Novo plano de compra de Trump: Ilhas Chagos
Donald Trump estará a considerar a compra das Ilhas Chagos a
Maurícia, numa alternativa aos planos do Reino Unido para transferir a
soberania do território.
A proposta permitiria à administração Trump contornar as
autoridades do Reino Unido e adquirir diretamente o território, assegurando
assim o controlo da base militar conjunta entre os Estados Unidos e o Reino
Unido em Diego Garcia.
No entanto, para que essa operação pudesse avançar, as ilhas
teriam primeiro de passar para a soberania de Maurícia, permitindo que
Washington negociasse diretamente a sua compra. Contudo, a legislação destinada
a concretizar a transferência das ilhas para Maurícia foi suspensa em abril,
depois de os Estados Unidos terem retirado o apoio ao acordo.
Segundo o The Guardian, a compra das Ilhas Chagos é
apenas uma das várias opções atualmente em análise por responsáveis
norte-americanos. A proposta mais recente terá
sido apresentada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos,
Scott Bessent, e levada ao conhecimento de Trump, embora não seja considerada,
alegadamente, a solução preferencial.
Alguns elementos da administração norte-americana
manifestaram preocupações quanto à possibilidade de o arquipélago passar para o
controlo de Maurícia, descrita como um aliado da
China, receando eventuais riscos de espionagem.
As discussões sobre uma eventual aquisição das Ilhas Chagos
surgem num contexto de conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, em
curso desde o final de fevereiro. A base de Diego Garcia, situada no centro do
Oceano Índico, encontra-se a cerca de 3800 quilómetros do Irão e dispõe de uma
infraestrutura aérea capaz de receber mísseis norte-americanos de longo
alcance.
Desde o início da guerra, o Irão lançou já vários ataques
contra a base militar conjunta. Um desses ataques, ocorrido no final de março,
terá sido intercetado por um navio de guerra dos Estados Unidos.
Em março, o Reino Unido autorizou ainda os Estados Unidos a
lançarem mísseis contra plataformas de lançamento iranianas a partir de Diego
Garcia. Na altura, Trump criticou a decisão britânica, classificando-a como
“muito tardia” e defendendo que a autorização deveria ter sido concedida mais
cedo.
Abbas Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão,
advertiu o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, através das redes
sociais, acusando-o de estar a “colocar vidas britânicas em risco ao permitir
que bases do Reino Unido sejam utilizadas para agressões contra o Irão”.
Trump já quis mais territórios?
Donald Trump manifestou, ao longo dos seus mandatos e da sua
atividade política, interesse em vários territórios por razões estratégicas,
económicas ou de segurança. Os casos mais conhecidos são:
Gronelândia – Em
2019, Trump surpreendeu ao sugerir pela primeira vez a compra da Gronelândia à
Dinamarca. A ideia foi rejeitada pelas autoridades dinamarquesas e
groenlandesas, que afirmaram que o território não estava à venda. Trump
argumentava que a ilha tinha importância estratégica no Ártico e valor em
recursos naturais.
Faixa de Gaza – Embora não tenha falado formalmente em
"comprar" o território, Trump chegou a defender propostas para que os
Estados Unidos assumissem um papel direto na reconstrução e administração de
Gaza após o conflito no Médio Oriente. As declarações geraram forte
controvérsia internacional.
Canal do Panamá – Trump criticou várias vezes os acordos que
transferiram o controlo do canal para o Panamá, sugerindo que os Estados Unidos
deveriam recuperar maior influência sobre a infraestrutura. Contudo, nunca
apresentou uma proposta formal de compra.
Fonte: 24 Notícias, 7 de junho de 2026

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