Multimilionário do futebol apoia taxas de trânsito impostas pelo Irão

 

Evangelos Marinakis, magnata grego do transporte marítimo e proprietário dos clubes de futebol Nottingham Forest e Olympiacos, gerou polémica internacional ao manifestar a sua disponibilidade para pagar ao Irão uma taxa de trânsito que garantisse a passagem contínua de embarcações pelo estratégico Estreito de Ormuz.

Marinakis, cujo grupo Capital Maritime opera uma frota de 185 navios, incluindo cerca de 35 petroleiros, fez as suas declarações durante um fórum organizado pela TradeWinds News no âmbito da feira marítima Posidonia, realizada em Atenas na passada terça-feira. O empresário sugeriu o pagamento de 100 mil a 200 mil dólares por embarcação, consoante a carga transportada ou a dimensão do navio, como solução pragmática para as tensões geopolíticas em curso.

«Para mim, é preferível pagar uma taxa de 100 mil ou 200 mil dólares, dependendo da dimensão da carga ou da embarcação, do que enfrentar toda esta perturbação», afirmou Marinakis, citado pelo Financial Times e pelo Middle East Eye. Acrescentou que tal taxa poderia servir como forma de compensação ao Irão pelos «danos» sofridos na guerra entre os Estados Unidos e Israel, considerando essa solução preferível ao encerramento da importante rota marítima. «Mesmo que tivéssemos de pagar uma taxa, para mim seria muito melhor do que ver o estreito encerrado.»

Uma posição em desacordo com os governos

A proposta de Marinakis coloca-o em rota de colisão tanto com a administração de Donald Trump como com o seu próprio governo. O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, declarou publicamente em maio que o Irão não deveria impor qualquer taxa de passagem nesta via marítima vital. Também os Estados Unidos têm rejeitado de forma consistente qualquer tentativa iraniana de cobrar portagens ou taxas de trânsito numa das rotas comerciais mais estratégicas do mundo.

O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita com apenas 21 milhas náuticas de largura no seu ponto mais reduzido, constitui uma artéria vital para o comércio mundial, sendo historicamente responsável pelo trânsito de cerca de 20% das exportações globais de petróleo bruto e gás natural liquefeito (GNL).

O direito marítimo internacional, nomeadamente a Organização das Nações Unidas através da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, proíbe os países cujas costas confinam com estreitos internacionais de restringirem a navegação ou cobrarem portagens pelo trânsito. Embora os Estados possam reivindicar até 12 milhas náuticas de águas territoriais, a insistência do Irão em reservar-se o direito de impor uma taxa como parte de qualquer acordo destinado a pôr termo à guerra continua a ser um dos principais pontos de discórdia.

Visões divergentes entre magnatas da navegação

A posição de Marinakis não é consensual no seio da poderosa comunidade armadora grega, que controla aproximadamente 20% da frota mercante mundial. Outro magnata grego do transporte marítimo, George Procopiou, cuja empresa Dynacom é uma das poucas que continuou a enviar embarcações através do estreito durante o conflito em curso, rejeitou categoricamente a ideia de uma taxa de trânsito. Procopiou evocou a longa tradição dos marinheiros gregos de «furar bloqueios».

Apesar da posição oficial dos governos ocidentais, informações divulgadas pelo Middle East Eye sugerem que alguns armadores já terão recorrido ao pagamento de taxas de trânsito ao Irão, alegadamente em yuan chinês. Especialistas em direito marítimo defendem que Teerão poderá contornar as proibições internacionais através da criação de «taxas de pilotagem» ou «taxas de prestação de serviços», desde que obtenha a cooperação de Omã, o único outro país cujas águas territoriais se estendem sobre o estreito.

Fonte: Lente Desportiva, 3 de junho de 2026

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