executivo Alex Karp, estão há algum tempo no centro de
polémicas em ambos os lados do Atlântico.
Numa chamada com investidores, Karp disse que acredita que o
software desenvolvido pela Palantir se destina a ser utilizado como arma letal.
“A Palantir existe para
abalar… e, quando necessário, para assustar os nossos inimigos e, por vezes,
para os matar”, afirmou, segundo a transcrição da conferência de
resultados.
Karp terá dito aos investidores, noutra chamada, que tornar crimes de guerra constitucionais seria bom para o
negócio, depois de os Estados Unidos terem atacado embarcações nas
Caraíbas.
Críticos da Palantir, como a Amnistia Internacional,
argumentam que a forma como a empresa trata estes grandes volumes de dados cria
riscos em matéria de privacidade, transparência e revenda de dados de saúde, no
âmbito do acordo celebrado com o governo britânico para a plataforma do Serviço
Nacional de Saúde (NHS).
A Amnistia salientou que é
problemático conceder “à Palantir um acesso sem precedentes aos registos de
dados de saúde da população ao longo da pandemia, através de grandes contratos
tecnológicos com o NHS”.
A tecnologia da Palantir terá sido utilizada pelo Pentágono dos Estados
Unidos para recolher informação classificada e usá-la na seleção de alvos em
recentes ataques com mísseis contra objetivos iranianos.
A empresa assinou também um acordo com as Forças de Defesa de Israel
(IDF) em 2024 para “missões relacionadas com a guerra”, a fim de apoiar as suas
operações militares em Gaza, e utiliza o seu software para localizar famílias
migrantes nos Estados Unidos no âmbito das operações do Serviço de Imigração e
Controlo Aduaneiro (ICE).
A Euronews Next contactou a Palantir para este
artigo, mas não recebeu uma resposta imediata.
Que governos europeus têm contratos com a Palantir?
Vários governos europeus utilizam atualmente tecnologias da
Palantir em partes do setor público, sobretudo na defesa, nas forças de
segurança e nos serviços de informações, mas a dimensão da adoção varia
significativamente de país para país.
O Reino Unido assinou um contrato com a Palantir como
principal fornecedora do NHS, mas um relatório recente de uma comissão
parlamentar recomenda que esta relação termine em 2027, quando o contrato
expirar, e que seja encontrado um fornecedor local.
A Palantir assinou ainda um contrato de três anos, no valor
de 240 milhões de libras (276 milhões de euros), com o ministério da Defesa
britânico para fornecer “apoio à tomada de decisões estratégicas, táticas e
operacionais em tempo real em todos os níveis de classificação de informação de
defesa, interoperável com a NATO e com outros sistemas Palantir de nações
aliadas”.
Algumas forças policiais alemãs, na Baviera, em Hesse e na Renânia do Norte-Vestefália, utilizam uma versão limitada do “Gotham” da Palantir para ajudar na investigação de ameaças graves, como atentados terroristas, segundo a imprensa local.
Ao nível federal, as Forças Armadas alemãs afirmaram que não
irão contratar empresas norte-americanas, incluindo a Palantir, para estes
contratos, segundo a Reuters.
“Por muito que nos interesse a funcionalidade para a nossa
própria base de dados, é simplesmente inconcebível, neste momento, conceder ao
pessoal da indústria acesso à base de dados nacional”, afirmou Thomas Daum,
chefe da defesa cibernética da Alemanha, citado esta semana.
Em alternativa, o governo está a pré-selecionar soluções
europeias, incluindo a empresa francesa ChapsVision, para responder às suas
necessidades de software.
A Dinamarca assinou anteriormente um contrato de sete anos
com a Palantir para as plataformas de vigilância e análise de dados Maven Smart
System e Foundry. No entanto, anunciou recentemente que passará a procurar
soluções locais para substituir o software da Palantir.
Depois de o governo espanhol ter assinado, em 2023, um
contrato de 16,5 milhões de euros com a Palantir, mais de 40 entidades utilizam
o software da empresa, segundo a imprensa local. Até agora, quase não houve
contestação pública de grande escala, em Espanha, à utilização da empresa em
contratos públicos.
A Euronews Next contactou estes governos para
perceber se estão a reconsiderar alguns dos seus contratos de defesa com o
gigante norte-americano do sector, mas não obteve resposta imediata.
Continua a haver interesse por parte de empresas privadas
europeias em utilizar soluções da Palantir: mais de uma centena de grandes
bancos, gestoras de ativos e fundos de pensões europeus aumentaram o
investimento na empresa no último ano, segundo uma investigação da Follow
the Money.
Fonte: Euronews, 5 de junho de 2026

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