Grok de Elon Musk utilizada em ataques militares contra o Irão, revela Departamento de Justiça dos EUA
Sam & Cat (2013–2014) - Jennette McCurdy
A
Administração Trump substituiu a Anthropic pela xAI após rescisão de contratos
por questões éticas. O uso militar da IA gera controvérsia, com funcionários da
Google a contestar o fornecimento ao exército
A empresa de inteligência artificial (IA) de Elon Musk, Grok,
foi utilizada nos ataques contra o Irão, revelou a Administração
norte-americana num documento judicial.
A revelação consta de um
documento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que defende as
turbinas a gás de um gigantesco centro de dados da empresa do multimilionário,
a xAI, alvo de uma queixa ambiental.
No documento, apresentado a 15 de junho e consultado pela
agência France-Presse (AFP), o Departamento de Justiça argumenta que a queixa “ameaça a
segurança nacional, económica e energética” do país, ao arriscar-se a cortar o
fornecimento de energia a infraestruturas de IA agora utilizadas pelo exército.
Para sustentar o argumento, o departamento apresenta o
testemunho de Cameron Stanley, responsável pela IA no Pentágono, que declara
sob juramento que uma ferramenta derivada do Grok, o "Grok Gov
Model", já está a ser utilizada no âmbito do 'Project
Maven', o programa de seleção de alvos assistido por IA do exército,
inicialmente baseado no modelo Claude, da Anthropic.
De acordo com a declaração, os processos do Maven “permitiram às forças norte-americanas lançar mais de 2000
munições contra 2000 alvos distintos em 96 horas”, durante a guerra
contra o Irão. O alto funcionário vê nestes números "a prova de um aumento
muito significativo da eficácia operacional, possibilitado pelo Grok Gov
Model", sem especificar se este é o único modelo utilizado pelo programa.
Stanley afirma ainda que os utilizadores do Maven consomem
"cerca de dois mil milhões de tokens” (unidades de computação) “por dia”,
o que equivale a ”até seis milhões de páginas" processadas, um volume que,
segundo o responsável, torna a infraestrutura de computação da xAI
indispensável.
As turbinas visadas pela queixa alimentam o Colossus 2, um
supercomputador da xAI que alimenta o Grok, nos arredores de Memphis.
A NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de
Cor, na sigla em inglês) processou a xAI, acusando-a de explorar, sem licença,
dezenas de turbinas, em violação da lei sobre a qualidade do ar.
As turbinas poluem bairros de maioria negra, afirma a
associação. A xAI defende que as suas turbinas são temporárias e móveis e que,
por isso, não estão sujeitas à regulamentação evocada.
No final de fevereiro, a Administração de Donald Trump
rescindiu os contratos com a Anthropic, que recusou que as suas ferramentas
fossem utilizadas para ataques totalmente automatizados ou para a vigilância em
massa dos norte-americanos.
O Pentágono recorreu então à Google, à OpenAI e à xAI, as
outras três empresas norte-americanas de IA de ponta. A transição leva, porém,
tempo e Washington teve de admitir, em março, que o Claude continuava a ser
utilizado na guerra no Irão.
A utilização militar da IA suscita controvérsia. Na Google,
mais de 600 funcionários exigiram, em abril, que não fosse fornecida IA ao
exército para operações confidenciais. O grupo já tinha abandonado o projeto
Maven em 2018, sob pressão dos seus engenheiros.
Próximo de Donald Trump, a quem apoiou e aconselhou, Musk
integrou a xAI no seu grupo espacial SpaceX em fevereiro, que realizou, a 12 de
junho, a maior entrada na bolsa de valores da história.
Fonte: Expresso, 17 de junho de 2026

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